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Introdução
Ao identificar um afogamento, a prioridade é pedir ajuda e acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193. Sempre que possível, o resgate deve ser feito sem entrar na água, usando objetos flutuantes. Após retirar a vítima, avalie consciência e respiração e inicie ventilação e massagem cardíaca se necessário.
- Uma vítima de afogamento não costuma conseguir pedir ajuda. Preste atenção nos sinais que indicam que algo está errado;
- Em caso afogamente, peça ajuda imediatamente e ligue para o 193, informando o local e a situação;
- Evite entrar na água; ofereça à vítima objetos flutuantes ou cordas para mantê-la à tona;
- Após retirar a pessoa da água, avalie se ela está consciente e respirando;
- Se não houver resposta, abra as vias aéreas e inicie ventilações boca a boca;
- Na ausência de respiração e batimentos, comece a massagem cardíaca e mantenha a ressuscitação até a chegada do socorro.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
No verão, quando praias, piscinas, cachoeiras e clubes ficam cheios, o afogamento se torna um risco ainda mais presente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o termo descreve qualquer processo em que há insuficiência respiratória causada pela submersão ou pela aspiração de líquido.
Isso quer dizer que o afogamento não se limita a acidentes em alto-mar ou em piscinas fundas. Ele pode acontecer dentro de casa e mesmo em situações rotineiras. Por isso mesmo, exige atenção redobrada e preparo para saber como agir.
“Significa que até uma criança em uma banheira rasa pode se afogar”, destaca o médico David Szpilman, secretário-geral da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa). Um escorregão em uma camada fina de água seguido pela aspiração do líquido pela boca já configura um afogamento, ainda que o episódio dure poucos segundos.
Tecnicamente, o problema acontece porque a boca ou nariz entraram em contato com o líquido e ele foi aspirado para os pulmões. Com isso, a troca de oxigênio fica comprometida, o nível dele no sangue despenca e órgãos vitais, especialmente o cérebro, entram em sofrimento em poucos minutos.
A quantidade de água necessária para isso é surpreendentemente pequena. “Meio copo de água já é suficiente para provocar um afogamento gravíssimo, com redução de até 50% do oxigênio no corpo, necessidade de UTI, ventilação mecânica e intubação”, afirma Szpilman. No mar, esse processo pode acontecer em uma ou duas respirações.
Como identificar que alguém está se afogando?
A dificuldade para resgatar alguém que está afogando já começa daqui. “O afogamento é um dos acidentes mais rápidos, silenciosos e graves que existem”, alerta Szpilman. É que, ao contrário do que o cinema costuma mostrar, quem está se afogando quase nunca grita ou acena pedindo ajuda. Muitas vezes, à distância, parece apenas mais alguém brincando na água.
Há, no entanto, sinais típicos para quem observa com atenção.
A vítima costuma bater os braços sem sair do lugar, manter o corpo mais na vertical e fazer movimentos semelhantes aos da natação, mas sem se deslocar.
No mar, um detalhe extra merece atenção: as correntes de retorno, responsáveis pela maioria dos afogamentos em praias brasileiras. Elas são fluxos estreitos e rápidos que puxam o banhista para o fundo do mar e se formam quando a água das ondas retorna ao oceano.
Visualmente, nem sempre são fáceis de identificar, mas alguns indícios ajudam. Trechos onde as ondas não quebram, enquanto ao redor elas se formam normalmente, podem indicar a presença dessas correntes. Se alguém estiver ali, é importante que saia de lá, mesmo que a própria pessoa ainda não perceba o perigo.
O que fazer diante de um afogamento em curso
Identificado o risco, a primeira reação deve ser pedir ajuda imediatamente. Alguém precisa ligar para o 193 e acionar o Corpo de Bombeiros, informando com clareza o local e a situação.
Enquanto o resgate profissional não chega, a tentativa de auxílio deve ser feita, sempre que possível, sem entrar na água. O impulso de pular para salvar é compreensível, mas perigoso.
O mais seguro é lançar à vítima qualquer objeto que flutue, como uma garrafa PET, uma bola, um espaguete de piscina, uma prancha ou até um pedaço de isopor. Cordas e cabos também ajudam, pois permitem manter as vias aéreas fora da água e interromper a aspiração do líquido.
