O calor do verão muda tudo: o ritmo, o paladar e até o que esperamos de uma refeição. Nessa época, o churrasco também pede leveza, frescor e menos excesso. É aí que os peixes ganham protagonismo na grelha, trazendo uma nova leitura para o fogo —mais delicada, mas não menos saborosa.
Os melhores peixes para a brasa não são os mais magros, e sim os mais gordurosos. A gordura é fundamental para proteger a carne do calor direto, manter a suculência e garantir sabor. No Brasil, temos uma diversidade incrível de peixes tanto de rio quanto de mar com excelente teor de gordura.
Entre os peixes de água doce, o tambaqui, o pirarucu, o pacu e o pintado se destacam. São peixes com carne firme, sabor marcante e gordura suficiente para encarar a grelha sem ressecar. Já no mar, anchova, cavalinha, sardinha, xaréu, olho-de-boi e a barriga do atum são ótimas escolhas para o churrasco.
Manter a pele é essencial. Além de funcionar como uma capa de proteção contra o fogo, é nela que está concentrada boa parte da gordura do peixe. Com a técnica correta, a pele fica dourada e crocante —quase um torresmo do mar. O segredo é simples: fogo baixo, paciência e tempo. E azeite sem economia: ele conduz o calor, protege a carne e potencializa o sabor.
Outro ponto importante está nas fibras do peixe. Elas são mais delicadas e sensíveis do que as das carnes vermelhas, o que significa que absorvem temperos e marinadas muito mais rápido. Trinta minutos marinando são mais do que suficientes. Passar disso, especialmente quando se usa suco de limão, pode comprometer a textura e até “cozinhar” o peixe antes de ir à grelha.
Uma alternativa bem aromática são raspas de limão. As raspas concentram óleos essenciais da casca, aromatizam com intensidade e não alteram a estrutura da carne. O frescor aparece sem agressividade.
Um povo que sabe bem como fazer peixe na brasa é o grego. Cercada pelo mar, a Grécia construiu sua identidade gastronômica a partir do fogo, do peixe fresco e da simplicidade bem executada. Existe um molho tão essencial quanto intuitivo, capaz de atuar tanto como marinada quanto como finalização: o ladolémono.
Seu nome nasce da união de dois ingredientes fundamentais da cozinha mediterrânea —”ládi” (azeite) e “lemóni” (limão). Nada além disso é obrigatório. E talvez seja aí que mora sua força. O ladolémono não esconde o peixe; ele realça a textura, valoriza a gordura natural e amplia o sabor que a brasa revela.
Molho ladolémono
Ingredientes
- ½ xícara de azeite de oliva extra virgem
- ½ xícara de suco de limão fresco
- 1 colher (chá) de mostarda de Dijon
- 1 dente de alho espremido
- 1 colher (sopa) de orégano seco
- ½ colher (chá) de sal marinho
- Uma pitada de pimenta-preta
Preparo
- Com um batedor misture o suco de limão com o sal, o alho, a mostarda e a pimenta preta, adicione o azeite em fio para emulsificar
- Sirva sobre um peixe grelhado na brasa, simples, respeitando o produto
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Fonte.:Folha de S.Paulo


