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24 de janeiro de 2026

Por que ‘Zootopia 2’ virou fenômeno com a ajuda da China – 24/01/2026 – Ilustrada

Por que ‘Zootopia 2’ virou fenômeno com a ajuda da China – 24/01/2026 – Ilustrada

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Os bichos de “Zootopia 2” abocanharam o posto de animação americana de maior bilheteria de todos os tempos. Já tendo cruzado a marca de US$ 1,7 bilhão, a sequência surpreendeu ao ultrapassar “Divertida Mente 2”, da Pixar, que há dois anos emocionou o público e arrecadou US$ 1,69 bilhão. Assim, o novo “Zootopia” se tornou a nona maior bilheteria da história.

Mas fora dos Estados Unidos outra animação rugiu mais alto. Trata-se da chinesa “Nhe Zha 2”, lançada no ano passado, que fez US$ 2,25 bilhões. O ponto é que 97,8% disso foi feito na própria China, o que faz com que parte da imprensa internacional não inclua o filme entre as dez maiores bilheterias do mundo.

O argumento é que a China tem a maior população do mundo, cerca de 1,40 bilhão de habitantes, quatro vezes mais que os Estados Unidos. Embora isso não se converta necessariamente em bilheteria, o tamanho do cinema chinês, faria, segundo essa avaliação, com que o sucesso local tenha um impacto desproporcional.

O irônico é que foi justamente a China que impulsionou “Zootopia 2”. A animação da Disney quebrou no país asiático uma série de recordes —como o de maior filme importado, tendo feito US$ 610 milhões, mais que o até então recordista, “Vingadores: Ultimato”. Já é US$ 150 milhões a mais que o arrecadado por “Moana 2”, por exemplo, outra sequência recente de um sucesso contemporâneo da Disney.

Para além da bilheteria, “Zootopia” virou fenômeno cultural na China. O parque da Disney de Xangai tem a única área dedicada a esses filmes em todo o mundo, com brinquedos, atores vestidos como os personagens e restaurantes temáticos.

A trama também foi pensada para ressoar simbolicamente na China. O novo protagonista, a cobra Gary De’Snake, busca justiça para os répteis, marginalizados na metrópole animal. O personagem virou uma obsessão no país. E não à toa —o longa estreou no fim do Ano da Serpente no zodíaco chinês, momento em que o animal ocupou o imaginário cultural dessa sociedade.

O filme faz outras referências à cultura do país. É o caso da cena em que Gary e sua família abraçam a coelha Judy Hopps, momento que foi relacionado à ideia de cobras enroladas em coelhos, símbolo cultural do norte da China para representar boa sorte.

Além da China, “Zootopia 2” foi bem também no Japão e na Coreia do Sul. A Ásia, como um todo, vem chamando a atenção da Disney desde que a empresa notou uma explosão de popularidade do alienígena de “Lilo e Stitch” por lá.

Isso foi há cerca de seis anos. O estúdio identificou no continente uma febre por criaturas animalescas de características antropomórficas, geralmente fofas e peludas, fenômeno hoje conhecido como “cultura furry”. É o caso dos protagonistas de “Zootopia”, a coelha Judy e a raposa Nick Wilde.

“Começamos a alimentar essa onda”, disse à Folha a executiva brasileira Mara Ronchi, líder de produtos de consumo no braço nacional da Disney, em entrevista no ano passado. “Investimos no varejo, fomos atrás de parceiros, trouxemos o Stitch para feiras de cultura pop, e montamos atrações em shoppings”.

“Zootopia” deve seguir no topo da cadeia alimentar da Disney e ganhar mais uma sequência, ainda não anunciada. Uma cena após os créditos do segundo filme sugere a aparição de aves na história.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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