O Rio, que até antes da pandemia tinha um cenário de café especial bastante restrito, agora vê a bebida ganhar espaço em padarias, restaurantes e bares –tanto na carta de bebidas quanto como ingrediente de pratos e coquetéis.
O movimento, que ocorre há algum tempo em São Paulo, é sinal de que o mercado deixou de ser nichado.
Até poucos anos atrás, era missão difícil achar bom café no Rio. É claro que existem casas pioneiras, como o Café ao Léu –que serve bebidas de qualidade há anos em uma portinha de Copacabana– e a Coffee Five –do barista multicampeão Emerson Nascimento.
Após a pandemia, começaram a surgir várias cafeterias especializadas. Hoje há dezenas delas, ainda que fiquem muito concentradas na zona sul.
Agora, os restaurantes começam a incorporar os cafés de qualidade aos seus cardápios. O Nimbus, em Botafogo –bairro que se tornou reduto gastronômico–, encerra a refeição com coado preparado com grãos da torrefação Vanguarda do Café.
A casa comandada pelo chef britânico Jimmy McLennan e pela sommelière Ruth de Assis também usa o grão como ingrediente. Um dos pratos do menu-degustação leva uma cenoura assada com café em grãos inteiros. O preparo confere um aroma muito suave ao prato —algo incomum, já que o café costuma se sobressair e ofuscar outros sabores devido à sua intensidade.
Outro exemplo de uso comedido ocorre no São Miguel, novo megaempreendimento do restaurateur Marcelo Torres. O prato que dá nome à casa —o filé São Miguel— traz um molho à base de creme de leite que leva café espresso. A bebida passa quase despercebida, mas deixa o molho com notas levemente tostadas e defumadas, sem remeter diretamente ao sabor do grão.
No bar, um dos drinques mais pedidos é uma releitura do espresso martini. A taça leva uma camada de espuma de doce de leite, o que ajuda a equilibrar a intensidade do café.
O restaurante encerra a refeição com espresso da Nolita Roastery, torrefação do mesmo grupo. A marca, aliás, mantém um restaurante e cafeteria com 3.500 m² e 450 lugares na Barra da Tijuca, onde um torrador instalado no meio do salão permite que o público assista ao processo. Os grãos ali torrados abastecem todos os estabelecimentos do grupo BestFork, que inclui casas como Giuseppe e Xian.
Enquanto o café especial ganha as mesas e os balcões cariocas, uma tendência global que nunca decolou no Rio foram as “coffee parties” —festas diurnas em cafeterias que ganharam popularidade em cidades como São Paulo. Também pudera. A concorrência é desleal: o iced coffee na cafeteria não tem vez diante de um mate com limão na praia de Copacabana.
Onde tomar e “comer” bons cafés no Rio além das cafeterias:
- The Slow Bakery – padaria com ótimos coados
- Nimbus – no prato e no coado ao fim da refeição
- Restaurante São Miguel – no filé São Miguel e no espresso
- Càm O’n – Thai Food – boa versão do Egg Coffee vietnamita
- Iná Cozinha do Brasil – grãos rotativos no espresso
- Nolita Roastery – diferentes métodos em restaurante/cafeteria
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Fonte.:Folha de São Paulo


