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2 de janeiro de 2026

Será que você está usando repelente certo? Saiba qual escolher e como aplicar

Será que você está usando repelente certo? Saiba qual escolher e como aplicar

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Afastar mosquitos é, em geral, uma questão de conforto. Afinal, todo mundo quer evitar picadas, coceira e marcas na pele. No entanto, mais do que isso, desviar desses insetos é uma medida de proteção à saúde.

É que, como bem sabemos aqui no Brasil, algumas espécies transmitem doenças, como o Aedes aegypti, vetor da dengue, da chikungunya e da zika, e o e o Anopheles, transmissor da malária, chamado popularmente de “mosquito-prego”. Por isso, o uso de repelentes não é apenas opcional, especialmente no verão, quando esses animais se proliferam. Mas, diante de tantas marcas, fórmulas e receitas, surge a dúvida: qual realmente funciona?

No Brasil, os repelentes aprovados para uso tópico pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são aqueles que possuem os ativos DEET, icaridina (ou picaridina) ou IR3535.

Essas substâncias protegem não só contra o pernilongo comum (ou muriçoca), mas também afastam os insetos que transmitem doenças e mandam para longe carrapatos, moscas e mais.

+Leia também: Novo vetor da malária pode chegar ao Brasil e levar doença às cidades, alerta estudo

De adianto, explicamos que o DEET é o repelente mais antigo e amplamente estudado do mundo; a icaridina tem eficácia semelhante, com indícios de maior durabilidade contra o Aedes e menor risco de irritação da pele; e o IR3535 também é eficaz, mas protege por menos tempo, exigindo reaplicações mais frequentes, porém tem a vantagem de ser o mais seguro para bebês.

Mas qual deles é o melhor?

De acordo com especialistas, não dá para elencar exatamente qual deles funcionaria melhor. Isso porque todos são eficazes.

“Qualquer repelente que seja vendido comercialmente, aprovado pela Anvisa, vai funcionar contra a picada dos mosquitos”, explica o infectologista Kléber Luz, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

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No final das contas, o efeito depende, mais do que da potência do produto em si, do uso correto, devendo ser feita a reaplicação conforme intervalo sugerido nos rótulos de cada marca.

“Mesmo que o repelente ofereça proteção prolongada, é importante não cair na falsa sensação de segurança permanente”, alerta o virologista Fernando Spilki, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV).

Ainda assim, algumas análises já buscaram comparar os efeitos de cada ativo, colocando lado a lado características como a capacidade de repelir, tempo de duração da ação e espécies de insetos afastados.

Com isso, a escolha do produto pode considerar a concentração do princípio ativo, o tempo de exposição ao mosquito e as características individuais de quem vai utilizar o repelente.

A seguir, saiba o que a ciência diz sobre cada tipo:

DEET

DEET é a sigla para um nome que poucas pessoas se atrevem a pronunciar: N,N-dietil-3-metilbenzamida. Criada em 1953, essa substância sintética foi originalmente desenvolvida para uso militar e acabou se tornando o repelente mais utilizado no mundo.

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Efeitos: De acordo com análises da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), condensadas no documento Repelentes e outras medidas protetoras contra insetos na infância, as evidências científicas acumuladas ao longo das décadas mostram que ele é extremamente eficaz contra mosquitos dos gêneros Aedes — incluindo os vetores da dengue, zika e chikungunya —, Culex (o pernilongo/muriçoca comum), Mansonia e Anopheles (mosquito-prego, vetor da malária).

Duração e eficácia: Nas concentrações entre 10% e 35%, o DEET oferece proteção adequada contra picadas de insetos. Além disso, em geral, quanto maior a concentração, maior o tempo de ação. Fórmulas a 5% costumam proteger por uma a duas horas, enquanto versões mais próximas de 40% podem chegar a até dez horas de efeito.

O Ministério da Saúde alerta, no entanto, que, concentrações de 50% ou mais não aumentam o tempo de proteção.

Segurança: O uso por gestantes também é apontado como seguro. Estudos indicam que a substância não atravessa a placenta e, em mais de meio século de existência da substância, não foram descritos, por exemplo, transtornos do desenvolvimento em humanos ou animais relacionados ao DEET.

