12:58 AM
30 de janeiro de 2026

Quais são as diferenças entre o vírus Nipah e a covid? Veja nova nota da OMS sobre surto na Índia

Quais são as diferenças entre o vírus Nipah e a covid? Veja nova nota da OMS sobre surto na Índia

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Autoridades de saúde da Índia confirmaram neste mês dois casos de infecção pelo vírus Nipah (NiV) no estado de Bengala Ocidental, no leste do país. Segundo o Ministério da Saúde indiano, os pacientes são profissionais de saúde: um homem, que está em recuperação, e uma mulher, em estado grave. Até o momento, não há registro de transmissão para outras pessoas.

Nesta quinta-feira (29), a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou uma nota com atualização sobre a situação. Na avaliação da entidade, o risco nacional, regional e global permanece baixo e, até agora, “não há evidências de aumento da transmissão de pessoa para pessoa”.

Ainda de acordo com a instituição, a Índia “demonstrou sua capacidade de gerenciar surtos de Nipah em eventos anteriores, e as medidas de saúde pública recomendadas estão sendo implementadas em conjunto por equipes de saúde nacionais e estaduais”.

Com isso, a OMS classifica o risco regional em Bengala Ocidental como moderado, devido à presença de reservatórios naturais do vírus — morcegos frugívoros — na região. Ainda assim, considera baixa a probabilidade de disseminação para outros estados indianos ou para outros países.

Quais as diferenças entre o vírus Nipah e o coronavírus?

O alerta sobre os casos na Índia trouxe à tona lembranças da pandemia de Covid-19. Embora os dois patógenos sejam classificados como vírus emergentes e possam causar quadros graves, especialistas destacam que existem diferenças relevantes entre eles.

Essas distinções tornam remota a possibilidade de uma pandemia global nos moldes da Covid-19, ainda que o risco não possa ser considerado inexistente.

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Apesar principal diferença entre o Nipah e o SARS-CoV-2 (tipo de coronavírus causador da Covid-19) está na forma de transmissão. “A infecção pelo Nipah Vírus requer contato mais íntimo e prolongado, relacionado aos fluidos corporais e frutas contaminadas pelo morcego regional dos locais onde há casos, por exemplo”, explica Fernando Dias e Sanches, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estudioso sobre o Nipah.

Isso contrasta com o coronavírus, que se espalha com facilidade por meio de partículas suspensas no ar.

Outro fator limitante para a disseminação do Nipah é própria a alta letalidade. “Os pacientes morrem antes de conseguirem transmitir a doença”, ressalta o virologista Benedito Fonseca, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

O vírus Nipah provoca inicialmente sintomas semelhantes aos de uma gripe, mas pode evoluir rapidamente para uma encefalite grave, com comprometimento neurológico, vascular e respiratório.

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Ele é, portanto, um agente com elevada mortalidade e, assim, menor capacidade de disseminação. Estima-se que a taxa de letalidade varie entre 40% e 75%, dependendo da detecção precoce e da qualidade do atendimento clínico.

A distribuição geográfica restrita mesmo ao longo de mais vinte anos (o vírus foi descrito pela primeira vez em 1999) também contribui para reduzir o risco global. “Surtos foram concentrados no sudeste asiático, onde existem os reservatórios naturais [morcegos do gênero Pteropus]”, observa Dias e Sanches.

Historicamente, os episódios registrados se limitaram em especial à Índia e a Bangladesh, ocorrendo de forma esporádica ou em pequenos agrupamentos.

Segundo a OMS, a transmissão entre pessoas é rara e costuma se restringir a ambientes de saúde ou a contatos familiares próximos. Também não há relatos de disseminação internacional associada a viagens.

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Para Fonseca, outra diferença muito importante entre o Nipah e o SARS-CoV-2 está na capacidade de adaptação aos seres humanos. Enquanto o primeiro surto de NiV ocorreu após porcos serem infectados pelos morcegos e, assim, repassarem a doença para os humanos, o coronavírus “não necessitou de um outro reservatório animal para manter a alta transmissão da doença”, afirma.

A expectativa, segundo o virologista, é de que o Nipah não apresente essa mesma facilidade de adaptação. Entretanto, ele alerta: “essa é uma doença nova e não sabemos, com certeza, para quantas pessoas um paciente infectado com o Nipah pode transmitir o vírus”, alerta. Até agora, porém, os especialistas consideram que essa chance é baixa.

+Leia também: Mundo dos vírus: quando vai ser a próxima pandemia?

Recomendações para a comunidade

Atualmente, não existe vacina licenciada nem tratamento específico para a infecção pelo vírus Nipah, embora diversos candidatos estejam em desenvolvimento.

O manejo clínico baseia-se no tratamento de suporte precoce, incluindo cuidados intensivos para complicações respiratórias ou neurológicas graves, medida essencial para aumentar as chances de sobrevivência.

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Por isso, a OMS reforça a importância da prevenção e do controle de infecções, especialmente em serviços de saúde, além da conscientização da população para reduzir o risco de exposição. Entre as principais orientações estão:

  • Utilizar roupas e luvas de proteção ao lidar com animais doentes, durante o abate ou no descarte;
  • Reduzindo o contato próximo desprotegido com indivíduos infectados e mantendo a higiene regular das mãos;
  • Controle de infecções em ambientes de saúde, com ventilação adequada, avaliação de riscos e uso apropriado de equipamentos de proteção individual no atendimento a casos suspeitos ou confirmados.

No mais, em nota, a entidade de saúde global afirma que continua a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades de saúde nacionais e estaduais na Índia “para apoiar a avaliação de riscos, a vigilância e os esforços de resposta a surtos”.

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Fonte.:Saúde Abril

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