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23 de janeiro de 2026

Defesa de Justin Baldoni contesta Blake Lively no tribunal – 23/01/2026 – Ilustrada

Defesa de Justin Baldoni contesta Blake Lively no tribunal – 23/01/2026 – Ilustrada

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Os advogados de Justin Baldoni compareceram ao tribunal nesta quinta-feira (22) na esperança de persuadir um juiz a rejeitar o processo movido por Blake Lively contra o ator, no qual a colega de profissão alega assédio sexual e retaliação durante e após as filmagens de “É Assim Que Acaba”, de 2024.

A equipe de Baldoni argumentou que as alegações envolvem improvisação durante a filmagem de cenas com conteúdo sexual —o que não configura assédio baseado em gênero.

“Não sei se o tribunal está familiarizado com a série ‘Rivalidade Ardente’“, disse o advogado Jonathan Bach. Risos ecoaram pelo tribunal quando o juiz Lewis Liman indicou que ele não conhecia a série da HBO.

Bach prosseguiu explicando que o seriado —um drama romântico gay— tinha diversas cenas “explícitas”. Ele rebatia um argumento apresentado anteriormente por uma das advogadas de Lively —Esra Hudson alegou que a escolha de Baldoni de improvisar no set não era uma desculpa para beijos e carícias sem o consentimento de Lively, fornecendo base para uma alegação de discriminação de gênero.

Bach contestou o argumento, dizendo que se um ator de “Heated Rivalry” improvisasse durante uma cena íntima com outro homem, poderia haver uma queixa de discriminação de gênero?

Bach voltou à ideia de que qualquer contato físico entre Baldoni e Lively decorria da relação entre os personagens dos atores no filme e não tinha nada a ver com o fato de Lively ser mulher.

Ele iniciou sua argumentação dizendo que Lively aceitou participar do longa sabendo que o filme teria “cenas quentes e sensuais” que se tornariam “insuportáveis e turbulentas”.

Liman contestou, indicando que Bach certamente “não estava sugerindo” que o tema sexual do filme desse a Baldoni licença para tocar em Lively como bem entendesse. Bach concordou. “Então talvez você possa me ajudar a entender onde estão os limites”, disse Liman, levando Bach a enfatizar que “o contexto importa”. Se algo “constrangedor” surgiu, argumentou ele, foi em busca de uma certa estética. Ele insistiu diversas vezes que as queixas de Lively eram “insignificantes” e não configuravam assédio sexual.

Hudson foi a primeira a falar em nome de Lively. Ela deixou clara a posição de sua equipe de que fatos cruciais estavam em disputa entre as duas partes, o que exigia a participação de um júri.

A advogada concentrou-se na questão do consentimento da atriz. Lively foi “beijada, acariciada e tocada” de maneiras com as quais não havia consentido durante a filmagem de uma cena, disse ela, apesar de saber que atuaria em cenas íntimas. Liman pressionou Hudson sobre o significado exato de consentimento no contexto de cenas íntimas, perguntando se e como a improvisação poderia entrar em jogo.

Hudson esclareceu que não estava dizendo que a improvisação deveria ser proibida ou que um ator precisa consentir com cada movimento individual em uma cena, mas que, para a improvisação ser considerada consensual, deveria haver uma conversa sobre que tipo de toque pode ser esperado —daí o surgimento de cláusulas de nudez e coordenadores de intimidade.

Embora Liman continuasse a questionar se cada decisão relacionada ao toque poderia ser decidida por um júri —”isso não pode estar certo”, disse ele—, Hudson sustentou que, nesse cenário, havia um padrão subjetivo a ser considerado —Lively estava desconfortável, surpresa e recostou-se, indicando que seu consentimento não havia sido dado. Se outra pessoa geralmente razoável teria reagido da mesma forma, afirmou Hudson, deveria ser uma decisão do júri.

Liman aceitou os argumentos e decidirá sobre a moção posteriormente. O julgamento está marcado para maio. Liman pode optar por restringir o escopo das alegações que o júri vai considerar.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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