Icaridina

A icaridina, também chamada de picaridina, é um repelente sintético que ganhou muito espaço nos últimos anos.

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Efeitos: Ainda conforme avaliação da SBP, ela atua especialmente bem contra mosquitos da família Culicidae — grupo que inclui o Aedes aegypti — e contra o mosquito-prego. Estudos também mostram que a icaridina é eficaz contra mosquitos, moscas, carrapatos e até contra a Tunga penetrans, a pulga que causa o bicho-de-pé.

Duração e eficácia: Em testes comparativos, sua potência é semelhante à do DEET contra o vetor da malária, por exemplo, mas pode ser uma a duas vezes maior contra o mosquito da dengue.

Além disso, tudo indica que a substância é a que evapora mais lentamente, o que se traduz em proteção prolongada. A duração da Icaridina em concentração de 25% pode chegar a dez horas.

Segurança: Vale menção honrosa também ao fato de que ela praticamente não causa irritação na pele ou nos olhos e tem odor mais discreto, fatores que favorecem o uso contínuo.

IR3535

O IR3535 é um repelente sintético desenvolvido pela empresa Merck em 1975.

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Efeitos: Sua eficácia é comparável à do DEET contra o Aedes aegypti e diferentes espécies de pernilongos (Culex), embora seja menos efetivo contra o mosquito-prego. No entanto, o IR3535 demostrou maior eficácia e duração do que o DEET contra o mosquito-palha, transmissor da Leishmaniose.

Duração e eficácia: Testes sugerem que, em concentrações de 20%, oferece proteção contra os mosquitos da malária e da dengue por cerca de quatro a seis horas.

Segurança: Embora todos sejam considerados seguros para adultos e crianças a partir dos dois anos, o IR3535 é o único que pode ser usado pelos pequenos desde os seis meses de idade.

Quais repelentes crianças podem usar?

Como dito, de acordo com as normas da Anvisa, os três são considerados seguros para adultos, idosos e gestantes, desde que utilizadas conforme as orientações do fabricante. Já no uso infantil, existem restrições específicas.

Para bebês menores de seis meses, o consenso é não usar repelentes químicos e apostar em barreiras físicas, como telas, mosquiteiros e roupas que cubram braços e pernas.

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Para outras idades, a recomendação, conforme a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), é a seguinte:

CRIANÇAS DE 6 MESES A 2 ANOS

Podem usar repelentes que contenham:

  • IR3535
    Proteção de até 4 horas
    Aplicar apenas uma vez ao dia

CRIANÇAS DE 2 A 7 ANOS

Podem usar repelentes com:

  • IR3535
    Proteção de até 4 horas
    Aplicar até duas vezes ao dia
  • Icaridina 20% a 25%
    Proteção de até 10 horas
    Aplicar até duas vezes ao dia
  • DEET infantil (6% a 9%)
    Proteção de 4 a 6 horas
    Aplicar até duas vezes ao dia

CRIANÇAS A PARTIR DE 7 ANOS

São permitidos repelentes com:

  • IR3535
    Proteção de até 4 horas
    Aplicar até três vezes ao dia
  • Icaridina 20% a 25%
    Proteção de até 10 horas
    Aplicar até três vezes ao dia
  • DEET infantil (6% a 9%)
    Proteção de 4 a 6 horas
    Aplicar até três vezes ao dia

Repelentes naturais funcionam?

Como mostrado em reportagem de VEJA SAÚDE, segundo a Anvisa, receitas “naturais”, como as que levam ingredientes como cravo-da-índia, citronela e eucalipto, não possuem estudos robustos que comprovem sua eficácia como repelente. Por isso, não são aprovados para comercialização com esse fim.

De acordo com especialistas, ainda que algumas dessas substâncias possam integrar a fórmula de repelentes industriais eficazes, o problema é que, fora desse contexto, elas não passam por testes padronizados nem por processos de produção controlados. Ou seja, os resultados são incertos.

