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19 de agosto de 2026

Trump tem pior aprovação e não muda de rumo – 19/08/2026 – Mundo

Trump tem pior aprovação e não muda de rumo – 19/08/2026 – Mundo

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Após uma série de pesquisas de opinião desfavoráveis, o presidente Donald Trump simplesmente disse que elas não eram verdadeiras. “MEUS NÚMEROS REAIS NAS PESQUISAS SÃO OS MAIS ALTOS QUE JÁ FORAM”, escreveu ele nas redes sociais, usando letras maiúsculas como se elas pudessem abafar qualquer dado contrário.

Na verdade, em algumas pesquisas apartidárias, seus números reais estão nos níveis mais baixos já registrados ou próximos disso. Uma enxurrada de novos levantamentos feitos nos últimos dias constatou que Trump está no ponto mais baixo de sua Presidência, com o apoio de cerca de um terço dos americanos, enquanto a guerra estagnada no Irã e os altos preços da gasolina cobram um preço político.

Os levantamentos mais recentes indicam que Trump é praticamente o presidente mais impopular a esta altura de um segundo mandato em toda a história das pesquisas, que remonta à década de 1940.

A única exceção não serviria de consolo para Trump: Richard Nixon tinha ainda menos apoio nesta fase de seu segundo mandato, mas, àquela altura, estava a poucos dias de renunciar por causa do escândalo de Watergate.

Números como esses colocariam uma “Casa Branca normal” em modo de pânico, especialmente a apenas três meses de uma eleição de meio de mandato. Alguém poderia ser demitido. Um discurso poderia ser escrito. Um novo conjunto de políticas poderia ser elaborado.

Mas Trump nunca foi um presidente normal e não reage às circunstâncias políticas da mesma forma que seus antecessores. Graças à força de vontade e ao controle sobre sua base Maga (faça a América grande de novo), tradicionalmente tem conseguido jogar com firmeza mesmo tendo uma mão fraca.

“Ele sempre vai projetar força, independentemente de quais sejam os números, e vai dizer que eles são falsos de qualquer maneira”, disse Douglas Heye, um estrategista republicano de longa data, acrescentando que não esperava nenhuma mudança na estratégia política. “A menos que ele comece a gritar e atire alguma coisa em um funcionário, é só isso.”

É claro que é difícil corrigir o rumo quando não está inteiramente claro qual era o rumo desde o começo. Presidente mais impulsivo dos tempos modernos, Trump segue seus instintos e pode mudar completamente de posição de um dia para o outro —ou, às vezes, de uma hora para outra.

Isso funcionou suficientemente bem para ele a ponto de dominar a política americana por mais de uma década. Embora tenha obtido a maior parcela dos votos em 2024, Trump nunca conquistou a maioria do voto popular em nenhuma de suas três eleições nem contou com o apoio da maioria nas pesquisas Gallup em qualquer momento de seus dois mandatos. Ainda assim, governou como se fosse um presidente mais popular.

Mesmo assim, os números mais recentes são particularmente sombrios e têm deixado os republicanos cada vez mais alarmados, enquanto temem uma onda democrata que poderia lhes custar a Câmara dos Representantes e, possivelmente, até o Senado em novembro.

Trump tem o apoio de apenas 34% dos americanos em uma pesquisa recente da CNN, igualando seu pior resultado, registrado logo após o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Sua aprovação foi de apenas 33% em uma pesquisa da AP-NORC, empatando com o nível mais baixo desde 2017, e de 32% nos dados da Universidade Quinnipiac, um recorde negativo nesse levantamento.

Em comparação, nesta mesma altura de seus segundos mandatos, Bill Clinton tinha 64% de aprovação, Ronald Reagan registrava 61%, e Dwight Eisenhower, 58%, segundo pesquisas históricas do Gallup.

Entre aqueles que estavam com índices de aprovação inferiores aos de desaprovação estavam Barack Obama, com 43%, Harry Truman, com 39%, e George W. Bush, com 37% — todos os três posteriormente viram seu partido perder cadeiras nas eleições de meio de mandato realizadas alguns meses depois. Nixon, à beira da renúncia enquanto enfrentava um processo de impeachment, tinha 24% naquele momento.

