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26 de janeiro de 2026

30% dos empregos serão transformados pela IA, estima OCDE – 26/01/2026 – Economia

30% dos empregos serão transformados pela IA, estima OCDE – 26/01/2026 – Economia

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A inteligência artificial não significa a morte do emprego, mas altera profundamente a maneira como as tarefas são realizadas pelos trabalhadores, em um processo que irá requerer cada vez mais investimentos em qualificação e redesenho de funções.

Essa é a avaliação de especialistas em mercado de trabalho que participaram nesta segunda-feira (26) da Global Labor Market Conference, evento internacional sobre o tema que acontece na Arábia Saudita até terça (27).

Stefano Scarpetta, diretor de Emprego, Trabalho e Assuntos Sociais da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), estima que quase 30% dos empregos serão profundamente transformados pela IA.

“Mais de 50% das tarefas realizadas nesses empregos poderiam ser executadas pela inteligência artificial”, afirma. “Não há um único setor que não seja afetado pela IA ou que não será afetado no futuro.”

Ele destaca a velocidade da mudança: nos últimos três anos, mais de 50% dos adultos usaram o ChatGPT, um tempo três vezes menor do que levou para o uso do computador pessoal e a metade do tempo para o uso da internet.

“Ao mesmo tempo, acho que temos que ser humildes. Somos bombardeados por projeções, por números, por visões distópicas sobre o fim do trabalho. Na realidade, não sabemos muito”, pondera.

Ele ressaltou que, apesar das mudanças profundas, o emprego ainda está em níveis recordes em muitos países. “Quando perguntamos às firmas, grandes ou pequenas, todas aquelas que usaram IA não reduziram o emprego. Portanto, no nível agregado, não vimos uma substituição de trabalhadores pela IA.”

Para Leila Hoteit, diretora da área de educação e emprego do Boston Consulting Group, há dois cenários principais possíveis para o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho.

Em um, mais otimista, a IA amplia as possibilidades, estimulando a criação de novas funções. “Mas em outro, os ganhos de produtividade são captados por poucas empresas, que ganham escala com um número cada vez menor de funcionários”, alertou.

Independentemente da direção dos impactos da nova tecnologia sobre os empregos, o consenso de especialistas em mercado de trabalho que participam da conferência é que ela já está trazendo mudanças estruturais profundas.

Para Mohammad Alomair, CEO da empresa de segurança da informação Elm, o momento é de transição de “empregos” para “tarefas”, com funções sendo cada vez mais redesenhadas em modelos híbridos que combinam o julgamento humano e a capacidade da IA.

“À medida que o trabalho migra de empregos para tarefas, a IA deve apoiar a tomada de decisão humana, não substituí-la”, afirmou.

Na avaliação de Girish Ganesan, vice-presidente executivo e chefe de pessoal da S&P Global, o grande desafio das empresas é determinar quais serão os novos cargos iniciais no mercado de trabalho, já que os postos “braçais”, ou seja, mais burocráticos, já estão sendo executados com a ajuda da inteligência artificial.

“Para mim, o grande risco não é a IA tirar oportunidades, mas sim o nosso ecossistema, como o setor privado, formuladores de políticas e instituições de ensino, não se unir para redefinir o que serão os cargos de nível iniciante no futuro.”

O principal entrave para a transição é a falta de preparo da mão de obra. Scarpetta critica a baixa eficácia dos investimentos atuais em treinamento nos países desenvolvidos.

Embora governos afirmem priorizar o tema, afirma, apenas entre 0,3% e 5% da oferta de qualificação na OCDE é voltada especificamente para a IA. Além disso, o foco atual reside no desenvolvimento das ferramentas, e não no seu uso prático pelo trabalhador comum.

“O desafio é equipar o trabalhador para que a mão de obra seja potencializada pela IA”, disse.

Já Kai Roemmelt, CEO da plataforma de ensino online Udacity, vê um caminho mais curto para a adaptação devido à popularidade da ferramenta. Por ser uma tecnologia utilizada na vida privada, a barreira de entrada seria menor do que em ondas de inovação anteriores.

“A IA ajuda as organizações a identificarem e verificarem habilidades para integrar essas pessoas de forma mais ágil”, concluiu.

Anthony Saucito, diretor geral da Coursera, uma das principais plataformas globais de aprendizagem online, avalia que as novas demandas da IA generativa estão gerando uma enorme necessidade de requalificação e atualização de habilidades.

“Tivemos um crescimento de 300% nas matrículas em nossos cursos de IA generativa, mas também é importante reconhecer as habilidades humanas que estão se tornando ainda mais importantes em um futuro movido pela tecnologia.”

Ele ressalta a revolução representada pelo poder de tradução da IA. “Ao longo do próximo ano, teremos cerca de 7.000 novos conteúdos e cursos sendo introduzidos na plataforma. A IA vai nos ajudar a escalar isso para estar disponível em todos os idiomas.”

A repórter viajou a convite da Global Labor Market Conference



Fonte.:Folha de S.Paulo

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