“Também já se observaram muitas fórmulas caseiras que, além de ineficazes, traziam efeitos tóxicos, tanto sistêmicos [no organismo inteiro], quanto para a pele”, alerta Spilki.

Repelentes para ambientes

Os produtos usados no ambiente para afastar ou eliminar mosquitos dentro de casa são classificados pela Anvisa como saneantes e se dividem em dois grandes grupos: inseticidas e repelentes.

Os inseticidas têm como objetivo matar os mosquitos adultos e costumam ser encontrados principalmente em sprays e aerossóis. Já os repelentes afastam os mosquitos do local. Estes últimos são vendidos, geralmente, na forma de espirais, líquidos ou pastilhas, usadas em aparelhos elétricos.

No caso dos repelentes de ambiente, existem dezenas de substâncias ativas aprovadas. Mas a maioria pertence à classe dos piretro­ides, inseticidas sintéticos inspirados em substâncias naturais encontradas em flores como o crisântemo.

Essas substâncias atuam no sistema nervoso dos insetos, provocando paralisia e morte rápida. Em doses menores, podem servir para apenas mantê-los longe.

Há riscos para a saúde?

Sim. A inalação dessas substâncias pode trazer prejuízos, especialmente quando o uso é inadequado.

Segundo estudos, a exposição repetida a piretroides e ao formaldeído — outra substância encontrada especialmente em repelentes espirais — pode aumentar o risco de doenças pulmonares, incluindo câncer de pulmão.

Repelentes utilizados em aparelhos elétricos ou espirais não devem ser usados em ambientes pouco ventilados, nem na presença de pessoas asmáticas ou com doenças respiratórias alérgicas.

De acordo com a Anvisa, esses produtos devem ser usados nos diferentes cômodos da casa respeitando uma distância mínima de dois metros das pessoas.

O que não funciona contra mosquitos no ambiente?

Não há provas de que repelentes ultrassônicos são eficazes. A ideia desses dispositivos é emitir sons imperceptíveis ao ouvido humano, que imitariam o bater de asas de predadores naturais dos mosquitos, afastando-os. Mas não há estudos que mostrem que isso realmente funciona.

O mesmo vale para armadilhas luminosas, geralmente com luz azul. Embora atraiam insetos, elas não previnem picadas, já que odores corporais e o gás carbônico liberado pelas pessoas costumam ser muito mais atrativos para os mosquitos do que a luz.

Resumindo, a Anvisa diz que equipamentos que emitem vibrações, CO₂ ou luz, assim como plantas sementes, entre outras técnicas que prometem atrair ou repelir mosquitos, não são considerados saneantes e, portanto, não passam por regularização da autarquia.

E velas ou incensos naturais de citronela?

Velas e incensos, inclusive os de citronela, só apresentam algum efeito quando usados por várias horas contínuas e antes da presença de pessoas no ambiente.

Mesmo assim, o efeito repelente é limitado e insuficiente para justificar seu uso isolado como estratégia de proteção.

“Elas criam um ambiente momentaneamente desfavorável ao mosquito, mas isso ocorre por pouco tempo e em uma área muito limitada”, explica Kléber.

Como aplicar repelente?

Como mostrado em reportagem de VEJA SAÚDE, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Dermatologia dão recomendações importantes para o uso seguro dos repelentes cosméticos.

Primeiro, o produto deve ser aplicado apenas nas áreas expostas da pele, nunca por baixo das roupas. Além disso, não é indicado ultrapassar três aplicações por dia, pois o uso excessivo pode causar intoxicação.

Ainda, ao combinar com hidratante ou protetor solar, é preciso aplicar primeiro esses produtos, aguardar a secagem e esperar cerca de 15 minutos antes de passar o repelente, que deve ser sempre o último.

Também é importante evitar o contato com olhos, nariz e boca e lavar bem as mãos após a aplicação. Em crianças, o repelente não deve ser aplicado nessa área, já que elas podem levar o produto à boca.

E ao fim do dia, antes de dormir, o ideal é tomar banho para remover completamente o produto da pele.

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Fonte.:Saúde Abril

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