Apesar das novas restrições na política de imigração do governo Donald Trump, o índice de rejeição de vistos de turismo e negócios para brasileiros que desejam ir aos Estados Unidos não aumentou em 2025, ano que marcou o retorno do republicano à Casa Branca.
Nesse período, a taxa de recusa a brasileiros foi de 14,8%, ligeiramente menor que o registrado em 2024, quando o índice era de 15,4%. A análise engloba apenas vistos do tipo B1/B2 (turismo e negócios) e tem como base dados disponibilizados pelo Departamento de Estado dos EUA.
Desde 2006, início da série histórica disponível no site do governo americano, a taxa de recusas do documento para brasileiros apresentou variações significativas. Os menores índices de rejeição, em torno de 3%, foram registrados de 2011 a 2014.
A partir desse período, os números começaram a subir, culminando em um pico de rejeição de 23% em 2020, ano marcado pela pandemia de Covid-19. A partir de 2021, quando o democrata Joe Biden assumiu a Casa Branca, a taxa passou a ficar mais estável, oscilando de 11% a 14%.
Desde que retornou à Presidência no ano passado, Donald Trump adotou uma política mais rigorosa na concessão de vistos para viajantes que querem entrar no país. As medidas incluem desde verificação de redes sociais até triagem expandida dos candidatos.
Até o momento, porém, essas mudanças não parecem ter impactado de forma significativa os turistas brasileiros. O mesmo não ocorre com viajantes de países africanos, asiáticos e caribenhos, caso de Somália e Cuba, além de cidadãos palestinos.
Nesses casos, os índices de rejeição que já eram altos cresceram ainda mais.
A Micronésia liderou a lista do ano passado, com taxa de 100%. Entretanto, como não foram divulgados números absolutos, essa taxa pode refletir um universo reduzido de pessoas, o que exige cautela na interpretação dos percentuais. O mesmo vale para Palau, com rejeição de 80% —o país insular tem cerca de 17 mil habitantes.
Também estão no topo da lista Laos (84%), Somália (83%) e Sudão do Sul (76%). A comunidade somali no país virou alvo recente de Trump, que determinou o fim do status que permitia a cidadãos do país africano residir e trabalhar temporariamente nos EUA. O presidente anunciou que eles devem deixar o país até meados de março e disse que as pessoas vindas da Somália têm “QI muito baixo”.
Cuba é o país da América Latina que lidera os casos de rejeição, aparecendo em 11º lugar no ranking global, com taxa de recusa de 70%. O índice representa um aumento expressivo em relação ao ano anterior, quando a recusa estava em 53%.
Já a Venezuela, que agora vive uma aproximação com Washington após os EUA invadirem o país e derrubarem Nicolás Maduro, viu o índice saltar de 37% para 48% de 2024 a 2025.
A taxa de recusa de pessoas ligadas à Autoridade Palestina, entidade que governa parcialmente a Cisjordânia ocupada, também subiu 16 pontos percentuais, indo de 44% para 60%, de 2024 a 2025. Até mesmo o líder da entidade, Mahmoud Abbas, teve o visto negado no fim do ano passado para participar da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Ele teve de discursar por videoconferência.
O vizinho Canadá tem um índice de rejeição de 53% que, à primeira vista, pode soar estranho. O dado, porém, reflete o fato de que a maioria dos canadenses não precisa de visto para viagens de turismo de curta duração. Os pedidos envolvem casos específicos, como pessoas com antecedentes criminais ou histórico de violações migratórias, que precisam passar pela triagem.
Trump adotou uma política de repressão a imigrantes, que conta com batidas de agentes sem identificação em cidades por todo o país e a deportação até mesmo de pessoas com vistos válidos. Na política externa, a gestão do republicano também tem apertado cada vez mais o cerco contra potenciais imigrantes.
A Casa Branca anunciou em janeiro deste ano, por exemplo, o congelamento na emissão de vistos para cidadãos de 75 países, incluindo o Brasil, que queiram viver nos EUA. A decisão atinge apenas estrangeiros que planejam se estabelecer no país e não se aplica a turistas, estudantes de intercâmbio e profissionais com contratos temporários de trabalho.
Fonte.:Folha de S.Paulo