Entrar na água só deve ser considerado em situações extremas. “No Brasil, das 16 pessoas que morrem afogadas todos os dias, duas perderam a vida tentando salvar outra pessoa”, lembra Szpilman.
Se não houver alternativa, nunca se deve entrar sem um flutuador. Sem esse apoio, o socorrista corre o risco de ser agarrado pela vítima, transformando-se, literalmente, em uma tábua de salvação e colocando os dois em risco.
O flutuador deve ser entregue à vítima. Isso ajuda a acalmá-la, manter a flutuação e ganhar tempo até a chegada do socorro especializado.
Depois que a vítima sai da água, o resgate não acabou
Ao retirar a pessoa da água, o cuidado continua. Ela deve ser colocada paralela ao espelho d’água, com o tronco no mesmo nível da cabeça. Não se deve tentar “tirar a água dos pulmões” nem colocar a mão dentro da boca da vítima. O primeiro passo é avaliar se ela está consciente.
Ajoelhe-se ao lado, segure-a pelos ombros e pergunte se ela está ouvindo. Qualquer resposta verbal ou por gestos indica que há respiração e batimentos cardíacos. Nesse caso, o correto é apenas aguardar a chegada da equipe de emergência.
Se não houver resposta, o quadro é mais grave. A vítima pode estar inconsciente ou em parada cardiorrespiratória.
Nesse caso, é importante reforçar o chamado para o 193 e iniciar os procedimentos de emergência.
Primeiro, deve-se abrir as vias aéreas da vítima, estendendo o seu pescoço, e observar a sua respiração. Na ausência dela — ou se houver dúvida — iniciam-se cinco ventilações boca a boca.
Se também não houver resposta, começam as compressões (massagens) cardíacas, em ciclos de 30 compressões seguidas de duas ventilações, repetidos até a chegada do socorro.
Como fazer “respiração boca a boca”
O Ministério da Saúde orienta a realização da respiração boca a boca (ou “insuflação”) da seguinte forma:
- Coloque sua boca com firmeza sobre a boca da pessoa.
- Feche bem as narinas da pessoa usando o polegar e o indicador para não deixar sair ar.
- Sopre para dentro da boca da pessoa até notar que seu peito está se levantando.
- Solte o nariz da pessoa, deixando-a expirar o ar livremente. Repita o movimento 15 vezes por minuto
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Como fazer massagem cardíaca
Caso a vítima também não responda à insuflação, será necessário realizar o procedimento de massagem cardíaca até a chegada do socorro. Também segundo as orientações do Ministério, o procedimento deve ser feito da seguinte forma:
- Coloque as mãos espalmadas, uma sobre a outra, em cima do peito da pessoa. Use a base das mãos. É com ela que você deverá pressionar a metade inferior do osso que fica na frente e no centro do tórax;
- Os dedos devem ficar abertos e não tocam a parede do tórax;
- Faça uma pressão com bastante vigor. Para isso, coloque o peso do seu próprio corpo sobre suas mãos;
- Faça esses movimentos tantas vezes quantas forem necessárias (cerca de 60 por minuto).
- Quando houver apenas uma pessoa para ajudar: o primeiro passo é fazer duas insuflações e o segundo passo fazer quinze compressões.
- Quando houver duas pessoas para ajudar: Uma pessoa faz a respiração artificial e a outra fica responsável pela massagem cardíaca. A cada insuflação, faça cinco compressões.
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Levar direto ao hospital resolve? Nem sempre
Pode parecer lógico correr com a vítima para o hospital, mas essa não é a melhor estratégia, segundo Szpilman.
Quando o afogamento evolui para parada respiratória e cardíaca, o tempo sem oxigênio determina o tamanho do dano neurológico. Após poucos minutos, as células cerebrais começam a morrer.
Por isso, caso seja identificada uma parada, o deslocamento até um serviço de saúde, sem iniciar a ressuscitação, pode reduzir as chances de recuperação sem sequelas.
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“Se você esperar pra fazer isso no hospital, ou que o profissional chegue pra começar a fazer a manobra, a possibilidade de não ter sucesso é muito grande”, diz o médico.
“Por isso, é tão importante que a população saiba como reagir a casos assim, para que a gente tenha uma maior chance de salvar as pessoas”, reflete.
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Fonte.:Saúde Abril


