Na primeira vez que fui ao Beto Carrero World, eu tinha cerca de 7 ou 8 anos e era pequena demais para a maioria dos brinquedos – e grande o suficiente para nunca esquecer o calor daquele dia, que empurrou toda a minha família para as filas das atrações mais refrescantes.
De lá para cá, muita coisa mudou. O que começou em 1991 com alguns brinquedos infantis e duas lonas de circo se transformou no maior parque temático da América Latina. Hoje, o Beto Carrero ocupa 14 milhões de m² em Penha, Santa Catarina, com áreas para toda a família. Um único dia já não dá conta de tudo, mas ainda é possível montar um roteiro estratégico e aproveitar o essencial.
A seguir, um guia para curtir um dia inteiro ou otimizar a visita caso você tenha dois:
ANTES DA VISITA
Para driblar as esperas, o Beto Carrero oferece a Fila Virtual, acessada pelo aplicativo BCW+. Após cadastrar o ingresso, o visitante pode agendar gratuitamente até três atrações com horário marcado. Os agendamentos são liberados cinco dias antes da visita e costumam esgotar rápido.
Entre os brinquedos mais disputados estão FireWhip, Star Mountain e Big Tower. Se as radicais não forem muito a sua praia, o Crazy River é uma boa alternativa para deixar agendado.
Outra dica importante é que os tempos de espera para os brinquedos podem ser acompanhados em painéis espalhados em frente às atrações e também pelo aplicativo BCW+, que libera essa função para quem já está dentro do parque.
Por fim, ter o mapa em mãos ajuda a não se perder e planejar um roteiro para explorar cada cantinho do parque: acesse aqui.
Os brinquedos começam a funcionar oficialmente às 10h, mas o ideal é chegar antes. As catracas costumam abrir por volta das 9h, quando acontece o show de abertura, o Game Show, no palco principal ao ar livre. É ali que os visitantes são recebidos, os aniversariantes do dia são celebrados e o público começa a entrar no clima do parque.
Depois do show, a dica é seguir direto para as filas mais disputadas. As atrações mais radicais e concorridas se concentram à direita, onde ficam as áreas Nerf Mania e Aventura Radical, com filas que podem ultrapassar duas horas em dias cheios.

FireWhip
A FireWhip é a montanha-russa mais radical do parque e uma das mais concorridas, e também uma ótima forma de começar o dia. Com trilhos suspensos, ela deixa os pés livres, o que aumenta a sensação de velocidade. Inaugurada em 2008, ela já existia na minha primeira visita ao parque, e eu implorei para ir. Não deu: a altura mínima é de 1,30 m. Anos depois, finalmente mais alta, pude realizar esse sonho de infância.
A subida inicial já concentra a tensão. A montanha-russa é rápida, sacoleja bastante e exige um certo cuidado para manter a cabeça apoiada no encosto para prevenir o torcicolo. O medo, no entanto, some assim que o percurso começa a engrenar: curvas, inversões e voltas que parecem não ter fim. Gritos? Muitos. Mas, quando acaba, a vontade é ir de novo.

Star Mountain e Big Drop
Depois de ir na FireWhip, o tempo já passou e o parque costuma ficar mais cheio. Duas boas opções nas redondezas são a Star Mountain e a Big Drop.
A Star Mountain começa com uma subida daquelas que dá tempo de antecipar os gritos, seguida de uma queda que embala o carrinho em curvas e dois loopings bem marcados. Veloz e direta, termina antes de a gente perceber.

A Big Tower, na área Hot Wheels, impressiona de longe. Com 100 metros de altura, a subida é lenta, e alguns segundos de silêncio antecedem a queda livre de cerca de 120 km/h. Não encarei a descida, mas quem foi garante que a combinação da vista lá de cima com a adrenalina da queda faz da Big Tower uma das experiências mais marcantes do parque.

