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Introdução
O SUS inova no tratamento da osteoporose grave com o romosozumabe, um medicamento moderno para casos complexos. A matéria destaca a importância do diagnóstico precoce e de cuidados como cálcio, vitamina D e exercícios, reforçando o compromisso do SUS com a saúde óssea.
- Romosozumabe: O novo e moderno tratamento para osteoporose grave agora disponível no SUS.
- Mecanismo de ação único: O medicamento estimula a formação óssea, diferente dos tratamentos convencionais.
- Critérios de indicação no SUS: Saiba quem pode receber o romosozumabe, com foco em mulheres pós-menopausa.
- Diagnóstico precoce: A importância da densitometria óssea e radiografias para identificar a doença e fraturas silenciosas.
- Pilares do tratamento: Cálcio, vitamina D, exercícios físicos e prevenção de quedas são cruciais para a saúde óssea.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A osteoporose é uma doença silenciosa, mas extremamente grave, caracterizada pela diminuição da massa e densidade óssea, o que resulta em ossos frágeis e alta suscetibilidade a fraturas.
Estima-se que, mundialmente, ela afete mais de 200 milhões de pessoas, pouco menos que toda a população brasileira. Já no Brasil, a prevalência é alarmante: aproximadamente 50% das mulheres e 20% dos homens com idade igual ou superior a 50 anos sofrerão uma fratura devido à osteoporose ao longo da vida.
As consequências da osteoporose vão além da quebra do osso, incluindo dor crônica, deformidade, redução da mobilidade, piora da qualidade de vida e aumento da mortalidade.
A boa notícia é que o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibilizou um novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da osteoporose, que inclui o que há de mais moderno para o tratamento dos casos mais complexos.
Romosozumabe: o tratamento inovador agora no SUS
Para os casos mais desafiadores, o SUS agora oferece o romosozumabe. Este medicamento representa a mais moderna opção terapêutica disponível no sistema público para a osteoporose grave em todo o mundo.
O romosozumabe é um anticorpo monoclonal humanizado que atua de uma forma única: ele se liga e inibe a esclerostina, estimulando a formação óssea. Este mecanismo é diferente de todos os demais tratamentos disponíveis, que agem reduzindo a perda óssea. O resultado é o aumento da massa óssea e melhorias na estrutura e força do osso.
Para quem o romosozumabe é indicado no SUS?
Devido ao seu alto poder de ação, o romosozumabe é reservado para pacientes com risco extremamente elevado de fraturas. O SUS estabelece dois critérios rigorosos, ambos para mulheres no período pós-menopausa:
- Presença de duas ou mais fraturas de osteoporose durante o tratamento (neste caso não é necessária densitometria óssea);
- Perda de mais de 5% de densidade óssea após um ano de tratamento da osteoporose com outros agentes e ainda assim sofrer uma fratura.
O ponto de atenção aqui é que em muitos locais do Brasil não há aparelho de densitometria óssea. E naqueles locais que possuem, é frequente a pouca solicitação deste exame por parte dos médicos. Já a radiografia de coluna, apesar de ser pouco solicitada, é mais fácil de ser realizada, inclusive em áreas mais marginais, por ser mais barata e de tecnologia mais antiga.
Antes de iniciar o tratamento com romosozumabe é obrigatório avaliar e corrigir os níveis séricos de cálcio, pois o medicamento é contraindicado em pacientes com cálcio baixo. Além disso, o romosozumabe não deve ser iniciado em pacientes que sofreram infarto ou acidente vascular cerebral no ano anterior.
Ele é administrado por via subcutânea, uma vez por mês, e o tempo máximo de uso é de apenas um ano. Após esse período, o paciente deve iniciar imediatamente o tratamento com medicamentos como alendronato ou outras terapias para preservar o ganho de massa óssea e prevenir futuras fraturas.
O objetivo final de todo o tratamento é a redução da incidência de fraturas osteoporóticas vertebrais, não vertebrais e de quadril, e a diminuição das complicações decorrentes dessas fraturas.
A lista do SUS ainda inclui os seguintes tratamentos medicamentosos para prevenção de fraturas: ácido zoledrônico, alendronato de sódio, calcitonina, raloxifeno, estrógenos conjugados, pamidronato dissódico, risedronato sódico.
É preciso diagnosticar
Muitas vezes, a osteoporose avança sem sintomas claros até que ocorra a primeira fratura. O diagnóstico precoce é dificultado pela falta de rastreamento adequado e pela natureza insidiosa de algumas fraturas.
Embora o rastreamento populacional amplo com densitometria óssea não seja preconizado devido ao seu custo elevado, este exame fundamental é indicado para todas as mulheres com 65 anos ou mais e homens com 70 anos ou mais, ou na presença de fatores de risco.
Existe a crença de que toda fratura dói, mas muitas fraturas vertebrais — aquelas que ocorrem na coluna — são frequentemente assintomáticas. No entanto, essas fraturas silenciosas aumentam exponencialmente o risco de novas fraturas.
Para diagnosticar fraturas vertebrais, sintomáticas ou não, os exames de radiografia simples da coluna vertebral são cruciais. Os médicos devem solicitá-los em casos de diagnóstico de osteoporose e sempre que houver sintomas sugestivos, como dor aguda intensa ou crônica persistente ou perda de altura maior que 4 cm.
Fraturas recorrentes na coluna podem levar a uma piora na qualidade de vida e a uma deformidade na postura, popularmente conhecida como “corcunda” acentuada. E nestes casos, o diagnóstico de osteoporose se dá mesmo sem ter sido feita a densitometria óssea.
Além dos remédios
Independentemente do uso de medicamentos de ponta, o tratamento da osteoporose se baseia em medidas não medicamentosas e na suplementação nutricional:
- Suplementação de cálcio e vitamina D
O cálcio e a vitamina D são essenciais para a formação e manutenção da massa óssea e fazem parte do tratamento padrão. A ingestão recomendada de cálcio deve ser mantida entre 1.000 e 1.200 mg/dia, fracionada em doses de no máximo 500 mg por vez. Já a vitamina D deve ser ingerida em doses de 800 a 1.000 unidades ao dia, podendo chegar a 2.000 unidades em idosos. - Exercício físico
A atividade física é crucial. Ela reduz o risco de fraturas porque a força biomecânica exercida pelos músculos sobre os ossos aumenta a densidade óssea. Além disso, melhora o equilíbrio e ajuda na prevenção de quedas. - Prevenção de quedas
Como a queda é a principal causa de fraturas por fragilidade, medidas preventivas são indispensáveis. Isso inclui revisão de medicamentos que aumentam o risco de queda, avaliação e correção de problemas visuais e auditivos e medidas de segurança em casa. O abandono do tabagismo e a moderação no consumo de álcool também são fundamentais.
O Protocolo da Osteoporose do SUS garante que, das mudanças no estilo de vida ao tratamento mais avançado, o paciente receba o cuidado necessário para combater a doença e viver com menos risco de fraturas catastróficas.
Em meio a tantas críticas ao SUS, este é um exemplo de belo trabalho e investimento em prevenção.
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Fonte.:Saúde Abril


