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3 de fevereiro de 2026

Carioca guia visitas na Galeria Nacional de arte nos EUA – 03/02/2026 – Turismo

Carioca guia visitas na Galeria Nacional de arte nos EUA – 03/02/2026 – Turismo

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Uma voz ecoa na Galeria Nacional de Washington, nos Estados Unidos. Em português, ela passa por obras de Leonardo da Vinci, Pablo Picasso e Alexander Calder. É a voz da guia carioca Maria Amélia Ramaciotti, 72.

Há 30 anos, Ramaciotti oferece visitas guiadas neste que é um dos museus mais importantes do país. Tanto o trabalho dela quanto a entrada no museu são gratuitos. Pode, assim, ser uma boa companhia para os brasileiros que vêm conhecer a capital americana.

A Galeria Nacional foi estabelecida em 1937 como parte de uma celebrada rede de museus em Washington. “Temos a melhor coleção do Renascimento italiano nos Estados Unidos, além de excelentes obras holandesas do século 17”, diz Ramaciotti, a voz evidenciando a paixão.

O grande destaque da galeria é, sem dúvida, o retrato de Ginevra de’ Benci —o único quadro de Leonardo da Vinci em todas as Américas. Foi comprado em 1967 por 5 milhões de dólares, um recorde naquela época.

“É a maneira mais fácil e barata de ver um Da Vinci de perto e saber por que é tão famoso”, diz Ramaciotti. Ao contrário do que acontece com a Mona Lisa, por exemplo, não costuma haver rebuliço ao redor desse quadro. É comum, inclusive, que não haja outros visitantes.

Ramaciotti chegou a esse emprego por acaso. Veio morar em Washington nos anos 1980, acompanhando o marido, que era economista do FMI. Um dia, em 1988, uma amiga a flagrou lendo um livro de arte e perguntou se não queria guiar crianças pelo museu.

Foi aprovada no processo seletivo e passou pelo treinamento obrigatório, formando-se em 1989. Não tinha, até então, nenhuma experiência formal com arte ou museus. No Brasil, Ramaciotti havia estudado comunicação e publicidade. Mas foi aprendendo enquanto mostrava as obras da Galeria Nacional para as crianças.

Em 1995, decidiu oferecer visitas guiadas para adultos, em português. Como era um programa separado, precisou passar por outro processo seletivo e por mais treinamentos. Estreou no mesmo ano e segue por ali.

“Você deve ter percebido, durante a visita, o prazer que sinto”, diz Ramaciotti. De fato. No tour acompanhado pela reportagem, a carioca não parecia ter pressa alguma. Subia e descia as escadas, mostrando suas obras favoritas. “Gosto de falar sobre esses quadros maravilhosos.”

Ramaciotti fala não só dos quadros e das esculturas, mas também conta a história do museu. O prédio original foi projetado por John Russell Pope em estilo neoclássico, com mármore do Tennessee. Já a expansão de 1978 foi assinada por I. M. Pei, usando modernos padrões triangulares.

Foi na Galeria Nacional de Washington, inclusive, que o celebrado arquiteto chinês-americano I. M. Pei testou as pirâmides de vidro —técnica que ele usou uma década depois no Museu do Louvre, em Paris.

“Continuo aprendendo todos os dias”, diz Ramaciotti. Como parte do acordo com o museu, ela participa de treinamentos periódicos. Tinha acabado de fazer um curso na semana em que conversou com a reportagem. “Vamos conhecendo toda a coleção. É muito gratificante.”

Ramaciotti é uma das únicas coisas brasileiras por ali. Além dela, nas últimas semanas, havia uma obra de Vik Muniz exposta. Há também uma pintura do holandês Frans Post, retratando uma paisagem do Nordeste. É um empréstimo de uma universidade americana, no entanto.

A maneira mais fácil de agendar uma visita com Ramaciotti é escrever um email para ela neste endereço: copamaria@yahoo.com. Os tours podem ser individuais ou em grupo. Ela pode passar pelos destaques do museu ou se concentrar em uma área específica, a depender dos pedidos.

Se for a primeira vez, vale a pena enfocar os clássicos europeus —incluindo o inescapável Da Vinci— e aproveitar para conhecer também os modernos americanos. A Galeria Nacional é, no fim das contas, a casa deles. Os móbiles gigantes de Calder são especialmente impressionantes, equilibrando a delicadeza do desenho com a dimensão dos elementos.

“Todo o mundo vai ao Metropolitan e ao MoMa, mas não faz questão de vir à Galeria Nacional”, diz Ramaciotti, referindo-se aos museus nova-iorquinos que os brasileiros costumam visitar. “Eu acho isso um erro!”



Fonte.:Folha de S.Paulo

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