9:51 AM
1 de janeiro de 2026

Setor bancário unifica discurso em defesa do BC – 01/01/2026 – Economia

Setor bancário unifica discurso em defesa do BC – 01/01/2026 – Economia

PUBLICIDADE


Bancos grandes e médios, além de fintechs e instituições financeiras, se alinharam, apesar de diferenças na atuação de mercado e com o Banco Central, para apoiar o órgão regulador no caso Master.

Com o risco de o STF (Supremo Tribunal Federal) e do TCU (Tribunal de Contas da União) colocar em xeque a liquidação do banco de Daniel Vorcaro, as maiores associações do setor, que representam juntas 244 instituições financeiras, se uniram para divulgar uma sequência de notas com alertas para os riscos à economia brasileira de um enfraquecimento do BC com uma eventual reversão de suas decisões técnicas.

A ação conjunta, inimaginável há menos de um mês, marca uma mudança na relação ruidosa que se estabeleceu entre a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e as fintechs, em especial o Nubank.

É uma tentativa de colocar um freio de arrumação numa disputa que teve como gatilho, no passado, o crescimento acelerado do Master com uma política agressiva de venda de CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) e compra de ativos de pouca ou nenhuma liquidez.

O Master se notabilizou por vender CDBs prometendo uma remuneração acima da praticada no mercado, oferecendo o seguro do FGC como propaganda. Em caso de quebra de um banco, o FGC cobre investimentos de até R$ 250 mil por CPF.

O fundo é rateado por todo o sistema bancário mas, em pouco tempo, passou a ser predominantemente comprometido pelos CDBs do Master devido à estratégia comercial adotada pelo banco.

A liquidação do banco, determinada pelo BC em novembro, levou à maior perda da história do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que agora terá que honrar os CDBs vendidos.

Além da publicação das notas, representantes das instituições financeiras fizeram uma movimentação intensa junto a autoridades mais influentes de Brasília, incluindo as do STF e TCU, segundo pessoas ouvidas pela Folha.

Apesar das críticas ao BC —que na avaliação de alguns dos CEOs dos maiores bancos do Brasil demorou para agir para conter o Master—, pesa neste momento para a construção de um discurso único o risco maior para a regulação bancária no Brasil.

O risco avaliado é que outros atores institucionais possam invalidar o mérito técnico das decisões do BC, rompendo um dos alicerces fundamentais do sistema financeiro. Ou seja, abrir caminho para que outras decisões regulatórias sejam questionadas, inclusive sob influência de interesses políticos.

Um executivo de banco resumiu o quadro: “é um olhar para o futuro e uma questão de sobrevivência da estabilidade regulatória”.

Isso não significa, destacou, que as arestas estejam aparadas e que não haja divergências entre as instituições financeiras em relação à velocidade e o tamanho do aperto que será necessário das regras regulatórias após a quebra do Master, inclusive da forma de recomposição das reservas do FGC, que perderão R$ 41 bilhões para honrar os investidores do banco.

Outro dirigente do setor afirmou que a defesa do regulador neste momento de alta tensão seria defender a própria indústria.

A primeira associação a divulgar uma nota foi a ABBC (Associação Brasileira de Bancos), depois que ministro do TCU Jonathan de Jesus atendeu a um pedido do Ministério Público de Contas e da liderança da minoria na Câmara dos Deputados para que o BC explicasse em 72 horas a sua decisão de liquidar o Master.

No dia 27, Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito), Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Zetta (Associação que representa empresas do setor financeiro e de meios de pagamentos), além da ABBC, se manifestaram em defesa da autoridade monetária.

Em nota separada, a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) também defendeu a autonomia e a independência do Banco Central.

O histórico de queixas dos grandes bancos à atuação do Master remete a uma série de encontros dos CEOs dos cinco maiores bancos do país com o então presidente do BC, Roberto Campos Neto. Eles cobravam o aperto das regras para o uso do FGC, justamente para conter o Master. As mudanças aprovadas depois pelo órgão, já sob a gestão de Gabriel Galipolo, foram consideradas tímidas e insuficientes.

Do lado dos bancos menores e das fintechs, a preocupação era viabilizar e impedir o retrocesso da agenda de inovação e aumento da concorrência – posição que também foi defendida por Galípolo.

Como mostrou a Folha em abril deste ano, o anúncio da venda do Master para o BRB (Banco de Brasília) lançou luz sobre uma disputa entre dois banqueiros que atravessam momentos opostos em suas relações com a cúpula do poder em Brasília.

De um lado, Vorcaro, um novato ator do setor. E do outro lado, André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual, que se consolidou como um dos principais banqueiros do país desde o início da década de 1990 por um estilo arrojado de fazer negócios.



Fonte.:Folha de S.Paulo

Leia mais

Rolar para cima