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15 de janeiro de 2026

Passeio leva às locações de ‘O Agente Secreto’ no Recife – 14/01/2026 – Turismo

Passeio leva às locações de ‘O Agente Secreto’ no Recife – 14/01/2026 – Turismo

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O sucesso do filme “O Agente Secreto“, dirigido por Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura, transformou as locações do longa-metragem no mais novo roteiro turístico pela capital pernambucana.

Premiado no último domingo (11) com o Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira e de melhor ator dramático, “O Agente Secreto” revive o Recife da década de 1970, durante os anos de chumbo. Na trama, que representará o Brasil no Oscar, Moura interpreta um professor universitário que retorna à cidade para se refugiar de ameaças do passado e reencontrar o filho.

De olho no burburinho da temporada de premiações, que aumenta o interesse de cinéfilos e turistas em visitar alguns dos cenários do filme, uma agência local organizou um passeio que leva aos principais endereços que serviram de cenário para o filme. Nele, é possível revisitar as emoções dos personagens e entender melhor como era a capital do frevo em plena época da ditadura.

A La Ursa Tours, agência comandada pelo guia local Roderick Jordao, de 46 anos, montou um percurso com os principais pontos do filme, que foram rodados em torno do bairro de Boa Vista, região central do Recife.

O passeio começa no parque Treze de Maio, próximo à Faculdade de Direito do Recife e termina no tradicional Cinema São Luiz, que está localizado no também histórico edifício Duarte Coelho, na rua Aurora. O roteiro guiado custa R$ 40 por pessoa.

Caso não tenha visto o longa, cuidado com spoilers a seguir.

No parque Treze de Maio, além de descobrir onde foram rodadas cenas como as que envolvem a Perna Cabeluda, o visitante poderá conhecer obras do artista plástico pernambucano Abelardo da Hora, que adornam o espaço.

Em seguida, o roteiro chega ao Ginásio Pernambucano. O espaço, que no filme funciona como um cartório, foi fundado em 1825 e é a escola mais antiga em funcionamento no Brasil. Com prédio tombado pelo Iphan, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1984, a instituição formou nomes como Clarice Lispector, Ariano Suassuna e o ex-presidente Epitácio Pessoa.

Outro ponto interessante do percurso é o Chá Mate Brasília, tradicional lanchonete que funciona na área central do Recife desde 1984 e tem o chá de erva-mate como carro-chefe do cardápio.

José Pinheiro, de 58 anos, dono do local, que no filme é chamado de Dunga Mate, aproveitou a onda de sucesso para criar uma bebida em homenagem ao filme. O novo sabor, batizado de Agente Secreto, traz dois ingredientes, mantidos em sigilo por ele.

Pinheiro conta que começou a trabalhar aos 14 anos, quando pediu ao pai uma câmera fotográfica da marca Yashica. O pai não deu moleza ao filho e teria dito a ele: “Se quiser a máquina, você mesmo pode trabalhar na lanchonete e comprar com o seu próprio dinheiro”.

Foi assim que ele passou a servir chás e lanches, e com o pai conseguiu manter a tradição da casa de mate. José diz se orgulhar de ter feito parte do filme e brinca dizendo que, se a obra ganhar o Oscar, terá de comemorar com um Agente Secreto geladinho.

Também no bairro da Boa Vista, uma discreta entrada na rua do Riachuelo leva à Vila Santo Antônio, um conjunto histórico de casas construídas na década de 1940. Antes ignorada por quem por ali andava, a passagem começou a chamar a atenção por servir de cenário para uma das cenas mais emblemáticas do filme.

É neste local que foram gravados os principais trechos com a atriz Tânia Maria, que interpreta Dona Sebastiana. A personagem vivida pela artesã do Rio Grande do Norte impressionou a crítica com uma interpretação naturalista e engraçada, que tem feito o público cair na gargalhada durante as sessões.

Num dos momentos mais lembrados pelos cinéfilos, Dona Sebastiana fuma um cigarro na entrada da pequena vila com uma elegância que remete aos clássicos da era de ouro de Hollywood. Em busca de likes no Instagram, visitantes tentam reproduzir o enquadramento exato da cena ou fazer a sua própria releitura dela.

O passeio turístico tem fim no Cinema São Luiz, local que abriga um orelhão como aquele usado por Moura nas imagens que ilustram os cartazes de divulgação de “O Agente Secreto”.

Hoje um ícone nostálgico e raro na paisagem urbana nacional, o orelhão ganhou papel simbólico na narrativa, já que costumava ser um meio de comunicação seguro e anônimo usado por

militantes nos anos da ditadura.

Além de integrar o cenário, o São Luiz foi palco da estreia nacional de “O Agente Secreto”, em setembro. Aberto em 1952, é um dos poucos cinemas de rua ainda em funcionamento no Recife.

Fechado desde 2022 para obras no forro de gesso e nas instalações elétricas, foi reaberto parcialmente ao público, durante a 15ª edição do festival Janela Internacional de Cinema do Recife, em 2024. No nº 175 da rua da Aurora, a sala reforça a conexão entre patrimônio cultural, memória urbana e produção audiovisual.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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