Sob um fiorde norueguês, o túnel rodoviário Ryfylke desce até 292 metros abaixo do nível do mar antes de voltar à superfície. Com 14,4 km de extensão, ele liga Hundvåg a Solbakk em dois tubos separados e integra o sistema Ryfast, criado para substituir travessias por balsa e manter uma ligação rodoviária contínua.
Como esse túnel rodoviário consegue atravessar por baixo do fiorde?
O Ryfylke Tunnel passa sob o Horgefjord, no condado de Rogaland, conectando a ilha de Hundvåg à região de Solbakk. Em vez de cruzar a água por uma ponte, a estrada desce pela rocha até atingir seu ponto mais profundo e depois sobe novamente.
Essa geometria cria uma travessia de 14,4 km inteiramente protegida dentro do maciço rochoso. Os acessos ficam em lados opostos do fiorde, e a estrada precisa vencer uma grande diferença de nível de maneira gradual, mantendo inclinações compatíveis com automóveis e veículos pesados.

Por que a estrada chega a 292 metros abaixo do nível do mar?
A profundidade não significa que os carros circulem sobre o fundo marinho. O túnel foi escavado em rocha abaixo do fiorde, deixando uma camada de terreno entre a galeria e a água. O traçado precisa mergulhar o suficiente para encontrar condições adequadas e atravessar com segurança sob o canal.
Os números da travessia ajudam a mostrar a escala da solução:
- 14,4 km: é o comprimento informado para o Ryfylke Tunnel na abertura da ligação.
- 292 metros: é a profundidade máxima abaixo do nível do mar.
- Dois tubos: cada sentido de tráfego possui sua própria galeria subterrânea.
- 30 de dezembro de 2019: foi a data em que o túnel abriu ao tráfego.
O que mudou quando o Ryfast substituiu as balsas?
O Statens vegvesen informa que o sistema substituiu duas ligações nacionais por balsa entre Ryfylke e Nord-Jæren. Isso transformou um deslocamento condicionado por embarque e horários em uma conexão rodoviária permanente entre as duas regiões.
O Ryfylke Tunnel é apenas uma parte do conjunto. Ryfast também inclui o Hundvåg Tunnel, que conduz o fluxo até Stavanger, e se articula com o Eiganes Tunnel. O resultado é uma rede subterrânea integrada, não simplesmente um único furo longo construído sob a água.
Como dois tubos separados aumentam a segurança da travessia?
A empresa responsável por parte da obra, a AF Gruppen, descreve a construção em dois tubos como uma decisão ligada à segurança. Cada direção fica fisicamente separada, reduzindo conflitos frontais e oferecendo uma galeria paralela em um sistema subterrâneo muito profundo.
Essa configuração também permite organizar rotas de emergência entre os tubos e controlar melhor eventos em uma das pistas. Em uma estrutura que desce quase 300 metros abaixo do nível do mar, a separação dos sentidos faz parte do projeto de operação, não apenas da capacidade de tráfego.

O que torna o Ryfylke diferente de um túnel comum de montanha?
Em um túnel de montanha tradicional, os portais ficam em terra e a rocha acima pode atingir grande espessura, mas não existe um fiorde sobre o percurso. No Ryfylke, a combinação de água, profundidade e extensão obriga a estrada a descer muito antes de cruzar o trecho central.
A solução transforma uma barreira marítima em estrada contínua sem erguer pilares sobre o fiorde. Seus 292 metros de profundidade mostram o preço geométrico dessa escolha: para passar por baixo da água com rocha suficiente acima, os carros precisam primeiro mergulhar pela montanha e depois recuperar toda a altitude perdida.
Fonte. MG.Superesportes


