Pelotões de pinguins, morsas e ursos polares carregam fuzis e se deslocam pela neve na garupa de caminhonetes e motos. Debaixo d’água, unidades de orcas e narvais, os chamados unicórnios do mar, agrupam-se sob a sombra de um falcão inimigo no céu. Juntos, entoam uma canção contra a ameça da “mão laranja”. “Um gigante faminto quer tomar nossa costa, beber o petróleo e devorar o minério”, diz a letra.
Essa é a visão fantástica de como seria a defesa da Groenlândia em caso de uma invasão americana, segundo as criações do artista visual conhecido na internet como demonflyingfox. De identidade anônima, o artista ganhou popularidade com produções surrealistas que exploram as capacidades ainda pouco desbravadas das ferramentas de inteligência artificial para vídeo.
Desde o íncio do mês, ele tem publicado uma série sobre a crise no Ártico envolvendo o governo de Donald Trump e a ilha pertencente ao território da Dinamarca. O vídeo descrito acima, da frente animal de defesa da Groenlândia, alcançou um milhão de visualizações no YouTube em 12 dias.
Na série, Trump e o seu vice J.D. Vance são retratados como “fantasmas”, “gananciosos” e dissimulados. “Eles chegam com propostas, com mentiras, com sorrisos que mascaram as intenções imperiais”, diz outro trecho da música. A Groenlândia, por sua vez, é retratada como terra sagrada. “O gelo guarda histórias mais antigas que seus mapas; arrancamos o espírito imundo da nossa costa sagrada.”
Em outro vídeo, a ameaça americana é capaz de promover uma aliança militar inacreditável entre pinguins e ursos polares, duas espécies que nunca se encontram na natureza por viverem em polos opostos do planeta —ursos polares ficam no Hemisfério Norte; pinguins são do Sul.
Mas a “República Democrática dos Pinguins” tem suas razões, já que foi alvo das tarifas de Trump em outra ocasião.
O trabalho de demonflyingfox viralizou anteriormente por usar a IA para imaginar personagens e universos cinematógráficos em ambientes inusitados. Por exemplo, como seria o universo de “Harry Potter” em cenários da Guerra do Vietnã?
Ou o mundo de “Breaking Bad” num clima noir policial dos anos 1950?
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Fonte.:Folha de S.Paulo


