7:03 AM
25 de janeiro de 2026

Como a saída oficial dos Estados Unidos da OMS poderá afetar a saúde global

Como a saída oficial dos Estados Unidos da OMS poderá afetar a saúde global

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Os Estados Unidos confirmaram, na noite de quinta-feira (22), sua saída definitiva da Organização Mundial da Saúde (OMS), privando a entidade do apoio de seu maior financiador e colocando em risco uma série de programas ao redor do mundo.

Segundo o governo norte-americano, a decisão veio como represália pela atuação da OMS durante a pandemia de covid-19. A gestão de Donald Trump acusa o órgão internacional de fracassar no manejo da crise sanitária, recusar-se a implementar “reformas necessárias” e de não atuar com independência ou transparência.

O processo de saída havia sido sinalizado por Donald Trump ainda em 2020, mas foi suspenso durante o governo de Joe Biden, que tomou posse no ano seguinte.

A retirada voltou a avançar quando o republicano retornou ao poder, em janeiro de 2025. Pela legislação estadunidense, o país poderia se retirar da OMS por decisão própria com aviso prévio de um ano, prazo que venceu agora.

Entenda as possíveis consequências da saída para a saúde global.

Qual era o tamanho dos EUA na OMS?

Os Estados Unidos eram o maior financiador global da OMS. Segundo dados do próprio governo norte-americano, o país contribuía obrigatoriamente com US$ 111 milhões anuais, como parte de sua colaboração básica como Estado-membro, mas também fornecia “contribuições voluntárias” a um valor médio de US$ 570 milhões por ano.

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Dados disponibilizados pela OMS detalham que, no biênio 2022/2023, ainda sob Biden, os EUA respondiam por quase 15,6% dos valores que ajudavam a manter a entidade, sustentada por verbas repassadas por nações que integram seu sistema e fundações públicas e privadas. Mas, em 2024/2025, já contemplando o primeiro ano do novo governo Trump e o início da retirada, esse peso do país caiu para 8,7% do orçamento total.

A OMS alega que os EUA ainda devem cerca de US$ 260 milhões à entidade relativos ao último biênio, que deveriam ser pagos antes da saída definitiva. O governo Trump, porém, afirma que não fará mais qualquer aporte à organização.

Além da contribuição em dinheiro, os EUA também participavam de centenas de programas vinculados à OMS, fornecendo infraestrutura e material humano para promover a saúde pública em escala global.

O que fica em risco agora?

A dimensão exata da saída dos EUA ainda está por ser vista. A situação é inédita: o país foi um dos primeiros membros da OMS, quando ela foi criada em 1948, e colaborou ativamente com a sua expansão nos 77 anos seguintes.

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Os impactos podem ser minimizados se outros países aumentarem suas contribuições para tapar o rombo deixado pela decisão de Donald Trump. Muitos especialistas e pesquisadores norte-americanos também devem seguir colaborando com a entidade independentemente do aval governamental.

Mas alguns exemplos de programas e iniciativas que podem ficar em risco pela redução das verbas ou a perda de coordenação com os EUA incluem:

  • Monitoramento de doenças infecciosas

O compartilhamento de informações oficiais entre os governos do mundo é chave para detectar precocemente o surgimento e a expansão de novas doenças, ajudando a evitar que epidemias saiam de controle e se tornem novas pandemias.

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Esse é um dos pontos mais preocupantes pela saída dos EUA da OMS: mesmo que o vazio de verbas seja sanado, o país tem a terceira maior população do planeta e, por ser a maior economia do mundo, recebe milhões de viajantes de todos os continentes anualmente. Interromper o compartilhamento de estatísticas e outras informações pode gerar apagões que atrasam a identificação de problemas, dificultando sua resolução.

Um dos impactos inesperados de uma relação mais precária na troca de informações pode ser uma defasagem no desenvolvimento da vacina da gripe. Ela é atualizada anualmente, com base nas cepas que foram predominantes na última temporada de influenza no mundo – um eventual apagão de dados dos EUA poderia diminuir o grau de certeza sobre quais tipos de vírus devem ser incluídos no imunizante do ano seguinte.

  • Proteção aos países mais pobres
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A ajuda da OMS é fundamental para países com poucos recursos e que não dispõem de um sistema de saúde pública robusto. Além de colaborar para minimizar os impactos de suas próprias doenças negligenciadas, esses cuidados ajudam a evitar que um problema restrito a regiões com pouca infraestrutura acabem escapando aos controles e cheguem a outras partes do planeta.

No último dia 13, o diretor-geral da OMS, Thedros Adanom, revelou que a entidade só garantiu 75% do seu orçamento para este ano até o momento. Sem a ajuda dos EUA, programas que ajudam a evitar a volta ou expansão de doenças como poliomielite, tuberculose e ebola, entre outras, precisam encontrar recursos em outros lugares.

  • Consequências geopolíticas

Em um primeiro momento, esse impacto será sentido principalmente pelos próprios EUA: sem o posto dominante conferido pela condição de maior doador da OMS, o país perde influência sobre a gestão da saúde pública em escala global.

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Nunca a OMS operou sem um grau de ingerência significativo de Washington, o que pode ser uma oportunidade para países que decidam cobrir o rombo deixado pela decisão do governo Trump. As consequências dessa virada, porém, só serão conhecidas no futuro.

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Fonte.:Saúde Abril

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