
Crédito, EPA/AP
- Author, Bernd Debusmann Jr e Courtney Subramanian
- Role, Da BBC News em Washington
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelou a proteção do Serviço Secreto para Kamala Harris, que havia sido estendida por Joe Biden antes de deixar o cargo, segundo um de seus assessores.
Como ex-vice-presidente, Harris tinha direito, por lei, a receber seis meses de segurança após deixar o cargo em janeiro, período que venceria em julho.
Sua proteção havia sido silenciosamente prorrogada por mais um ano por uma diretriz assinada por seu ex-chefe, mas foi revogada por Trump em um memorando datado desta quinta-feira (28/8), segundo o documento visto pela BBC.
A decisão ocorre pouco antes de Harris iniciar uma turnê nacional de divulgação do livro 107 Days (107 Dias, em português) — uma memória de sua breve e, em última análise, malsucedida campanha presidencial de 2024.

Crédito, REUTERS/Kevin Lamarque/File Photo
‘Nada alarmante’
Uma cópia de uma carta datada de 28 de agosto, vista pela BBC, instrui o Serviço Secreto a “descontinuar quaisquer procedimentos relacionados à segurança previamente autorizados por Memorando Executivo, além dos exigidos por lei”, para Harris a partir de 1º de setembro.
Um alto funcionário da Casa Branca confirmou a medida.
Fontes familiarizadas com a situação disseram à CBS, parceira da BBC nos EUA, que uma avaliação recente de ameaças não encontrou nada alarmante que justificasse a extensão da proteção além do período de seis meses garantido por lei.
Em 2008, o Congresso dos EUA promulgou uma lei permitindo que o Serviço Secreto fornecesse proteção a ex-vice-presidentes, seus cônjuges e quaisquer filhos menores de 16 anos após deixarem o cargo.
Já se passaram pouco mais de sete meses desde que Harris deixou o cargo no fim do governo Joe Biden, em janeiro.
O marido de Harris, Doug Emhoff, teve sua própria proteção encerrada em 1º de julho, ao fim do período previsto em lei.
Harris perderá os agentes designados para protegê-la e proteger sua residência em Los Angeles, além da inteligência preventiva de ameaças, voltada a identificar e neutralizar possíveis riscos.
O custo de proteções semelhantes, se financiadas de forma privada, poderia chegar a milhões de dólares por ano.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, e a prefeita de Los Angeles, Karen Bass, manifestaram indignação com o anúncio.
“Este é mais um ato de vingança, seguindo uma longa lista de retaliações políticas em forma de demissões, revogação de autorizações de segurança e mais”, disse Bass à CNN, primeira a noticiar o caso.
A prefeita de Los Angeles afirmou que isso coloca Harris em risco e garantiu que cuidaria para que ela estivesse segura na cidade.
Desde que voltou à Casa Branca em janeiro, Trump revogou proteções do Serviço Secreto de várias pessoas, incluindo Hunter e Ashley Biden, filhos do ex-presidente, e Anthony Fauci, ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas.
Diversos ex-integrantes do governo Trump e aliados também tiveram suas proteções revogadas, entre eles o ex-secretário de Estado Mike Pompeo e John Bolton, ex-assessor de segurança nacional que se tornou crítico declarado.
Harris enfrentou diversas ameaças à segurança durante seu período no cargo, e ex-funcionários do Serviço Secreto afirmaram que os riscos foram ampliados pelo fato de ela ser a primeira mulher e a primeira pessoa negra a ocupar a vice-presidência.
Em agosto de 2024, por exemplo, um homem da Virgínia foi acusado de fazer ameaças online de matar, sequestrar ou ferir Harris e o ex-presidente Barack Obama.
Em um incidente anterior, em 2021, uma mulher de 39 anos da Flórida se declarou culpada de ameaças contra Harris, após admitir que enviou vídeos ao marido preso em que exibia armas e dizia que um “ataque” poderia ser executado em até 50 dias.
Trump enfrentou duas tentativas de assassinato durante a campanha presidencial do ano passado, nas quais o Serviço Secreto foi creditado por desempenhar um papel fundamental.
Fonte.:BBC NEWS BRASIL