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Introdução
Um estudo alemão recente publicado na Nature Communications revelou que apenas dois dias de uma dieta quase exclusiva de aveia podem reduzir o colesterol LDL em 10%, com efeitos duradouros. A pesquisa, apesar de inicial, lança luz sobre o potencial de intervenções dietéticas pontuais no controle do colesterol. Entenda os achados e as ressalvas.
- Dieta radical de aveia por 2 dias reduziu o colesterol LDL (o “ruim”) em cerca de 10%.
- Os benefícios na redução do LDL persistiram por seis semanas após o período de alimentação restritiva.
- O estudo sugere a hipótese de resultados significativos com medidas extremas, mas pontuais, na alimentação.
- A pesquisa é inicial, realizada com um grupo pequeno de participantes, e a dieta é considerada insustentável a longo prazo.
- Fibras alimentares, como as da aveia, são cientificamente comprovadas por ajudar na regulação do colesterol e na saúde intestinal.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Propondo uma alteração radical (mas curta) na dieta, um estudo publicado em janeiro por pesquisadores alemães reforçou o potencial da aveia como uma alternativa para controlar o colesterol: após somente dois dias com uma alimentação baseada quase exclusivamente no cereal, o grupo submetido ao teste teve uma queda de cerca de 10% em seus níveis de LDL, o “colesterol ruim”.
A pesquisa, divulgada na Nature Communications, envolveu um grupo pequeno de participantes e propôs um tipo de alimentação vista como insustentável em um prazo mais longo, em função da falta de outros itens no prato, mas lançou luz sobre uma hipótese contraintuitiva que os cientistas ainda prometem testar: a possibilidade de obter resultados mais significativos no controle do colesterol com medidas extremas, mas pontuais, do que com uma adequação mais duradoura na alimentação.
Resultados da pesquisa
O resultado mais chamativo do estudo envolveu uma mudança drástica na dieta: por dois dias, participantes do grupo que testou o potencial da aveia foram orientados a se alimentar de forma quase exclusiva com o cereal. Eles deveriam fazer três refeições diárias com flocos de aveia fervidos em água, chegando a 300 gramas do alimento por dia, podendo adicionar apenas frutas ou vegetais, caso desejassem.
Além da restrição alimentar, esse grupo também passou a comer metade das suas calorias habituais. O grupo controle fez o mesmo em relação às calorias, mas não tinha limitações quanto aos tipos de comida que poderia consumir.
Os participantes selecionados para o estudo tinham gordura abdominal, e nos dois casos se beneficiaram do déficit calórico, mas o efeito na saúde geral foi mais pronunciado entre os que comeram aveia: uma queda média de 10% nos níveis do LDL, além de uma queda média de 2 kg no peso corporal e uma leve redução na pressão arterial.
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O mais notável, porém, aconteceu quando essas pessoas foram testadas novamente seis semanas após o período de adequação alimentar: os impactos benéficos no colesterol seguiam presentes entre aqueles que se alimentaram com aveia por dois dias e reduziram as calorias no período recente.
Mais do que isso: seu LDL ainda tinha uma queda média mais significativa do que a vista em pessoas que comeram 80 gramas de aveia por dia ao longo das seis semanas inteiras, mas sem fazer outras adequações na rotina.
Para os pesquisadores, esse achado sinalizou a possibilidade de uma análise complementar, que ainda deve ser realizada: se é possível sustentar a queda no LDL a longo prazo fazendo a “dieta da aveia” só esporadicamente, ou seja, reservar dois dias para consumi-la de forma quase exclusiva a cada seis semanas, mas sem impor restrições tão severas no resto do tempo.
Limitações do estudo
Apesar de trazer achados interessantes, o estudo deve ser lido com cautela. Em primeiro lugar, pelo seu tamanho extremamente reduzido, insuficiente para chegar a conclusões estatisticamente relevantes: apenas 32 pessoas concluíram o acompanhamento que durou dois dias (17 no grupo que comeu aveia, 15 no grupo controle); já no teste de seis semanas, foram 34 pessoas (17 em cada grupo).
Além disso, as mudanças radicais no estudo que durou dois dias vão contra as recomendações mais consensuais envolvendo dietas e nutrição, que contraindicam medidas extremas e preconizam adequações sustentáveis no longo prazo.
Pode até ser que passar dois dias comendo só aveia seja bom para o colesterol (e mais estudos são necessários para afirmar se esse efeito se mantém além das seis semanas), mas essa restrição alimentar, mesmo temporária, pode produzir outros impactos deletérios e imprevisíveis na saúde.
É bem documentado por outros estudos, por exemplo, que a adoção de dietas restritivas pode produzir um efeito rebote que leva à compulsão alimentar. Mesmo que neste caso a restrição tenha durado apenas dois dias, um estudo mais longo e com mais participantes poderia, em tese, demonstrar que os efeitos benéficos da alimentação com aveia viriam a ser anulados por eventuais exageros dos participantes ao voltar à rotina alimentar.
Como a pesquisa em questão não reproduz a complexidade de cenários, ela deve ser encarada como os próprios autores indicam: um trabalho inicial, que aponta caminhos para dar sequência aos estudos na área, mas que não estabelece verdades definitivas.
Fibras realmente ajudam a regular colesterol
Mesmo com as ressalvas em torno do novo estudo exaltando os benefícios da aveia, já está bem demonstrado cientificamente que uma dieta com bons níveis de fibras alimentares realmente ajuda a saúde de diversas formas – pontos mais conhecidos incluem o bom funcionamento intestinal e as regulações dos níveis de glicose e do próprio colesterol, como reafirmado pela nova pesquisa.
Especificamente em relação à aveia, as pesquisas têm demonstrado que o consumo desse cereal parece influenciar a composição da microbiota intestinal, o que poderia ser a chave por trás do metabolismo do colesterol e da redução dos níveis do LDL.
No entanto, até o momento, a melhor forma de chegar lá continua sendo por meio de uma alimentação equilibrada ao longo do tempo, de preferência aliada a outros hábitos saudáveis, como a prática regular de exercícios físicos.
O colesterol, afinal, é apenas uma das facetas da saúde que são influenciadas pelo prato de comida, e para obter um bom equilíbrio de macronutrientes, vitaminas e minerais, o mais recomendado é montar um plano alimentar que funcione para sua rotina e seus objetivos, com o máximo possível de variedade.
Fonte.:Saúde Abril


