6:52 AM
17 de janeiro de 2026

O que a neurociência tem a ver com o prazer de tomar espumante

O que a neurociência tem a ver com o prazer de tomar espumante

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Nada como ouvir o espocar das rolhas das garrafas de vinhos borbulhantes. Antecipa o encantamento de uma taça de espumante, que não vem apenas do glamour: ele nasce de fenômenos físicos, químicos e até neurológicos, que atuam juntos para transformar cada gole em uma pequena explosão de sensações.

As bolhas, por exemplo, são como frascos de perfume em miniatura. Ao subir, carregam aromas; ao estourar, lançam microgotas aromáticas no ar. Esse disparo microscópico intensifica o buquê antes mesmo do primeiro gole.

As borbulhas também ativam fibras trigeminais — terminações nervosas responsáveis por sensações táteis de frescor, formigamento e leve ardor — criando um estímulo físico que desperta a atenção do cérebro. A efervescência ainda amplifica a percepção de acidez, mesmo sem alterar o pH, dando ao espumante aquela energia associada a celebrações.

Mesmo quando as borbulhas quase desaparecem, o gás carbônico continua ativo. Dissolvido no vinho, ele reage com a saliva e forma ácido carbônico, o que ativa receptores gustativos específicos do sabor ácido. Ou seja: sentimos o CO₂ mesmo sem vê-lo. Isso explica por que espumantes mais velhos, que perderam perlage, ainda são vibrantes.

Outro elemento essencial é o umami, o “quinto sabor”, um gosto ligado à sensação de plenitude. Ele surge em grande parte graças à autólise, durante a segunda fermentação dos espumantes elaborados pelo método tradicional, quando as leveduras se decompõem lentamente após o processo.

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Durante esse período, elas liberam polissacarídeos, proteínas, aminoácidos e nucleotídeos — compostos que aumentam a cremosidade e o volume de boca, reduzem a adstringência e criam notas de brioche, pão tostado, massa fresca e frutos secos.

Esse trabalho silencioso das leveduras é o que diferencia um simples prosecco de um grande champanhe. E a autólise tem fases bem definidas: o maior impacto sensorial se inicia no segundo ano; o pico de liberação de proteínas acontece no terceiro ano; e as notas mais oxidativas começam a surgir no quarto ano. Espumantes com seis ou mais anos de autólise podem perder espuma, mas ganham uma profundidade que só o tempo sabe dar.

Por tudo isso, quando abrimos uma garrafa de espumante, estamos abrindo muito mais do que um símbolo festivo. Abrimos uma experiência sensorial construída pacientemente pelo tempo.

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Duas garradas com fundo branco
Sugestão de rótulos (Reprodução/Divulgação)

Champagne Veuve A. Devaux Cuvée Rosée Brut
Do produtor Devaux, feito com 80% pinot noir da região Côte des Bar, especializada em uvas tintas, e 20% de chardonnay. Cor de rosa claro, aroma de morangos e framboesas frescos, casca de laranja, nota mineral. Paladar seco e firme, com acidez marcante, boa cremosidade. Com estrutura para encarar pratos principais. Tem potencial de guarda. R$ 829,90 na Grand Cru.

Champagne Montaudon Brut
Da Maison Montaudon, elaborado com 80% pinot noir e 20% chardonnay, pelo método champenoise, com dezoito meses de amadurecimento em suas borras. Cor palha claro, com aroma cítrico, notas de maçã, limão, leveduras, creme brûlé, brioche. Paladar leve e macio, com textura cremosa, equilibrado e fácil de beber. R$ 529,29 na Wine.

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Publicado em VEJA São Paulo de 16 de janeiro de 2025, edição nº 2978.

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Fonte.: Veja SP Abril

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