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17 de agosto de 2026

A vida de sucesso de Hayden Panettiere nas telas e a dificuldade da atriz para lidar com a fama

A vida de sucesso de Hayden Panettiere nas telas e a dificuldade da atriz para lidar com a fama

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A cabeça de Hayden Panettiere aparece virada para trás, exibindo um sorriso suave, em um fundo vermelho.

Crédito, Reuters

    • Author, Ian Youngs
    • Role, Da BBC News
  • Published

  • Tempo de leitura: 8 min

Hayden Panettiere, que morreu aos 36 anos, viveu a maior parte de sua vida sob os holofotes — desde o sucesso como estrela infantil até papéis principais em séries de sucesso como Heroes e Nashville — mas também enfrentou dificuldades que acompanham as pressões da fama.

Panettiere apareceu em seu primeiro comercial aos 11 meses de idade. Sua mãe, Lesley Vogel, era atriz e trabalhou para que a filha seguisse o mesmo caminho.

Aos quatro anos de idade, Hayden já participava da novela americana One Life to Live, e aos oito anos integrou o elenco de outra novela, Guiding Light.

Seu talento natural para a atuação era evidente, mas a ascensão meteórica da carreira na infância teve um preço.

“Desde muito jovem, perdi a chance de ter uma infância normal, amigos, relacionamentos e minha privacidade”, escreveu Panettiere em sua reveladora autobiografia, This Is Me, publicada no início deste ano.

Ela contou ao Hollywood Reporter que foi “preparada” para ser atriz.

“Eu era como um soldadinho, e sempre fui. ‘Não’ nunca foi uma opção.”

Hayden Panettiere, com cerca de quatro anos de idade, sendo segurada e posando com três colegas adultos do elenco de "One Life to Live".

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Panettiere começou sua carreira como estrela infantil em programas como a novela One Life to Live

A carreira de Panettiere floresceu e logo ela conquistou papéis como a voz da Princesa Dot em Vida de Inseto, da Pixar, em 1998, tornando-se uma das mais jovens indicadas ao Grammy pelo álbum infantil que acompanhava a animação.

Ela atuou ao lado de Denzel Washington no drama sobre futebol americano Duelo de Titãs, em 2000; e teve papéis nas séries de TV Ally McBeal e no filme Um Presente para Helen, de 2004, com Kate Hudson.

Durante as filmagens de Deu Zebra! (2005), um filme infantil sobre uma zebra que pensa ser um cavalo de corrida, ela sofreu uma lesão nas costas ao cair de uma zebra e, “mais de 20 anos depois, essas lesões ainda me incomodam”, escreveu ela.

Ela também estrelou a comédia de líderes de torcida de 2006, As Apimentadas: Tudo ou Nada, o terceiro filme da série Teenagers: As Apimentadas.

Hayden Panettiere de braços cruzados, vestida de líder de torcida, ao lado de várias outras líderes de torcida em uma cena do filme Heroes.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, “Salve a líder de torcida, salve o mundo” era o slogan de Heroes

Ainda em 2006, ela alcançou um novo patamar de fama quando a série cult Heroes se tornou um grande sucesso.

Panettiere ficou conhecida pela atuação cativante e espirituosa no papel de Claire, uma líder de torcida que se regenerava caso sofresse danos físicos e que estava no centro da premissa da série: “salve a líder de torcida, salve o mundo”.

A atriz tinha 17 anos quando a série estreou, e a fama trouxe consigo novos níveis de atenção, incluindo a de uma multidão de paparazzi. Ela conta que os fotógrafos chegaram a chutá-la, dizendo coisas “horríveis” para tentar obter uma reação. Uma revista estampou uma foto sua com celulite.

“Sofri de dismorfia corporal durante anos por causa disso, acreditando que, não importa o quão forte, magra ou jovem eu fosse, não teria como escapar das temidas coxas com celulite.”

Em certo momento, ela recebeu uma “pílula da felicidade” de um assessor de imprensa para ajudá-la a se apresentar no tapete vermelho. Isso acabou sendo “a porta de entrada que me conduziu às benesses dos medicamentos e à ruína do vício”, disse ela.

Durante as filmagens de Heroes, Panettiere sugeriu que sua mãe deixasse de ser sua empresária. “Eu queria desesperadamente que ela fosse apenas minha mãe”, disse a atriz.

“Eu também não esperava a reação que tive, que foi: ‘Você me deve uma’. Foi tudo o que ela disse e foi embora.”

Hayden Panettiere com os braços erguidos comemorando ao lado de vários colegas de elenco.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Panettiere e seus colegas de elenco de Heroes receberam o prêmio de melhor série de TV no Spike TV Scream Awards de 2007

Aos 18 anos, Panettiere começou a namorar seu colega de elenco de Heroes, Milo Ventimiglia. Isso não a impediu de ser alvo de assédio sexual em Hollywood.

Em uma festa em 2008, um executivo de TV a beijou nos lábios — o que ela inicialmente considerou inofensivo, mas Ventimiglia disse a ela que foi “completamente inapropriado”.

Mais tarde, um homem que ela descreveu como “um ator e diretor vencedor do Oscar” teria cometido assédio. Ela conta que ele lhe contou que tinha chiclete na calça e, quando ela olhou para baixo, “os testículos desse ator respeitado e premiado estavam para fora do zíper aberto”.

E em outra ocasião, alguém que ela considerava amiga tentou convencê-la a dormir com um “famoso cantor e compositor britânico na casa dos trinta” enquanto estavam em um iate.

