Basta o transfer se afastar um pouquinho do aeroporto de Cancún, na costa leste mexicana, para a Riviera Maia ir se revelando aos poucos: não como uma extensão de Cancún, mas como um destino à parte. Longe da movida da zona hoteleira e de praias, essa parte do litoral assume um ritmo mais tranquilo.
A cerca de uma hora de viagem, partindo do aeroporto, está o hotel Xcaret, que abriga três unidades integradas à natureza. Por lá, é possível se hospedar nas unidades Xcaret Arte, La Casa de La Playa, ambos somente para adultos, e Xcaret México, que recebe todas as faixas etárias. O último tem diárias a partir de U$S 856 (R$ 4.623), com tudo incluso —não só alimentação, mas também entradas em atrações do grupo e transportes até elas.
O nome Xcaret vem do maia e significa “pequena enseada”, uma referência ao cenário que serviu como porto e área comercial para a civilização maia. Hoje, essa herança aparece em experiências que celebram a história local.
Como cortesia, os hóspedes do resort encontram nos quartos uma bandeja com docinhos e snacks mexicanos, reposta todos os dias. Vale a pena provar o pulparindo, doce feito à base de tamarindo, e o mazapán, uma versão da paçoca mais doce.
Dentro do próprio resort, opções não faltam. Há lagoas internas cercadas por vegetação onde hóspedes podem remar em caiaques e pranchas de stand-up paddle, além de pequenas praias privativas com acesso ao mar do Caribe.
Visitantes podem, ainda, mergulhar nas piscinas –são muitas. Uma delas têm borda infinita, com vista para o oceano azul-turquesa. Outra, feita para o público infantil, tem um escorregador em formato de polvo.
Há mais de 20 restaurantes espalhados pelo complexo, que vão de culinárias regionais a menus internacionais. No Azul Nogada, por exemplo, é possível experimentar pratos típicos do estado de Puebla, incluindo os moles poblanos, molhos picantes, defumados e com toques adocicados, e tamales, comidinhas feitas com milho que lembram a pamonha brasileira.
Outra dica é o restaurante Bio, localizado no interior de uma caverna, com vista para as lagoas do hotel. Assinados pelo chef Miguel Bautista, os pratos são vegetarianos. Uma boa pedida é o ceviche de coco, bem azedinho e fresco, servido na própria fruta.
Para o café da manhã, o La Xentral oferece opções para quem quer se aventurar na gastronomia mexicana, com carnitas, carne de porco cozida com especiarias, e tacos, além de cafés, pães, ovos, iogurtes e refrescos. Não deixe de experimentar a água de horchata, bebida feita com arroz, água e canela.
À noite, a programação ganha outra escala. Com capacidade para 5 mil pessoas, a arena do resort recebe o espetáculo “México Espetacular”, que apresenta o país ao público, passando por diversos capítulos da história —do jogo de pelota praticado pelos maias em disputas de território, à colonização e às tradições ligadas à padroeira Nossa Senhora de Guadalupe.
O espetáculo reúne orquestra, cantores, mariachis e 300 dançarinos. Também são interpretadas cenas da Revolução Mexicana e tradições de estados como Oaxaca e Michoacán. Um dos destaques é a dança do voador (la danza del volador, em espanhol), símbolo da cultura indígena Totonaca. Quatro homens permanecem suspensos de cabeça para baixo, presos por cordas a um poste, girando ao ritmo de uma flauta e de um tambor tocados por outra pessoa em uma plataforma no topo.
Pertinho do La Xentral, uma pequena rodoviária concentra os transfers gratuitos para passeios clássicos como Isla Mujeres, Cozumel, Chichén Itzá, os cenotes, e também para os parques do grupo Xcaret, que são abertos a não hóspedes. Todos eles começam com a letra X.
No Xel-Há, a proposta é relaxar nas águas com atrações ao ar livre. O tour no rio começa na área de mangue, com água gelada, com boias para duas pessoas ou individuais. A ideia é se deixar levar pelo fluxo, curtindo a vista. Existem vários pontos de parada disponíveis ao longo do percurso.
Se você gosta de aventura, a dica é escolher as tirolesas e descer o escorregador do farol –a vista lá em cima é belíssima. No parque, o visitante tem contato com animais como araras-vermelhas e iguanas. Não é permitido tocá-los, mas os registros são liberados.
Já no Xenses, o circuito oferece atividades que brincam com os sentidos. Na rua que passa pela cidade torta, a impressão é de que estamos subindo a via, mas estamos descendo. Outro destaque é uma trilha escura, feita descalço, que passa por várias salas com diferentes biomas do México. A proposta é sentir elementos como areia, plantas, pedras e água gelada nos pés enquanto vai tocando em outras estruturas para procurar a saída. A atividade não é recomendada para pessoas com claustrofobia.
A melhor época para conhecer a região de Riviera Maia é entre dezembro e abril. Nesse período, o clima é agradável, com temperaturas amenas, pouca chuva e mar mais calmo e transparente —o que garante dias ensolarados para aproveitar as praias e passeios. A dica é evitar a temporada de chuvas e furacões entre junho e dezembro.
Para quem também quer explorar a vida noturna e as praias movimentadas de Cancún, como Delfines, Marlín e Ballenas, também vale a pena incluir diárias na zona hoteleira antes ou depois da estadia e passeios no Xcaret.
Fonte.:Folha de S.Paulo