Dependendo do dia, dá para encaixar as duas atrações em sequência. Em períodos de alta temporada, porém, a recomendação é escolher apenas uma delas. Isso porque, a depender do tempo de fila, pode ficar inviável seguir direto para a próxima – e, nesse caso, o melhor caminho é optar pelo Hot Wheels Epic Show.
Hot Wheels Epic Show
Se tiver optado pela Big Drop, o Hot Wheels Epic Show estará praticamente colado. A apresentação começa às 13h30, mas em dias cheios o ideal é chegar com pelo menos uma hora de antecedência para garantir o lugar.
É um dos espetáculos mais concorridos e ocupa uma arena que rapidamente se enche de famílias e curiosos em busca de barulho, velocidade e fumaça. Quando era criança, lembro de assistir ali a um show parecido, mas na época a temática era de Velozes e Furiosos. Desde então, o espaço mudou bastante, ganhou novos cenários e uma identidade visual totalmente voltada ao universo Hot Wheels.
A apresentação acompanha um telão que mostra um grupo de amigos apaixonados por manobras radicais. Enquanto a história se desenrola, a ação acontece ao vivo na pista, com carros e motos empinando, rodopiando e saltando rampas. Em alguns momentos, mal dá tempo de reagir antes de uma nova acrobacia tomar conta da arena. O som dos motores é alto, os pneus cantam sem parar e a fumaça se espalha, deixando aquele cheiro que parece ficar preso nas narinas.

Para quem não quer esperar tanto tempo antes do espetáculo, há a opção de área VIP (a partir de R$ 40), que garante seu lugar no centro da plateia. Também é possível assistir ao show do deck do restaurante temático Hot Wheels (R$ 510 com comida inclusa). A vista é mais próxima da pista, com uma fumaça ainda mais intensa. Para mim, o clima da arquibancada tradicional – com gritos, aplausos e aquela empolgação coletiva – faz parte do show.

Pausa para o almoço
Com o fim da apresentação, já passa das 14h20, e os restaurantes costumam encher. Muitos visitantes acabam recorrendo aos quiosques de guloseimas espalhados pelo parque, sendo difícil resistir à pipoca (R$ 27 tamanho médio).
Para quem prefere uma refeição completa, a Casa de Massas é uma boa opção, embora fique mais próxima da entrada e exija uma caminhada maior. Já quem busca algo rápido e diferente do hambúrguer e de massas, pode apostar no restaurante México, na área Aventura Radical, com pratos inspirados na culinária mexicana e vista estratégica para a FireWhip.
Ferrovia DinoMagic
Depois do almoço, quando o corpo pede uma trégua das quedas e dos loopings, a Ferrovia DinoMagic surge como uma pausa bem-vinda. O passeio começa em uma estação charmosa, de onde parte um trem panorâmico que percorre cerca de 5 km em meio à vegetação de Mata Atlântica. Aos poucos, o ritmo do parque fica para trás e o trajeto revela dinossauros e cenários que surgem como pequenas surpresas.

O passeio é uma boa escolha para descansar as pernas. No meio do percurso, há uma reviravolta com o trem sendo assaltado por ladrões à cavalo. Logo depois, surge o Beto Carrero para salvar os passageiros em meio ao clima de faroeste.
Por ser uma atração mais longa, a fila, apesar de pequena, pode demorar e o passeio em si consome um bom tempo. Dependendo do movimento do dia, é fácil sair do trem já perto do início da noite, o que faz da DinoMagic uma boa ponte para os shows finais, como O Sonho do Cowboy.
Crazy River
Agora, se sobrar um tempinho antes do show O Sonho do Cowboy, o Crazy River é uma ótima pedida – especialmente se a temperatura estiver escaldante, o que não é raro no verão. Na minha visita, em dezembro, nem o protetor solar deu conta, o suor escorria, o sol castigava e, como era de se esperar, a fila crescia junto com a vontade de se refrescar.
Na atração, os visitantes embarcam em botes redondos que comportam até nove pessoas, e seguem por um percurso de água com corredeiras leves, curvas e pequenas descidas. O bote gira sem muito controle, o que garante risadas e aquela expectativa de quem vai sair mais molhado. Todo mundo se molha um pouco, mas sempre tem o “sorteado” da vez, que leva o banho completo quando a água invade o bote.
O trajeto é ambientado no universo de Madagascar, com os personagens aparecendo em meio à vegetação. É o tipo de atração feita sob medida para ir em família, só tome cuidado com os pertences, evitando deixar eles no fundo do bote.