“Meu corpo já não me parecia mais meu”, escreveu Panettiere. “O choque foi tão grande que nem me passou pela cabeça dizer não.” Ela conseguiu, no entanto, sair da cama e correr para fora do quarto.

Hayden Panettiere e Wladimir Klitschko

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Panettiere teve uma filha com o ex-campeão mundial de boxe na categoria peso-pesado, Wladimir Klitschko

Panettiere conheceu o campeão ucraniano de boxe Wladimir Klitschko em uma festa em Los Angeles quando tinha 19 anos e eles começaram um relacionamento. Ele era 13 anos mais velho que ela, e eles tiveram uma filha cinco anos depois.

Após o parto, ela foi duramente atingida pela depressão pós-parto.

“Felizmente, nunca senti hostilidade ou negatividade em relação à minha filha, mas não conseguia me conectar com ela da maneira que sabia que deveria, e estava constantemente estressada e ansiosa”, disse ela ao podcaster Jay Shetty.

Ela estava bebendo muito. “O que eu fazia para reprimir essas emoções não era normal nem saudável.”

Klitschko ajudou a conseguir tratamento para ela, mas quando a filha tinha três anos, ele disse a Panettiere que estava preocupado com a menina quando ela estava com a mãe por causa da bebida, e pediu que ela transferisse a guarda para ele.

Panettiere reagiu com raiva e considerou uma batalha judicial para ficar com a filha, mas acabou concordando porque aceitou que sua filha Kaya “precisava se sentir em paz, não apenas fisicamente, mas também mental e emocionalmente”.

Ela escreveu: “Não estar sob o mesmo teto que ela todos os dias tem sido a experiência mais dolorosa da minha vida, e é difícil descrever as camadas de emoção, incluindo tristeza, ressentimento e raiva que senti por causa disso…”

“Sinto muita tristeza por não ser a mãe que pensei que seria, e definitivamente não a mãe que quero ser. Acredite em mim, ninguém deveria ter que criar um filho por videochamada.”

Ela continuou presente na vida da filha e acrescentou em sua autobiografia recente que “apesar de tudo, o vínculo que tenho com Kaya é incrivelmente forte”.

Hayden Panettiere sentada ao lado de Charles Esten, ambos segurando microfones em uma sessão de perguntas e respostas e rindo bastante.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Panettiere fotografada com o colega de elenco de Nashville, Charles Esten, durante a promoção da série em 2017

Ao mesmo tempo, Panettiere era elogiada por interpretar a problemática cantora country Juliette Barnes no drama televisivo Nashville, que lhe rendeu duas indicações ao Globo de Ouro durante seus seis anos de exibição.

Um crítico, no jornal Metro, escreveu: “Uma personagem que poderia ser o maior estereótipo de todos os tempos, graças à atuação digna de prêmios de Panettiere, tornou-se o coração de Nashville, uma personagem verossímil, imperfeita, nem sempre fácil de gostar e claramente produto de sua infância traumática.”

A distinção entre a atriz e sua personagem, no entanto, tornou-se tênue.

“Quando comecei a trabalhar em Nashville, pensei: ‘Bem, é apenas uma coincidência que nossas vidas tenham tantas semelhanças'”, disse ela.

“E então, com o passar dos anos, os episódios continuaram, e tudo começou a se encaixar – desde com quem Juliette Barnes estava namorando, até ser alcoólatra, ter depressão pós-parto, perder o filho, basicamente abandoná-lo — era como, OK, vocês estão apenas copiando a minha vida.”

Além de ser perturbador, para Panettiere foi traumático encenar coisas tão semelhantes à sua vida real. “Mergulhei de cabeça no meu próprio inferno”, escreveu ela.

“Eu sofria de ansiedade debilitante e um vício do qual não conseguia me livrar, e tive que passar por isso duas vezes. Primeiro em casa, como Hayden, e depois diante de milhões de pessoas, como Juliette.”

Hayden Panettiere sentada em um sofá branco de um estúdio de TV, conversando com o apresentador com uma imagem de seu livro ao fundo.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Panettiere publicou em maio uma autobiografia

Pouco antes do fim das filmagens de Nashville, ela conheceu um novo namorado, Brian Hickerson. Mais tarde, ele se tornou violento, com Panettiere dizendo que ele batia sua cabeça contra a parede e, em uma ocasião, a espancou tanto no rosto que “não saí de casa por semanas”.

Em 2021, ele foi preso após se declarar inocente das acusações de violência doméstica.

Ela sofreu outro grande trauma pessoal em 2023, quando seu irmão mais novo, Jansen, faleceu, supostamente devido a um problema no coração.

Aos 36 anos, Panettiere enfrentou mais dificuldades do que a maioria das pessoas e tentou lidar com elas escrevendo um livro, que foi publicado em maio.

“Sempre me esforcei para ser uma pessoa positiva, mas lamento todas as horas que perdi para o vício, meus relacionamentos desfeitos e meus entes queridos que não estão mais aqui”, explicou ela. “Também sei que não estou sozinha quando digo que o fato de minha família ter se desfeito ainda dói.”

“Passei anos em tratamento tentando entender essas perdas e cheguei à conclusão de que a única coisa que posso mudar sou eu mesma e a pessoa que quero ser.”

“Se ao menos fosse fácil.”

Ela concluiu dizendo aos leitores que havia aceitado seu passado e que tinha esperança no futuro, tendo aprendido a “caminhar de mãos dadas com meus triunfos e minhas tragédias, porque eles me fizeram quem eu sou”.



Fonte.:BBC NEWS BRASIL

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