Mesmo na alta temporada, quando as multidões tomam conta das praias do litoral paulista, um município no Litoral Sul entrega um pouco de respiro. Localizada a 110 km de São Paulo, Itanhaém é a segunda cidade mais antiga do Brasil — seus 493 anos mostram que a experiência vem com a idade, e que o simples pode agradar mais do que o extravagante.
Em um roteiro de poucos dias, é possível curtir as boas praias da cidade, que conta com cerca de 30 km de orla. Há águas tranquilas para famílias e mirantes que atraem os casais para fotos instagramáveis. Veja, a seguir, cinco passeios indispensáveis:
1. Praia dos Pescadores e dos Sonhos
Separadas por um pequeno avanço do continente rumo ao mar, as praias dos Pescadores e dos Sonhos são o filé mignon de Itanhaém.
A dos Pescadores tem ondas tranquilas, um mar raso — ótimo para levar as crianças — e uma paisagem composta pela serra ao fundo, com seus morros verdes que serpenteiam pelo horizonte. Com sorte, é possível ver os pescadores subindo em seus barquinhos e indo rumo ao mar para fazer a pesca do dia. Na volta, esses trabalhadores vendem os frutos do mar em uma feira próxima da praia.
A dos Sonhos tem ondas mais agitadas e uma faixa de areia maior. Aqui a garotada aproveita para montar castelinhos, enquanto os pais curtem uma gelada ou um açaí vendido nas barracas na areia.

No meio das duas praias, a Ilha das Cabras atrai os curiosos. Quando a maré está baixa, é possível seguir andando até a ilhota. Levado pelo público que peregrinava rumo às rochas, fui também nessa aventura. A ilha não tem muito a mostrar, mas rende fotos para o Instagram (talvez com “Numa Ilha”, de Marina Sena, tocando ao fundo da imagem nos stories).
Como não levei o celular, voltei sem registros, mas com uma lembrança pedagógica: uma bolha gigante no pé direito, cortesia das rochas quentes ao redor da Ilha das Cabras. Essa situação poderia ter sido evitada com um simples chinelo, que os visitantes levam pendurado no braço.
Há também o Monumento Mulheres de Areia, homenagem à novela de mesmo nome da Rede Globo gravada na cidade em 1974. A obra original é de Serafim Gonzales, um dos atores que participou do elenco, e segue como um dos cartões-postais de Itanhaém desde 1975. A obra atual é uma versão em fibra, de autoria de Daniel Gonzalez, filho de Serafim, instalada em 2014 devido à alta degradação da primeira versão em pedra.
Próximo das duas praias, a disponibilidade de restaurantes é variada. O Quiosque do Canto e o Ita na Praia garantem boas porções e frutos do mar. Aos fãs de carne, o Deck Restaurante entrega pratos de churrasco além dos peixes, e o Kaaporã Burguer proporciona uma vibe de hamburgueria artesanal a um pulo da Praia dos Sonhos. A quem busca uma culinária de além-mar, o Restaurante Taberna Baska traz pratos do País Basco e da Espanha.
2. Trilha do Sapucaitava
As trilhas sobre o Morro do Sapucaitava, ao lado da Praia dos Pescadores, levam os aventureiros a dois destinos. Ao escolher a escada após a estátua de São Francisco de Assis, o mirante da Pedra do Espia se revela, com vista para uma paisagem que contempla boa parte da orla de Itanhaém, além da perigosa Ilha das Cobras (saiba mais sobre as espécies desse lugar apocalíptico neste passeio pelo Instituto Butantan). Se a opção for descer o morro, uma rampa de madeira (que pode estar escorregadia) leva à Praia da Saudade, onde o Rio Itanhaém se encontra com o mar.
Há praia nas duas margens do rio, onde dá para curtir o sol ou aproveitar a água fluvial geladinha. Também é possível alugar um jet ski com empresas como a Jet Tur e a Loca Jet. Importante lembrar que, para conduzir esse veículo, é preciso possuir Carteira de Habilitação de Amador (CHA) – Motonauta Amador (MTA) — saiba mais no site oficial da Marinha do Brasil.

