12:35 PM
4 de abril de 2026

25 anos da Política Nacional do Sangue: mais qualidade nas transfusões

25 anos da Política Nacional do Sangue: mais qualidade nas transfusões

PUBLICIDADE



Ler Resumo

Os 25 anos da Política Nacional do Sangue, Componentes e Hemoderivados são um marco muito especial para as pessoas que têm necessidades transfusionais recorrentes, como é o meu caso, já que convivo com a talassemia maior. Conquistas como estas só reforçam a importância do Sistema Único de Saúde (SUS), portador de um dos melhores sistemas transfusionais do mundo.

De acordo com o Ministério da Saúde, essa política tem por finalidade garantir a autossuficiência do país nesse setor e harmonizar as ações do poder público em todos os níveis de governo, sendo implementada, no âmbito do SUS, pelo Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados (SINASAN), por meio da Rede de Serviços de Hemoterapia e dos centros de produção de hemoderivados.

Ou seja, a diretriz garante que o sangue que recebemos é de qualidade e que a doação é feita de forma altruísta e voluntária. No passado era bem diferente. O sangue era vendido e esta comercialização tornou-se um problema social. Afinal, as pessoas doavam muitas vezes sem a consciência e a responsabilidades necessárias, pensando somente no lucro – dinheiro este que, muitas vezes, era usado para sustento próprio.

+Leia também: PEC do Plasma: entenda o que pode mudar no processamento do sangue humano

Este cenário ficou no passado com a aprovação da Lei nº 10.205/2001 – Decreto 3990/200: passamos a ter maior segurança transfusional e sangue de qualidade, com tecnologia de ponta. Saímos do sangue ofertado em potes de vidro, onde as hemácias ficavam embaixo e os globos brancos em cima, para as modernas bolsas de sangue.

Me lembro de uma vez, quando mais novo, que fui fazer a transfusão e um destes potes despencou e quebrou. Imagina a bagunça que não ficou o local?

Continua após a publicidade

Além disso, também não existiam testes seguros e avançados. Com a nova política, os componentes do sangue passaram a ser coletados e distribuídos de forma adequada – bolsas somente com hemácias, bolsas somente com plaquetas, nada misturado.

Lutamos para que o teste NAT (Teste de Ácido Nucléico) fosse ofertado no sistema de saúde pública. Isso porque, com sua utilização, é possível identificar a presença de vírus como HIV e hepatite C no sangue doado. Outra vitória foi a provação dos filtros de delecotização, que reduz os leucócitos e impede reações transfusionais em pessoas politransfundidas.

É muito gratificante ver toda a evolução que nosso sistema de sangue e hemoderivados passou ao longo destes 25 anos. Essa é uma conquista da Abrasta, das pessoas com talassemia e da sociedade organizada como um todo.

*Eduardo Fróes é presidente da Associação Brasileira de Talassemia (Abrasta) e pessoa com talassemia maior



Fonte.:Saúde Abril

Leia mais

Rolar para cima