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Introdução
A morte do jornalista Erlan Bastos por tuberculose peritoneal alerta para uma forma rara e silenciosa da doença. Entenda como a bactéria age fora dos pulmões, seus sintomas inespecíficos, o desafio do diagnóstico e a importância de considerar a tuberculose em quadros abdominais persistentes. Um tema vital para a saúde pública!
- A tuberculose peritoneal é uma forma rara da doença, que afeta a cavidade abdominal e órgãos como intestino e fígado, fugindo do padrão pulmonar.
- Os sintomas são inespecíficos (dor abdominal, diarreia, febre) e podem ser confundidos com problemas digestivos comuns, tornando o diagnóstico difícil.
- A bactéria pode ficar adormecida por anos e se manifestar quando a imunidade cai, evoluindo de forma silenciosa e crônica.
- O diagnóstico exige descarte de outras doenças e é confirmado por biópsia do peritônio; é crucial que médicos considerem essa possibilidade.
- O tratamento, com antibióticos gratuitos pelo SUS, dura de 6 meses a 1 ano e é eficaz quando a doença é identificada a tempo.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
O apresentador Erlan Bastos, de 32 anos, morreu na manhã do último sábado (17), em Teresina (PI), em decorrência de uma forma rara de tuberculose, conhecida como tuberculose peritoneal. O diagnóstico foi confirmado pelo Hospital Natan Portella, onde ele estava internado, e a informação foi divulgada pela família.
Erlan ficou conhecido por apresentar o Balanço Geral Ceará, além de fazer participações em outros programas da RecordTV em nível nacional. Recentemente, assumiu a liderança do programa “Bora Amapá”, no estado da região Norte do Brasil.
Em dezembro de 2025, o jornalista teve um mal-estar súbito enquanto estava no ar. Ele precisou ser retirado do estúdio e encaminhado ao Hospital de Emergência de Macapá, capital amapaense, após apresentar dor intensa no tórax e no abdômen, acompanhada de fraqueza acentuada e sudorese fria.
Os sintomas são típicos da tuberculose peritoneal, uma das formas extrapulmonares da tuberculose. Isso significa que o quadro foge do padrão mais conhecido da doença, que normalmente afeta os pulmões.
Nessa apresentação, a bactéria Mycobacterium tuberculosis migra para o peritônio, uma membrana fina e sensível que reveste a cavidade abdominal e envolve órgãos como intestino, fígado e estômago.
O que acontece é que, embora essa bactéria sempre entre no corpo pelos pulmões, nem sempre ela fica por lá. O patógeno pode pegar carona com a corrente sanguínea e se instalar em outras partes do corpo.
“Praticamente qualquer órgão pode ser acometido”, explica o infectologista Juvencio Furtado, do Hospital Heliópolis, unidade pública gerenciada pelo Einstein Hospital Israelita. Isso inclui desde a pele até os ossos e o cérebro.
Ao entrar no organismo pelos pulmões, a Mycobacterium tuberculosis pode não causar sintomas e, então, se dirigir a um outro órgão. Com isso, não haverá tosse e nem sinais respiratórios típicos.
Para piorar, na nova casa, ela é capaz de ficar adormecida por anos, controlada pelo sistema imunológico. No entanto, em algum momento — especialmente quando as defesas do organismo caem — pode acordar e se espalhar.
Quando chega ao peritônio, ela provoca uma inflamação crônica que evolui lentamente.
“Ela pode permanecer por anos no peritônio sem causar sintoma nenhum — ou até ser eliminada —, mas, lá na frente, pode acontecer uma situação que diminua a imunidade da pessoa e a tuberculose passe a se manifestar”, explica o pneumologista Sidney Bombarda, membro da Comissão de Tuberculose da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).
Ao dar as caras, o quadro costuma ser confundido com problemas digestivos comuns, como gastrite ou distensão abdominal. É justamente esse comportamento discreto que torna a tuberculose peritoneal uma doença pouco lembrada, mas potencialmente grave.
Quais os sinais e sintomas
Os sintomas incluem diarreia, constipação intestinal e dor abdominal. A lista conta, ainda, com sinais como febre e emagrecimento.
“São sinais inespecíficos. Pode parecer simplesmente uma dor abdominal ou apenas uma febre no final da tarde, mas vai progressivamente acometendo o órgão. No caso peritônio, acaba levando a um quadro de dor abdominal, que pode ser leve, mascarando e se misturando com outras possibilidades”, alerta Furtado.
Segundo o infectologista, apesar da dificuldade de diferenciá-la de outros quadros, há uma característica chamativa: “ela habitualmente vai causando dores progressivas que levam a um quadro chamado abdome agudo“, diz.
A velocidade em que essa progressão irá ocorrer, no entanto, depende muito da imunidade da pessoa acometida pela doença. Assim, ela pode dar sinais que passam batido por anos a fio ou levar poucos meses para causar problemas graves.
Por que o diagnóstico é difícil
Como visto, os sintomas podem ser confundidos com muitas outras condições, como problemas intestinais. Por isso, o diagnóstico é um dos maiores desafios da doença.
“Não é fácil. Às vezes a pessoa tem uma diarreia e acha que é alguma outra coisa, mas então a diarreia retorna, passa para dor abdominal e ela começa a emagrecer [e assim por diante]”, aponta Bombarda sobre pontos para se ter atenção.
Para chegar a uma resposta, é preciso juntar pistas clínicas, laboratoriais e de imagem. Por isso, o paciente costuma passar por outros tratamentos, sem solução, até que se chegue à desconfiança do quadro.
Os médicos, geralmente, precisam primeiro descartar causas mais comuns para aquele quadro abdominal, como infecções intestinais, doenças inflamatórias ou até câncer e cirrose.
O diagnóstico definitivo vem com a biópsia do peritônio, obtida por laparoscopia. O exame pode revelar inflamação típica da tuberculose, granulomas característicos, presença da bactéria ou sinais indiretos da infecção.
É por isso que os especialistas apontam: apesar de sua raridade, o primeiro passo para um diagnóstico é ter em mente a possibilidade de que o caso seja causado pela tuberculose.
“Quando o médico está diante de um quadro desses, ele tem que pensar na tuberculose“, ressalta Bombarda.
Furtado reforça: “uma pessoa imunocomprometida e debilitada, que começa a ter um quadro febril ao final da tarde, dor progressiva e que vai emagrecendo, deve ser avaliada considerando a tuberculose“.
Tratamento
O tratamento é baseado em uma combinação de antibióticos específicos contra a tuberculose, fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O esquema padrão inclui quatro medicamentos: Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida e Etambutol.
Eles são usados em duas fases: fase intensiva (geralmente os primeiros 2 meses), com os quatro remédios e fase de manutenção (mais 4 meses), com rifampicina e isoniazida.
Na maioria das vezes, o tratamento de tuberculose dura pelo menos 6 meses, mas pode ser mais longo se houver complicações, resposta lenta ou comprometimento grave do organismo. “No caso de tuberculose peritonial, o paciente deve ser tratado por, pelo menos, um ano“, calcula Furtado.
Como resultado, os pacientes costumam evoluir bem. Quando a doença é identificada antes de estar muito avançada, o tratamento disponível funciona muito bem e, na maioria das vezes, controla a infecção e leva à cura.
No entanto, sem tratamento, a bactéria provoca uma inflamação contínua no abdômen. Com o tempo, isso pode levar ao acúmulo de líquido, ao comprometimento do intestino e à perda da capacidade do organismo de funcionar normalmente.
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Fonte.:Saúde Abril


