
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Lula (PT) avisou a auxiliares que vai procurar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para tentar convencê-lo a disputar o Governo de Minas Gerais, o que garantiria um palanque forte para o petista no segundo maior colégio eleitoral do país.
Diante dos sinais contrários dados por Pacheco nos últimos meses, lulistas tentam buscar um plano B em Minas, com um leque de alternativas que inclui o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Leite (MDB), e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares.
Também são citadas as prefeitas de Contagem, Marília Campos, e de Juiz de Fora, Margarida Salomão, ambas petistas. As menções a Marília, porém, são mais frequentes para uma das duas vagas ao Senado.
Ao menos até aqui, o movimento não tem o aval de Lula. O presidente está convencido de que Pacheco é o nome ideal para a disputa no estado e pretende convidá-lo para uma conversa sobre seu destino político. O petista tem enaltecido o senador em conversas com aliados. Além disso, para a costura de um acordo, busca ajuda do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O diretório mineiro do PT também dificultaria uma possível aliança entre Lula e Cleitinho. Petistas do estado dizem que o senador dá sinais trocados e o veem como bolsonarista -no último fim de semana, por exemplo, Cleitinho apoiou a caminhada do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pela liberdade de Jair Bolsonaro (PL).
Além de Cleitinho, aliados do presidente também identificam no deputado estadual Tadeuzinho, presidente da Assembleia, um possível candidato ao governo estadual.
Recentemente, no entanto, Lula recomendou que o presidente do PT, Edinho Silva, adiasse a negociação com Tadeuzinho à espera de um aceno de Pacheco. A medida foi interpretada no entorno de Lula como um sinal de que as conversas com Pacheco poderiam evoluir.
Procurado, Tadeuzinho afirmou que hoje é pré-candidato a deputado estadual. O emedebista disse que passou os últimos meses focado na dívida do estado e que qualquer caminho diferente ao da reeleição será discutido a partir de agora com seu grupo político.
Minas Gerais tem o segundo maior eleitorado do Brasil, superado em tamanho apenas pelo de São Paulo. Tradicionalmente, o candidato a presidente que vence em solo minero é eleito. Desde 1945, só quem ganhou a Presidência apesar da derrota em Minas foi Getúlio Vargas, em 1950.
Lula e seus aliados avaliam que a eleição presidencial de 2026 será acirrada. Ter candidatos fortes a governador fazendo campanha pelo petista seria importante para ele não perder votos que teve nos estados em 2022. Naquele ano, Lula obteve 50,2% dos votos mineiros.
O presidente da República tem dito a aliados que ainda buscará ter mais conversas com Pacheco sobre a possibilidade de uma candidatura. Lula fala, nos bastidores, que quer contar com o senador para um projeto político amplo. Ele propõe a montagem de um palanque que dê segurança para que Pacheco assuma o desafio.
Aliados do petista avaliam que o senador do PSD poderia disputar o governo com uma chapa forte, tendo o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e Marília Campos como candidatos ao Senado. O ex-prefeito de BH Marcio Lacerda também tem sido assediado como possível vice de Pacheco -mesmo com o recado já dado a pessoas próximas de que não pretende voltar à vida pública.
Pacheco, por sua vez, vem afirmando a aliados que pretende encerrar sua trajetória política ao fim de seu atual mandato como senador, que acaba em fevereiro do ano que vem. Ele esteve entre os cotados para ser indicado a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal, no ano passado, mas o presidente acabou escolhendo Jorge Messias. Procurado pela reportagem, o parlamentar não quis se manifestar.
Caso decida concorrer a governador, Pacheco provavelmente teria que mudar de partido. O PSD, ao qual é filiado atualmente, agora abriga também o vice-governador Mateus Simões, que é pré-candidato ao governo com o apoio do governador atual, Romeu Zema (Novo).
Lula teria indicado a Pacheco que o melhor partido para ele concorrer, se assim decidir, seria o MDB. Uma eventual migração seria negociada por meio dos senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Renan Calheiros (MDB-AL).
Também haveria a possibilidade de Alcolumbre encontrar espaço para Pacheco no União Brasil. Nesse caso, seria necessário oferecer mais garantias ao senador. Uma das possibilidades seria, sempre por meio do presidente do Senado, tentar emplacar um aliado de Pacheco como presidente do diretório mineiro do partido.
Com o cenário indefinido, setores petistas de Minas Gerais discutem a possibilidade de lançar a reitora da UFMG, Sandra Goulart, como candidata ao governo. É pouco provável, porém, que Lula e a direção nacional do PT deixem a definição de uma candidatura majoritária no estado para a seção local do partido.
Petistas mineiros acham possível que Cleitinho não seja candidato e indique seu irmão, Gleidson Azevedo, prefeito de Divinópolis, como vice de Simões. O senador tem descartado essa hipótese.
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Fonte Noticias ao Minuto