O Sonho do Cowboy
Com o dia já se encaminhando para o fim, é hora de se deixar levar por O Sonho do Cowboy, um dos espetáculos mais tradicionais do Beto Carrero, apresentado diariamente às 19h.
No palco, os artistas dão vida a uma história de faroeste que mistura aventura, romance e humor. A trama acompanha a chegada de Beto Carrero a uma cidade dominada pelo vilão Maldock, com perseguições, confrontos e muita interação com o público. Tudo isso em um cenário grandioso, com trilha sonora cantada ao vivo.
Apesar da narrativa clássica, o espetáculo conversa com o presente. Os artistas fazem piadas e referências que estão em alta, arrancando risadas da plateia. É um espetáculo bonito, bem produzido e encerra o dia com uma dose de encanto.

Jantar
Quem não quiser se preocupar com o jantar fora do parque pode aproveitar as opções disponíveis, como a unidade da Pizza Hut. Lá, há uma pizza exclusiva em homenagem ao Beto Carrero: marguerita com tomate-cereja, apontada como o sabor preferido do fundador.
ROTEIRO DO SEGUNDO DIA
Depois de um primeiro dia dedicado às atrações mais concorridas, o segundo é ideal para explorar o parque com mais calma, revisitar áreas deixadas de lado e encarar brinquedos que, mesmo radicais, costumam ter filas mais amigáveis. Como grande parte do primeiro dia fica concentrada no lado esquerdo do parque, vale aproveitar para circular mais pelo lado direito, sem ignorar o que ainda ficou pendente do outro lado.
Spin Blast
Uma boa forma de começar o segundo dia é pela Spin Blast, um disco que comporta até 40 pessoas e se movimenta sobre um trilho em formato de onda. O brinquedo vai ganhando intensidade aos poucos, girando de um lado para o outro até alcançar as extremidades e garantindo aquele frio na barriga, que lembra o clássico Barco Viking (também presente no parque, só que do lado esquerdo, na área Ilha dos Piratas).

Rebuliço
Ainda em clima de coragem – e aproveitando que o estômago não está cheio – a próxima parada pode ser o Rebuliço, na Cowboyland. De fora a quantidade de voltas já deixa quem está vendo zonzo. Isso porque o Rebuliço conta com braços que giram em alta velocidade e formam loopings. São 12 voltas, com momentos em que o brinquedo fica completamente de ponta-cabeça. Medo? Sim, inclusive rezei bastante. Mas que foi divertido, foi.

Almoço no Excalibur
Se sobrar tempo (e orçamento), o Excalibur é uma experiência que vale o investimento. A atração, paga à parte, combina almoço e espetáculo em uma arena medieval, com uma encenação inspirada na Lenda do Rei Arthur. O público é dividido em quatro times, cada um representando um cavaleiro, e a torcida é levada muito a sério. Por isso, não tenha vergonha de colocar a coroa de papel e gritar.

Durante cerca de 1h30, os visitantes acompanham disputas encenadas com cavalos de verdade, narração empolgada e cenas intensas, enquanto são servidos com um lanche simples, batatas rústicas, refrigerante e clima de banquete.

Quem preferir almoçar algo mais rápido pode repetir as opções do dia 1 ou apostar no General Küster, na Vila Germânica, que oferece pratos inspirados na culinária alemã.
Tigor Mountain
Na Vila Germânica, a Tigor Mountain funciona como uma montanha-russa mais sussa. Não tem loopings nem inversões, mas entrega curvas e pequenas quedas, com o vento batendo no rosto. É uma boa escolha para crianças corajosas que não tem altura para outras atrações (ou adultos que preferem uma experiência menos intensa, mas ainda divertida).

Carrossel Veneziano
Ali perto, o Carrossel Veneziano conquista até os visitantes mais durões. Importado da Itália, ele é iluminado por mais de 1.800 lâmpadas e rende fotos lindas, além de costumar ter filas pequenas. Em resumo, é um clássico que funciona tanto para crianças quanto para casais e adultos em busca de magia e nostalgia.

Perto da Vila Germânica fica a área Triplikland. Lá, é possível embarcar na Roda-Gigante, voar no Baby Elefante e pilotar Xícaras Malucas. Além disso, para a alegria dos pequenos, uma nova área temática da Galinha Pintadinha está prevista para 2026.
Madagascar Circus Show
O Madagascar Circus Show é uma pausa estratégica no meio do dia: dá para sentar e ainda sair rindo. No palco, os personagens da animação aparecem em formato de circo, inspirado no terceiro filme, com números que misturam acrobacias, dança, música e interação com a plateia.
A apresentação aposta em piadas e coreografias divertidas, do jeito que as crianças adoram – e que os adultos acabam curtindo junto, seja com as reboladas do Rei Julian ou com as peripécias dos pinguins. Os números se sucedem sem longas pausas e ele cumpre muito bem a proposta de animar o pessoal.
Para quem não quer correr o risco de ficar de fora, há a opção de reservar um assento na Área VIP, vendido à parte (a partir de R$ 40).