3. Passarela de Anchieta
Na outra ponta da Praia dos Sonhos, a Passarela de Anchieta convida os visitantes a conhecer mais da história nacional. São 220 metros de um deck de madeira sobre rochas à beira-mar. Placas no caminho contam a história do padre São José de Anchieta; canonizado em 2014, ele viveu em Itanhaém entre 1563 e 1595, o que rendeu o apelido de Terra de Anchieta à cidade. Conhecido por seus belos poemas, o santo descansava na hoje chamada Cama de Anchieta, rocha onde a passarela termina.
No começo do trajeto está a Gruta de Nossa Senhora de Lurdes, toda decorada. Nela, são celebradas missas todo dia 11 do mês, às 16h no inverno e às 17h no verão. Lojinhas ao redor vendem lembrancinhas da cidade e das figuras da santa e de Anchieta.
Quem decide se aventurar pelas rochas além da passarela chega à Praia das Conchas. O nome diz tudo: a faixa de areia é coberta por conchinhas, uma composição linda para fotos, mas desconfortável para os pés — importante levar chinelos.
4. Morro do Paranambuco
A um pulo da Passarela de Anchieta, subindo a Rua Ipiranga, está o Morro do Paranambuco. O local tem estacionamento e uma plataforma de concreto, sob a qual os visitantes costumam montar cadeiras de praia, abrir uma cerveja e bater papo até o sol se pôr. Lá em cima, vendedores aproveitam para comercializar comidas e bebidas aos apreciadores da vista.
A Pedra da Esfinge, parte do morro, é cercada de misticismos. Dizem as lendas que, se um casal se beijar próximo à rocha, será feliz para sempre. E se um solteiro fizer um pedido de casamento pensando na pessoa amada, será magicamente atendido.

5. Centro Histórico
A pequena Praça Narciso de Andrade, no centro da cidade, guarda séculos de história em seus tijolos. Por lá, fica a Igreja Matriz de Sant’anna, uma das mais antigas do município, hoje em reforma. Há também o Museu Conceição, que abrigou a Câmara Municipal de Itanhaém até 1971 e a Cadeia até 1964. Recheado de objetos antigos em exposição, o local é aberto à visitação de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados e domingos, das 11h às 17h — a entrada custa R$ 2, com gratuidade para menores de 12 anos e maiores de 60.
Acima do Morro do Itaguaçu, está o Convento de Nossa Senhora da Conceição, fundada como a primeira igreja da cidade em 1532. Uma cruz marca o começo da rampa de rochas que leva ao templo. Aberto de quinta a terça-feira, o monumento funciona das 10h às 18h e cobra R$ 5 de entrada.
De paredes amareladas com detalhes em azul, a Pinacoteca Municipal completa o combo histórico. Inaugurada em 2017 em um prédio centenário, o local abriga exposições, cursos e oficinas, com uma curadoria focada em obras de artistas locais.

Aos paulistanos, o trajeto principal é pela clássica Rodovia dos Imigrantes, descendo a serra rumo ao litoral. Ao chegar em Cubatão, pegue a BR-101 em direção à Praia Grande. Depois é só seguir até o Rio Itanhaém aparecer majestoso na paisagem.
Para quem vem do interior, principalmente do oeste do Estado de São Paulo, é possível seguir pela Serra da Macaca. Saindo de Sorocaba, pegue a BR-478 até Juquiá, depois siga pela BR-101 até Itanhaém.
Esse último trajeto costuma ser menos concorrido do que a Imigrantes, o que permite uma viagem mais tranquila, com vista para a Mata Atlântica em boa parte do caminho. Vale (e muito) passar no Restaurante Cabeça da Anta, ao lado de uma bica de mesmo nome que jorra água mineral. Os visitantes frequentes costumam recomendar a coleta dessa água e, quando estive lá, me disseram que fazer café com ela resulta em um sabor diferente. Fiz e provei, mas não percebi tanta diferença. Talvez a beleza esteja nos olhos de quem vê, ou melhor, nas papilas de quem prova a água da Anta.
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Fonte.:Viagen


