AUGUSTO TENÓRIO, CATIA SEABRA E MARIANA BRASIL
BRASÍLIA, DF
(FOLHAPRESS) — Ao pedir que a ministra Gleisi Hoffmann (PT) concorra ao Senado pelo Paraná, o presidente Lula (PT) antecipou o debate sobre quem assumirá o comando da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) a partir de abril. A possível saída da ministra abre espaço para uma disputa interna em meio a outras mudanças previstas no Palácio do Planalto e na Esplanada dos Ministérios.
Gleisi já deixaria o cargo para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, caminho considerado mais seguro para manter um mandato por, pelo menos, mais quatro anos. Na quarta-feira (14), no entanto, Lula conversou com a ministra e pediu que ela concorra ao Senado, segundo fontes do governo.
A interlocutores, Gleisi disse estar entusiasmada com o que considera uma missão dada pelo presidente. Nos bastidores, porém, aliados relatam cautela e alguma resistência à candidatura. O PT do Paraná, já informado do pedido de Lula, aguarda uma posição oficial da ministra para definir a chapa majoritária.
Tradicionalmente, ministros que deixam o cargo para disputar eleições são substituídos interinamente pelo secretário-executivo da pasta. Na SRI, a função é ocupada por Marcelo Costa, diplomata de carreira com perfil técnico. Setores do PT, no entanto, defendem que a articulação política do governo seja conduzida por um nome com maior peso político, mesmo durante o período eleitoral.
Nesse contexto, circulam no Planalto nomes de lideranças petistas cotadas para assumir o posto de Gleisi. Entre eles estão os ministros Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Camilo Santana (Educação), ambos senadores eleitos em 2022 e, portanto, sem necessidade de disputar eleição neste ano.
O futuro de Camilo Santana, contudo, é incerto. Ele é cotado para concorrer ao governo do Ceará, diante do risco de derrota do atual governador, Elmano de Freitas (PT), nas pesquisas. Nesse cenário, Elmano poderia disputar o Senado, o que enfraqueceria a pré-candidatura do líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT).
Guimarães, que já foi considerado para a articulação política do Planalto, voltou a ter o nome lembrado para a SRI. Segundo aliados, o deputado, em seu quinto mandato, tem manifestado desinteresse em permanecer mais quatro anos na Câmara. Assumir as Relações Institucionais, ao menos até a definição de um eventual quarto mandato de Lula, é visto no PT como uma alternativa viável.
Nos bastidores, Lula tem dito que a eleição de 2026 terá um perfil distinto das anteriores. O presidente pretende acompanhar de perto e interferir diretamente na escolha dos ministros que substituirão os titulares que deixarão o governo em abril.
Na Casa Civil, por outro lado, a nomeação da atual secretária-executiva, Miriam Belchior, é considerada encaminhada. O ministro Rui Costa (PT) deve deixar o cargo para disputar o Senado ou o governo da Bahia, a depender do desempenho do governador Jerônimo Rodrigues (PT) nas pesquisas.
Segundo interlocutores, Lula passou a dar atenção especial à eleição para o Senado em reação à estratégia da base do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que busca maioria na Casa a partir de 2027. O objetivo da direita bolsonarista seria conter os poderes do STF (Supremo Tribunal Federal) e impor derrotas a um eventual quarto mandato do petista.
PERMANÊNCIA DE BOULOS
Entre os poucos ministros que permanecerão no cargo durante a campanha está Guilherme Boulos (PSOL), à frente da Secretaria-Geral da Presidência desde outubro. Deputado federal licenciado por São Paulo, ele poderia se afastar para disputar a reeleição, mas Lula decidiu mantê-lo no Planalto.
A permanência até o fim do mandato foi uma das condições impostas por Boulos para aceitar o cargo, em substituição a Márcio Macêdo (PT). A Secretaria-Geral é responsável pela interlocução do governo com movimentos sociais, e a saída em abril reduziria o tempo para entregas relevantes.
Uma das principais ações previstas para o primeiro semestre de 2026 é o programa Governo do Brasil na Rua, que leva serviços de ministérios aos estados por meio de mutirões e deve ter peso no período de pré-campanha.
Em 2024, Boulos disputou a Prefeitura de São Paulo e foi derrotado por Ricardo Nunes (MDB). Meses depois, no início de 2025, seu nome passou a ser cogitado para integrar o governo Lula. Além dele, o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Amaro dos Santos, também deve permanecer no cargo, por não exercer função de natureza política.

A queixa recorrente é que acordos fechados com assessores ligados à Casa Civil não avançaram quando os processos chegaram à Secretaria de Governo, o que, segundo deputados e prefeitos, atrasou a assinatura de convênios e a liberação de recursos
Folhapress | 06:20 – 20/01/2026
Fonte Noticias ao Minuto


