11:50 PM
15 de agosto de 2026

Em feira de adoção, cachorrinha é escolhida de primeira – mas horas depois o pior acontece

Em feira de adoção, cachorrinha é escolhida de primeira – mas horas depois o pior acontece

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Pandora, uma cadela de porte médio e idade adulta, viveu em poucas horas a alegria de ser escolhida e a dor de ser rejeitada. Em uma feira de adoção em Araranguá (SC), ela foi a primeira a ganhar um lar mas, antes do fim do dia, já estava de volta ao abrigo. A devolução de animais adotados não é apenas uma estatística; é um trauma silencioso que afeta profundamente cães que já carregam o peso do abandono.

O que aconteceu com Pandora, a cadela adotada e devolvida no mesmo dia?

Pandora foi levada pela ONG Fuami – Focinho Amigo para uma feira de adoção no centro de Araranguá. A equipe temia que ela, por ser adulta, fosse ignorada diante de tantos filhotes. Para surpresa de todos, Pandora foi a primeira a ser escolhida. A documentação foi preenchida, as condições de moradia verificadas, e a cadela seguiu para seu novo lar.

Mas, cerca de uma hora antes do encerramento da feira, a equipe recebeu um telefonema. A cadela apresentava comportamento de fuga. Uma voluntária foi até a residência a 25 minutos do centro e constatou que o imóvel tinha apenas um pequeno espaço no portão. Apesar da oferta da ONG para adequar o local, a família recusou. A fundadora da ONG, Larissa Rapack, explicou: “A pessoa que tinha adotado a Pandora estava feliz com ela e queria ela, mas o restante da família não”.

Por que a devolução de um animal adotado causa tanto sofrimento?

Três pilares explicam o impacto emocional da devolução em cães resgatados. O primeiro é a repetição do abandono: Pandora já havia sido resgatada das ruas grávida e, após dar à luz oito filhotes que foram adotados, ficou para trás. Ser levada para uma feira, escolhida e depois devolvida reativou a ferida do abandono. O segundo é a quebra da expectativa: o cão, ao ser adotado, cria um vínculo imediato com o novo lar; a devolução quebra esse elo de forma abrupta. O terceiro é a perda de confiança: animais devolvidos tendem a ficar mais ansiosos, inseguros e com medo de novas tentativas de aproximação.

O vínculo humano-animal é uma via de mão dupla: quando é rompido, o animal pode apresentar sinais de estresse, como apatia, perda de apetite e comportamento de fuga exatamente o que Pandora demonstrou ao tentar escapar do novo lar.


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Repetição do abandono


Pandora já havia sido resgatada das ruas e viu seus filhotes serem adotados enquanto ela ficou para trás. A devolução reativou a ferida do abandono, amplificando o trauma.


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Quebra da expectativa


Ao ser adotada, Pandora criou um vínculo imediato com o novo lar. A devolução quebrou esse elo de forma abrupta, gerando confusão e sofrimento.


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Perda de confiança


Animais devolvidos tendem a ficar mais ansiosos e inseguros. A confiança em humanos, já abalada pelo abandono inicial, sofre um novo golpe.

Quais são os sinais de que um cão está sofrendo com a rejeição?

O retorno de Pandora ao abrigo provocou um forte impacto emocional. “Para uma cadelinha assustada, que teve que ir para uma feira e teve que voltar, sim, gerou um impacto emocional para ela”, explicou Larissa Rapack. Os sinais de sofrimento em cães devolvidos podem incluir apatia, perda de apetite, comportamento de fuga (como Pandora tentou fazer), vocalização excessiva e até agressividade por medo.

No lar temporário, os voluntários observaram que Pandora não tentava fugir pelos portões abertos — um sinal de que o problema não era o desejo de escapar, mas a incapacidade de se sentir segura em um ambiente que não a acolheu por completo. Esse comportamento é comum em cães que passaram por múltiplas rejeições: eles se tornam hipervigilantes e interpretam qualquer mudança como uma ameaça.

  • Apatia e falta de interesse em brincadeiras ou interação
  • Perda de apetite ou recusa alimentar
  • Comportamento de fuga ou tentativa de escapar do ambiente
  • Vocalização excessiva (latidos ou choramingos sem motivo aparente)
  • Agressividade por medo ou reações exageradas a estímulos
Pandora: A história da cadela devolvida após adoção e o impacto da rejeição
Adotada e devolvida no mesmo dia: O trauma silencioso da rejeição em cães – Créditos: Instagram @adoteumbull

Como evitar que uma adoção termine em devolução?

A história de Pandora expõe uma falha comum no processo de adoção: a falta de alinhamento familiar. Larissa Rapack foi clara: “A adoção não ocorre por parte de um só”. Para evitar que um animal passe pela dor de ser adotado e devolvido, é essencial que todos os membros da família estejam de acordo com a chegada do pet. Uma pessoa pode estar entusiasmada, mas se os outros não compartilham do mesmo sentimento, o animal sofrerá as consequências.

Além do consenso familiar, a preparação do ambiente é fundamental. A ONG Fuami ofereceu-se para adequar o espaço da residência, mas a família recusou. Antes de adotar, é importante avaliar se a casa tem espaço suficiente, se a rotina permite o cuidado com o animal e se todos estão dispostos a se adaptar às necessidades do novo membro.







Motivo da devoluçãoComo evitarResponsabilidade

Falta de consenso familiar
Um membro quer, outros não
Reunir toda a família antes da adoção e garantir que todos estejam de acordoDo adotante

Espaço inadequado
Ambiente pequeno ou inseguro
Avaliar se a casa tem condições de receber o animal antes de levá-loDo adotante e da ONG

Comportamento inesperado
Fuga, ansiedade, medo
Oferecer período de adaptação e buscar orientação de um veterinário comportamentalistaCompartilhada

Como Pandora superou o trauma e encontrou um lar definitivo?

Apesar da dor da rejeição, a história de Pandora teve um final feliz. Em uma atualização recente, a ONG Fuami divulgou que Pandora superou o trauma da devolução e foi finalmente adotada por uma nova família responsável, garantindo a oportunidade de um lar permanente. A cadela, que já havia sido resgatada das ruas e visto seus filhotes partirem, finalmente encontrou um lugar onde pode ser amada sem reservas.

A repercussão do caso nas redes sociais mobilizou voluntários e conscientizou milhares de pessoas sobre a importância da adoção responsável. Como escreveu um internauta: “Vai conseguir um lar amoroso de verdade. Foi melhor assim do que você ser infeliz nas mãos de falsos amores”. A lição que fica é que a resiliência canina é surpreendente e que, com o apoio certo, um coração partido pode voltar a confiar.

Por que a história de Pandora nos ensina sobre esperança e responsabilidade?

A jornada de Pandora das ruas para a feira, da adoção para a devolução, e finalmente para um lar definitivo — é um lembrete de que a adoção não termina quando o animal sai do abrigo. Ela começa ali. A responsabilidade de um adotante vai além da assinatura de um termo: envolve preparar a casa, alinhar a família e estar disposto a enfrentar os desafios da adaptação.

A ONG Fuami, que mantém cerca de 35 animais em lares temporários e realiza uma média de 60 resgates mensais, continua atuando para conscientizar sobre a importância do acolhimento. Pandora, finalmente, descobriu o que é ser amada de verdade. E sua história nos ensina que, mesmo depois da rejeição, a esperança pode renascer e que cada animal merece uma segunda, terceira ou quarta chance até encontrar o lar que sempre mereceu.





Fonte. MG.Superesportes

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