Em frente ao imponente templo de Kukulkán, no México, grupos de visitantes se reúnem e batem palmas em direção à escadaria da pirâmide. Apesar da grandiosidade, eles não estão aplaudindo a construção. É que o som dos aplausos reverbera como o canto do pássaro quetzal –ave sagrada para os maias.
O templo de Kukulkán é a construção mais conhecida de Chichén Itzá, sítio arqueológico que é um dos maiores legados da civilização maia. Na península de Yucatán, no México, o local está entre os patrimônios mundiais da Unesco e é uma das sete maravilhas do mundo moderno. Impressiona, principalmente, pela monumentalidade e complexidade.
A pirâmide, também chamada de El Castillo, tem 30 metros de altura e 55,5 metros de comprimento. O projeto reflete o vasto conhecimento de ciência e astronomia dos maias.
A estrutura foi pensada como um calendário: cada um dos quatro lados tem 91 degraus, e a plataforma superior completa a contagem de 365, correspondente aos dias do ano. Nos equinócios de primavera, em março, e de outono, em setembro –quando dias e noites têm durações quase iguais–, uma sombra com a forma de uma serpente é projetada até a base da pirâmide.
Há ingressos a partir de $ 105 (R$ 32). Mas, atenção: o governo de Yucatán, por meio da Agência de Administração Tributária de Yucatán (AAFY), cobra uma taxa extra no local. Visitantes estrangeiros pagam $ 548 (R$ 165) e cidadãos mexicanos, $ 190 (R$ 57).
O tíquete não é vendido pelo site oficial de Chichén Itzá, mas pode ser comprado diretamente na bilheteria. Para evitar filas, a dica é chegar cedo e desviar das numerosas excursões. Também é possível adquirir bilhetes em agências, mas com valores mais altos. Aos domingos, a atração é gratuita para mexicanos e estrangeiros que vivem no país.
A visitação ao complexo acontece todos os dias, das 8h às 17h, com última entrada às 16h —vale reservar algumas horas para conhecer tudo com calma. O passeio não exige a contratação de um guia, já que o percurso pode ser feito de forma independente pelo turista. Ainda assim, fazer uma visita guiada é uma boa opção para quem quer entender detalhes da história e arquitetura local. Com um pouco de sorte, dá para ouvir a língua maia, já que alguns guias ainda falam o idioma.
Outra atração é a quadra onde se praticava o “juego de pelota”, o “poktapok” (jogo de bola, em tradução). O espaço, um pouco mais que um campo de futebol tradicional, tem duas grandes paredes laterais com anéis de pedra no alto. Ali, aconteciam confrontos e o objetivo era acertar a bola, que pesava de três a cinco quilos, nos aros. Quem perdesse poderia ser sacrificado como oferenda aos deuses.
Além da pirâmide de Kukulkán, Chichén Itzá reúne outras construções importantes. O templo dos guerreiros é um dos destaques: com 12 metros de altura, 40 metros de largura e 200 colunas, apresenta relevos de guerreiros, águias e onças devorando corações humanos, além de representações do deus Tlalchitonatiuh –divindade associada ao sol poente.
Outro espaço interessante é o Tzompantli. Conhecida como plataforma dos crânios, a estrutura é decorada com relevos de caveiras. O monumento remete à prática do sacrifício humano, realizado com fins religioso-militares, pelos governantes de Chichén Itzá.
Vá preparado para caminhar longas distâncias, já que o percurso é feito a céu aberto com pouquíssima sombra para se proteger do sol forte. A recomendação é usar boné ou chapéu, óculos de sol e levar água, carregador portátil e leque, além de aplicar protetor solar em boa quantidade.
Nos arredores do sítio, há diversas opções de souvenirs, incluindo ímãs de geladeira, pulseiras, itens de decoração e até sombreiros. A negociação faz parte da experiência, e vale usar o jeitinho brasileiro para pechinchar. Alguns vendedores falam português e inglês, o que facilita a comunicação, mas dá para se virar com “portunhol”. Em geral, além de pesos e dólares, cartões internacionais —como o Wise e Nomad— costumam ser aceitos.
Se tiver tempo, não deixe de passar pela pequena cidade Valladolid. Construída pelos espanhóis, ela fica a meia hora de Chichén Itzá e é listada como uma das mais bonitas pelo Ministério do Turismo mexicano. Valladolid oferece restaurantes para fazer uma boa refeição durante o trajeto pela região. Entre as atrações está o parque Francisco Cantón Rosado, praça central da cidade, com vista para a catedral de San Gervasio, construída após a conquista espanhola de Yucatán no século 16.
A região de Yucatán também é conhecida pelos cenotes –formação natural criada pelo colapso do solo calcário, que dá origem a poços ou cavernas com águas subterrâneas cristalinas. Para os maias, esses locais tinham múltiplas funções: alguns eram fontes de água e outros, espaços sagrados. Em Valladolid, por exemplo, é possível visitar o cenote Zaci, localizado no centro da cidade.
Já em Chichén Itzá, passando a grande pirâmide e a quadra, o público pode observar o cenote sagrado, que recebeu sacrifícios maias –nesse, em específico, não é permitido nadar.
A jornalista viajou a convite da Gol Linhas Aéreas
Fonte.:Folha de S.Paulo