Hot Wheels Turbo Drive
O Hot Wheels Turbo Drive é uma atração leve, pensada para crianças pequenas. Os carrinhos percorrem curvas suaves em um trajeto que simula uma pista temática da Hot Wheels, funcionando bem como pausa entre atrações radicais, mas sem empolgar quem já encarou as montanhas-russas do parque.

Tchibum
Para fechar o dia (ou se refrescar), o Tchibum cumpre o que promete. A atração aquática tem duas quedas molhadas, sendo impossível sair seco – e parte da diversão está justamente nisso. É uma atração simples, direta e muito disputada nos dias de calor.

No Ritmo de Trolls
Depois de se divertir, vale passear pelo parque e, se o tempo permitir, repetir sua atração favorita. Uma ótima opção é visitar o Memorial Beto Carrero para conhecer a história do cowboy.
Às 20h, quando os brinquedos já encerraram suas atividades, acontece o espetáculo No Ritmo de Trolls, uma despedida animada que reúne personagens de várias áreas do parque, como Trolls, Shrek, Madagascar e Kung Fu Panda. Com música, dança, luzes e fogos de artifício, é um encerramento colorido e emocionante, daqueles que fazem o público continuar dançando mesmo depois que o espetáculo acaba.

Ingressos
Compre o ingresso antecipadamente. Os passaportes de um ou dois dias variam conforme a época do ano – em geral, entre R$ 100 e R$ 460 (um dia) ou de R$ 200 a R$ 660 (dois dias).
O parque também vende os ingressos fura-fila, chamados de Fast Pass: dá para comprar o acesso a uma única atração (a partir de R$ 40) ou pacotes como o Family Pass (a partir de R$ 85, válido para Crazy River, DinoMagic, Raskapuska e Super Soaker), o Adventure Pass (a partir de R$ 85, para Barco Pirata, Spin Blast, Tigor Mountain e AutoPista) e o Adrenaline Pass (a partir de R$ 95, que inclui Rebuliço, Star Mountain, FireWhip e Big Tower).
Em 2026, a gratuidade no Beto Carrero vale apenas para menores de dois anos. Visitantes acima de 60 anos, estudantes, PCDs, professores e doadores de sangue em Santa Catarina pagam meia entrada.
Como chegar e onde ficar
O aeroporto mais próximo é o de Navegantes, a aproximadamente 13 km do parque. Para quem vai de carro, o estacionamento oficial custa cerca de R$ 50 por dia, enquanto opções externas, a cerca de 500 metros da entrada, costumam cobrar entre R$ 20 e R$ 30.
Quem imagina uma rede de hotéis luxuosos no entorno do parque pode ir ajustando a expectativa. A hotelaria da região é simples e funcional, pensada para quem passa o dia inteiro no parque e só quer um banho e uma boa noite de sono. Eu fiquei no Vila Olaria, a cerca de 700 metros do Beto Carrero, com café da manhã incluso na diária. Dá para ir a pé, embora o trajeto inclua uma caminhada de cerca de 17 minutos pela beira da rodovia. Para outras opções de hospedagem na região, vale conferir essa matéria.
E não custa repetir: vá preparado para andar muito. Tênis confortável, protetor solar e uma capa de chuva fazem diferença ao longo do dia – até porque, embora o parque venda capa, o preço costuma ser bem mais alto do que fora. Também é importante se manter hidratado: desde novembro de 2025, há um bebedouro na área Nerf, próximo aos banheiros.
Compartilhe essa matéria via:
Newsletter
Aqui você vai encontrar dicas de roteiros, destinos e tudo o que você precisa saber antes de viajar, além das últimas novidades do mundo do turismo.
Inscreva-se aqui
para receber a nossa newsletter
Cadastro efetuado com sucesso!
Você receberá nossas newsletters em breve!
Fonte.:Viagen


