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20 de agosto de 2026

Europa: mudança climática pode triplicar área de incêndios – 20/08/2026 – Ambiente

Europa: mudança climática pode triplicar área de incêndios – 20/08/2026 – Ambiente

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Incêndios florestais na Europa estão mais intensos nesta temporada devido à mudança climática. Fala-se muito em adaptação, mas pouco em conter emissões, raiz do problema. Se nada for feito contra o aquecimento global, a ampliação da área queimada no continente pode quase triplicar no fim deste século.

A conclusão pessimista está em artigo publicado nesta quinta-feira (20) no periódico Global Change Biology. Em um cenário de 3,6°C de temperatura global acima dos níveis pré-industriais, a área anual queimada no continente alcançaria um incremento de 192%.

Sob um cenário mais controlado, de 1,8°C de aquecimento, em linha com o preconizado pelo Acordo de Paris, a ampliação da destruição florestal se limitaria a 39%.

Em outra conclusão, mais otimista, o estudo calcula os efeitos positivos do investimento contínuo no manejo dos incêndios. No pior cenário, evoluir continuamente na prevenção do problema teria potencial para deter 72% da área queimada. Com um aquecimento dentro da meta, o trabalho de prevenção chegaria a 92%, quase neutralizando a questão.

“Esse é o lado bom da história: investimentos contínuos em medidas climáticas e na prevenção e combate a incêndios florestais podem ajudar até certo ponto”, afirma à Folha Maik Billing, do Instituto Potsdam de Pesquisa Climática (PIK, na sigla em alemão), autor principal do estudo.

“Porém, se não tomarmos medidas de mitigação das mudanças climáticas, teremos cada vez mais eventos extremos no futuro, e isso poderá limitar o gerenciamento de incêndios de maneira geral”, diz o cientista.

O estudo, que tem a participação de especialistas da Sociedade Senckenberg de Pesquisa da Natureza, de Frankfurt, integra o projeto FirEUrisk, consórcio de instituições europeias voltado para a elaboração de estratégias de enfrentamento aos incêndios florestais.

O esforço tem dado resultado. Segundo pesquisas, o número de focos de queimadas vem diminuindo nas últimas décadas no continente. O fogo, no entanto, está ficando mais intenso e difícil de controlar. O Índice Meteorológico de Incêndio (FWI, na sigla em inglês), variável que reflete o risco de sua ocorrência ao congregar dados como temperatura, precipitação, ventos e umidade do material vegetal combustível, aumentou 50% em áreas da Península Ibérica e da França nas últimas décadas.

“O que observamos nas simulações é que as condições climáticas propícias a incêndios estão se aproximando cada vez mais da Europa Central. E, nessa região, o período do ano em que os incêndios podem ocorrer está se tornando mais longo e, no geral, com intensidade mais elevada. Isso explica grande parte do aumento da atividade de incêndios florestais também em nosso estudo”, explica Billing.

Ainda que estime o crescimento da área queimada no continente, a análise não pode ser usada para afirmar que grandes centros urbanos europeus estão sob risco no futuro —neste verão, incêndios intensos ocorreram nas cercanias de cidades como Paris, Bordeaux e Madri. “Isso pode ser um tema interessante para um trabalho futuro.”

O estudo inclui, por outro lado, os efeitos da oscilação climática repentina, percebida nesta temporada em diversas regiões: condições de chuva no fim do inverno seguidas por forte seca na primavera, estimulando a produção de material combustível. Um fenômeno que torna os exercícios de prevenção e adaptação ainda mais complexos e, por isso mesmo, insuficientes.

Mais um legado do aquecimento global, provocado sobretudo pela queima de petróleo, carvão e gás. A despeito disso, por contingência ou razões políticas, as emissões globais de gases de efeito estufa foram recorde em 2025 e nada indica que o caminho será diferente neste ano.

Nem eventos como as sucessivas ondas de calor e os incêndios recordes na França trazem a discussão para a causa primordial do problema. Com 550 mil hectares queimados até a semana passada na União Europeia, área duas vezes e meia maior do que a média até esta época do ano, os debates ficam, em geral, presos às questões imediatas de adaptação.

“A mitigação das mudanças climáticas está, na verdade, ficando em segundo plano. Este estudo realmente destaca como ela é importante”, afirma Billing.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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