O desafio para Trump e para os republicanos é que o presidente está em desvantagem em praticamente todas as questões, inclusive em áreas nas quais historicamente era mais forte, como a economia e a imigração.

Quanto à guerra no Irã, ela já era a única guerra dos EUA, em toda a história das pesquisas, à qual a maioria dos americanos se opunha desde o início —e o apoio que havia despencou ainda mais, com os eleitores agora se posicionando contra ela na proporção de 2 para 1.

Além disso, a preocupação dos republicanos não é apenas que os eleitores desaprovem a forma como Trump conduz a Presidência, mas que a desaprovem fortemente, o que sugere que estariam mais motivados do que os fiéis ao mandatário a comparecer às urnas neste segundo semestre.

“Essas pessoas vão votar”, disse Douglas Sosnik, que foi diretor político da Casa Branca e assessor sênior de Clinton. “E os republicanos que não fazem parte do Maga não estão motivados a comparecer.”

Dito isso, a política não é mais como era. A maneira como os distritos da Câmara são delimitados atualmente significa que há menos distritos realmente competitivos, o que sugere que até mesmo uma forte onda democrata talvez não produza tantas novas cadeiras quanto poderia ter produzido no passado.

Isso foi reforçado ainda mais por uma onda de redistribuição dos distritos eleitorais ocorrida nos últimos meses.

Kristen Soltis Anderson, uma pesquisadora de opinião pública republicana, afirmou que a polarização política significa que “a aprovação do trabalho do presidente oscila hoje dentro de uma faixa estreita”, em comparação com o passado.

“Uma aprovação na casa dos 40% ou até mesmo no fim dos 30% não é a catástrofe política que teria sido duas ou três décadas atrás”, disse ela. “Os presidentes mal começam com 50% de aprovação para início de conversa.”

“Mas”, acrescentou, “índices na casa dos 30%, se forem precisos, significam que partes da coalizão começaram a se afastar”. “Nesse ponto, você não está apenas perdendo os eleitores indecisos.”

Trump precisa contar com a possibilidade de a oposição desperdiçar sua vantagem. “A melhor coisa que os republicanos têm a seu favor é que o Partido Democrata enfrenta seus próprios problemas e não tem uma mensagem clara além de ‘Trump é ruim’”, disse ela. “No entanto, se o cenário realmente continuar tão sombrio, isso pode ser suficiente.”

Procurada, a Casa Branca não comentou as pesquisas sobre o presidente, mas exaltou seu histórico. “Nenhum outro presidente da história fez mais pelos americanos trabalhadores do que o presidente Trump, que está trabalhando incansavelmente para criar empregos, reduzir a inflação, aumentar a acessibilidade à moradia e muito mais”, disse Davis Ingle, porta-voz da Casa Branca.

“O presidente já alcançou avanços históricos não apenas nos EUA, mas em todo o mundo, e isso é apenas o começo, à medida que sua agenda continua produzindo efeitos.”

O próprio Trump deixou claro que enxerga uma realidade diferente daquela observada pela maioria dos pesquisadores de opinião independentes e estrategistas políticos de ambos os partidos —e que desconfia de resultados que não lhe sejam favoráveis.

“As pesquisas são muito desonestas, assim como muitos repórteres”, disse ele a jornalistas na cúpula do G7, na França, em junho.

Analistas políticos já deram Trump como acabado antes, apenas para vê-lo sobreviver ao tipo de controvérsia e de números nas pesquisas que paralisaria outros políticos. Ele parece não se incomodar com os apelos de republicanos que querem que ponha fim à guerra no Irã e se concentre mais no custo de vida. Em vez disso, dedica-se a projetos de legado, como um novo salão de festas na Casa Branca e um Arco do Triunfo, por mais que as pesquisas indiquem que os eleitores não estão tão entusiasmados.

“Ele segue a filosofia YOLO”, disse Heye, usando a sigla em inglês para “só se vive uma vez”. “Ele não fica lá pensando: ‘Puxa, meus poderes estão enfraquecidos por causa disso’. Isso ajuda a explicar por que foi reeleito e por que é imune a alguns escândalos.”



Fonte.:Folha de S.Paulo

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