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5 de fevereiro de 2026

Tomate italiano: qualidade ou marketing? – 05/02/2026 – Cozinha Bruta

Tomate italiano: qualidade ou marketing? – 05/02/2026 – Cozinha Bruta

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Não dá para negar que a Itália exporte bons alimentos –às vezes ótimos, outras vezes excepcionais–, do macarrão aos embutidos, passando pelo queijo e pelo vinho.

Ocorre que a percepção da qualidade dessas comidas acaba distorcida porque os italianos são igualmente bons em agregar valor aos seus produtos. Eis uma expressãozinha detestável do marketing: ela diz respeito a atributos intangíveis (e não raro fabricados) que o bom vendedor cola à etiqueta da mercadoria.

Falamos de tradição, de exclusividade, de singularidade. Os italianos tentam nos fazer acreditar que apenas eles são capazes de atingir determinado patamar de excelência quando o assunto é produção de alimentos.

Claro que não dá para fazer o vinho Brunello di Montalcino em Jundiaí. Em boa parte dos artigos, porém, a Itália não é esse alecrim dourado que o storytelling pinta.

Bicho, os italianos têm uma lábia tão boa que conseguem convencer o mundo de que uma pasta de açúcar e óleo, com 13% de avelã e 7% cacau, é uma iguaria.

E há o tomate, fruto andino que os italianos levaram para casa e transformaram em símbolo de sua culinária.

Acredita-se que só o clima e o solo do sul da Itália são capazes de gerar tomates de qualidade para serem enlatados. Uma indústria brasileira, como mostrou reportagem da Folha, diz que não é bem assim: quer se equiparar aos italianos com tomate enlatado nacional.

Difícil que não haja, num país do tamanho do Brasil, lugar com boas condições para se plantar tomate. A genética que a Itália desenvolveu está no mercado de sementes, e processos industriais são replicáveis em qualquer canto.

Não encontrei ainda os tomates tecnológicos da tal empresa. Provei tomate da mesma marca, mas provavelmente de uma geração anterior, com outro rótulo. Era bem ruinzinho, mas o salto de qualidade não tem nada de impossível se os caras realmente se empenharam e investiram nisso.

Já cozinhei com tomates frescos, comprados no auge da temporada do tomate, em um bom mercado na Itália. Digo, com segurança, que não eram melhores do que os tomates que pego toda semana na feira orgânica do parque da Água Branca –quando maduros, deixam os pomodori pelati no chinelo.

Foi com estes tomates que fiz uma receita muito simples para realçar o sabor de uma boa hortaliça: pão com tomate, clássico espanhol que pede apenas ingredientes de qualidade.

Rendimento: 2 porções

Dificuldade: fácil

Tempo de preparo: 40 minutos

Ingredientes

  • 2 tomates maduros
  • 1 colher (chá) de sal
  • 2 fatias de baguete
  • 1 dente de alho
  • Azeite extravirgem e pimenta-do-reino a gosto

Preparo

  • Corte os tomates ao meio no sentido longitudinal. Rale a polpa nos buracos grossos do ralador. Descarte as peles

  • Misture o sal à polpa de tomate. Deixe por meia hora numa peneira, para drenar a água

  • Toste um lado dos pães numa frigideira bem quente. Corte o alho ao meio e o esfregue no pão tostado

  • Distribua a polpa de tomate no pão, regue com azeite e tempere com pimenta-do-reino


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Fonte.:Folha de S.Paulo

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