A cadela Iara, do Corpo de Bombeiros do Ceará, morreu nesta quinta-feira (15) em consequência de uma torção gástrica, segundo a corporação. A condição, grave e emergencial, é registrada com mais frequência em animais de grande porte.
A cachorra seguia para o Maranhão, onde participaria das buscas aos irmãos Ágatha Isabelly, 6, e Allan Michael, 4, que desapareceram após saírem para brincar no dia 4 de janeiro, em Bacabal.
Segundo os Bombeiros do Ceará, Iara começou a apresentar os sintomas nas proximidades do destino e, apesar dos esforços, não resistiu e morreu nos braços de seu condutor, o sargento João. Ela completaria cinco anos no próximo dia 21.
Em nota de pesar, a corporação afirma que a cadela tinha temperamento singular e forte conexão com a tropa. Iara participou de cursos fora do estado e integrou grandes operações.
Pedro Risolia, veterinário da Petlove, explica que a torção gástrica pode provocar a morte em poucas horas —o estômago se dilata e gira sobre seu próprio eixo. “Importante não tentar medicar em casa ou fazer massagens”, afirma.
Segundo Risolia, a torção pode afetar cães de todas as raças e também gatos, apesar de ser mais raro.
O que é a torção gástrica?
É uma condição em que o estômago do animal sofre uma distensão severa por gás, líquido ou alimento e, em seguida, rotaciona. Essa rotação normalmente ocorre por rolamento do pet no chão, em sua grande maioria por incômodo ou cólica. Essa rotação obstrui a entrada e saída do órgão (esôfago e duodeno) e comprime grandes vasos sanguíneos. Isso interrompe a circulação para órgãos vitais e pode levar ao choque hipovolêmico, necrose e até morte em poucas horas.
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Quais são os sintomas e o que o responsável pelo animal deve fazer?
A torção é uma situação grave e emergencial. Os sintomas principais envolvem a tentativa de vômito sem sucesso —o cão faz ânsia, mas não sai nada; a salivação excessiva (sialorreia); o abdômen visivelmente abaulado, isto é, inchado e rígido, parecendo um tambor ao tocar. Entre outros sinais, se destacam inquietude, dor evidente, cólicas e dificuldade para respirar.
Importante não tentar medicar em casa ou fazer massagens. Deve-se encaminhar o pet imediatamente ao hospital veterinário mais próximo para atuação veterinária, possivelmente com intervenção cirúrgica.
É comum acontecer?
Infelizmente é relativamente comum em cães de porte grande e gigante com peito profundo ou até portes menores, porém com corpo barril —como os buldogues, por exemplo. Estima-se que raças predispostas tenham uma chance considerável de apresentar o quadro ao menos uma vez na vida se não houver cuidados preventivos.
Idade ou raça são fatores de risco?
É um problema que pode afetar todas as raças, mas a frequência é maior nos cães de grande porte, que têm tórax profundo como característica, como dogue alemão, são Bernardo, pastor alemão, labrador, setter e rottweiler. Cães mais velhos também estão mais sujeitos a torção devido à frouxidão ligamentar.
Como é feito o tratamento?
O tratamento é emergencial e muitas vezes há necessidade de intervenção cirúrgica. É preciso estabilizar o quadro inicialmente, corrigindo a hipovolemia com fluidoterapia. Em alguns casos pode-se fazer a descompressão via sonda, cateter ou agulha, e cirurgia para colocar o estômago e duodeno na posição correta, verificar se há necrose e necessidade de remoção desse tecido e fixar o estômago na parede abdominal para evitar reincidência.
Como prevenir a torção gástrica?
Pode-se realizar a gastropexia preventiva, como alternativa cirúrgica se o pet já tem predisposição. Deve-se fracionar a alimentação de duas a três vezes ao dia, evitando porções maiores de uma única vez. Pode-se utilizar comedouros que auxiliam a alimentação lenta, isso ajuda a evitar grandes bolos alimentares no estômago. E evitar muitos exercícios vigorosos de uma a duas horas após as refeições.
Gatos também podem sofrer torção gástrica?
Podem, apesar de ser mais raro. As recomendações valem para ambas espécies.
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Fonte.:Folha de S.Paulo


