Mulheres negras realizaram um feito histórico colocando 300 mil pessoas nas ruas da capital federal na Marcha por Reparação e Bem-Viver. A atividade reuniu gente de todas as regiões do Brasil e de outros 37 países. Foi “a maior mobilização política de mulheres negras que o mundo já viu”, segundo os organizadores.
De fato, não se mobiliza 300 mil mulheres (brasileiras e estrangeiras) da noite para o dia. É preciso muita articulação para garantir o êxito (apesar de alguns percalços) de uma empreitada dessa dimensão. No caso, foram cerca de três anos de atuação coletiva (em diversos comitês estaduais, regionais, nacional e global) que resultaram em 11 reivindicações concretas.
Entre as demandas, estão a defesa da educação pública, o enfrentamento ao racismo, a implementação de políticas reais de reparação das desigualdades decorrentes da escravização negra, o incentivo e o subsídio à criação de centros de memória e cultura afro em todas as unidades da federação.
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Em que pesem as persistentes disparidades de gênero e de raça, é importante referir o atual engajamento do sistema de Justiça na luta antirracista. Nos últimos anos, foram tomadas decisões pela constitucionalidade das cotas raciais, criação do Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial, do Pacto Nacional pela Equidade Racial do Poder Judiciário e do Painel de Monitoramento da Justiça Racial. Na semana em que milhares de pretas e pardas marcharam na Esplanada dos Ministérios, a maioria dos ministros do STF reconheceu a ocorrência de violações sistêmicas dos direitos da população negra do país.
É válido referir a coincidência (ou será ironia?) do destino que fez com que o início do cumprimento da pena do ex-presidente Bolsonaro —liderança autodeclarada racista e machista—, condenado por crimes relacionados a uma tentativa de golpe de Estado, ocorresse na data da realização de uma manifestação política plural e democrática organizada por mulheres negras. O tempo parece ser mesmo senhor da razão.
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Fonte.:Folha de S.Paulo


