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27 de janeiro de 2026

Pesca da lula aproxima turistas da cultura caiçara – 27/01/2026 – Cotidiano

Pesca da lula aproxima turistas da cultura caiçara – 27/01/2026 – Cotidiano

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Pescador, nascido e criado em Paúba, praia em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, Felipe Bensdorp Aguiar, 46, explicou o motivo de ter aceitado sair para pescar lula na manhã da última terça-feira (20), quando a chegada de uma frente fria ao litoral paulista previa chuvas volumosas e ventos fortes. “Qualquer oportunidade de estar no mar, eu agarro.”

A bordo da lancha que usa para levar turistas a pontos famosos de São Sebastião, como a ilha do Montão de Trigo, viralizada nas redes sociais, o pescador separa o carretel de linha e os zangarilhos, uma espécie de gancho que serve de isca, usados para pescar lulas.

Ele explica que o verão é a melhor época para esse tipo de pesca porque as lulas surgem com mais frequência em águas quentes e claras. Por se abrigar em regiões costeiras, o pescado atrai barcos nesta época do ano para a baía de praia de Jabaquara, em Ilhabela, um dos principais pontos de pesca de lula do litoral norte.

Além dos tradicionais barcos de pesca, o ponto é frequentado por lanchas de turistas que passam o dia com as linhas dentro d’água a espera dos moluscos.

Pela facilidade do método, e a simplicidade dos materiais usados, a pesca da lula pode ser praticada de forma amadora, sem necessidade de licença, desde que seja feita com linha de mão e isca artificial, técnica caiçara tradicional. É proibido o uso de redes de pesca, segundo a secretaria do Meio Ambiente de São Sebastião.

Cada pescador amador pode transportar, no máximo, 15 quilos de pescado em águas marinhas, de acordo com norma municipal. O descumprimento pode acarretar sanções administrativas e penais.

Em caso de comercialização, é preciso ter o Registro Geral de Pescador Profissional (RGP) e a licença específica.

A pescaria da lula é melhor a noite, ensina Aguiar, quando o mar é iluminado pelas lanternas dos barcos. Na ocasião, são instalados uma espécie de varal com as linhas na lateral dos barcos para aumentar a produtividade. “A luz atrai os peixes pequenos que servem de alimento para as lulas”, diz o pescador. Ele diz que é habitual virar a noite a bordo nesta época do ano. No verão passado, ele conta ter pescado uma tonelada de lula.

Neste ano, ele considera que o volume será ainda maior. “Por aqui, a água estava gelada no ano passado, então deu mais em Ubatuba”, diz. Ele avalia que a temperatura da água em São Sebastião está mais quente do que no início do ano passado.

Como há abundância nesta época do ano, o quilo da lula baixa bastante de preço na revenda, explica o pescador, e chega a R$ 10. Por isso, ele conta que prefere repassar a pescaria e donos de restaurantes e amigos. “Sai direto do mar para a cozinha, às vezes nem passa pela geladeira.”

Diferente do visto habitualmente em peixarias em mercados, a lula sai do mar em uma tonalidade avermelhada e fica branca a medida que fica fora da água. A tinta preta, uma defesa contra predadores, é um dano colateral nesse tipo de pescaria.

Os barcos de pescadores que se reúnem na baía de Ilhabela têm como concorrentes os golfinhos, predador natural da lula. “Quando aparecem, eles levam um cardume inteiro”, diz Aguiar.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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