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6 de fevereiro de 2026

São Francisco Xavier: o que fazer na cidade perto de SP – 06/02/2026 – Turismo

São Francisco Xavier: o que fazer na cidade perto de SP – 06/02/2026 – Turismo

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Em vários aspectos, São Francisco Xavier se parece com outras cidadezinhas charmosas da serra da Mantiqueira, cercadas de montanhas, onde as paisagens inspiram descanso.

Uma vez que se cruza o portal da cidade, pintado de verde-maçã, o visitante percorre uma rua principal ladeada por lojinhas e restaurantes até chegar à praça da igreja. No centro dos jardins, ergue-se o coreto.

O pequeno núcleo urbano, se é que o conceito se aplica àquele vilarejo de 1.400 habitantes, resume-se a uma meia dúzia de ruas, cujas casas vão rareando até desaparecer no ton sur ton dos verdes da mata atlântica.

Faz um friozinho convidativo, com noites frescas até durante o verão, mas nada comparável às temperaturas baixas dos destinos de inverno mais bombados da Mantiqueira. O centro está a 720 metros de altitude, em média, e esquenta um bocado nos dias ensolarados.

Estabelecidas as semelhanças, vamos às particularidades. Bastam dois ou três dias de permanência na cidade, em contato estreito com os moradores, para entender que São Chico guarda jeitão de roça, mas foi transformada pela turma que desembarcou por lá recentemente —gente que já frequentava o lugar, nos fins de semana, e chegou de mala e cuia durante a pandemia.

Miriam Schuartz, escritora e terapeuta somática, passou oito anos indo e vindo até fincar o pé de vez, em 2020. O restaurante que ela abriu, a Casa Imã, é lugar para comer, mas também para dançar e respirar, sentar no jardim diante do lago, participar de oficinas de ioga, cerâmica e constelação familiar.

“A pandemia trouxe muitos artistas, músicos e terapeutas para cá. São pessoas que já tinham carreiras consolidadas fora daqui e alto poder aquisitivo”, ela resume.

A poucos passos da Casa Imã, o diretor de fotografia José Mário Fontoura, o Zema, comanda a quadra do Areias da Serra Beach Tennis, assim como o trailer anexo, que vende cervejas locais. Frequentador da cidade há 15 anos, Zema trocou de endereço definitivamente há 4 anos.

“Sou tenista, gosto do esporte e de cerveja e não me via mais trabalhando dentro de um lugar fechado”, ele explica. A dupla chinelos e bermudas virou uniforme de domingo a domingo.

O arquiteto Ricardo Caminada não se desligou totalmente da capital, mas está quase lá. Desde 2024, ele e o marido, Marcelo Tambasco, mantêm um wine bar na rua principal, o Ori Oca Vinho & Design, onde o grupo de amigos se reúne ao fim da tarde, sem precisar combinar.

Uma viela na lateral do wine bar leva ao escondido Kakure Izakaya. O dono, Pablo Matsutoshi Abe, é nascido e criado em São Chico, mas passou pela cozinha do Aizomê, em São Paulo, antes de empreender na terra natal.

A frequência do bar japonês, com mesas ao ar livre em um quintal, comprova que São Francisco Xavier não é uma cidade turística como as outras. “Meu público é 80% local, gente que se mudou nos últimos anos.”

Também cria da terra, Alexis Bot é cervejeiro artesanal e, em 2025, adquiriu o brew pub SP-50, outra parada obrigatória na rua principal. Sozinho no comando dos tanques e das torneiras, ele produz de 12 a 15 estilos, dependendo da época, e recebe visitantes interessados em conhecer a produção.

Reinaldo Fredianelli, egresso do mercado financeiro, preferiu se instalar nos arredores. Subiu a 1.250 metros de altitude e, em um terreno inclinado a 10 km da praça da igreja, instalou a pousada A Rosa e o Rei.

As duas cachoeiras que nomeiam a pousada são a principal atração, mas os hóspedes dos 13 chalés desfrutam de piscina, sauna, restaurante e espaço para prática de tai chi chuan.

“A nossa alta temporada era o inverno, mas já noto uma procura cada vez maior no verão. Recebo pessoas de 30 a 65 anos que querem fugir de calor e trânsito”, diz.

Não foram só os empresários e executivos endinheirados que chegaram em bando —nos últimos anos, São Chico virou point gay 50+. A programação cultural é diversa. Vai de shows intimistas de jazz ao espetáculo das drag queens Thelores e Alexia Twister, que costumam se apresentar no Pangea Bar.

Sem vida administrativa independente, São Francisco Xavier é distrito de São José dos Campos, a cidade mais rica e desenvolvida do Vale do Paraíba, o que garante um padrão de vida elevado aos moradores.

“O posto de saúde da cidade tem equipamentos modernos e UTI móvel 24 horas. Parece o (Hospital Albert) Einstein“, compara Caminada.

Mas as comparações com a cidade grande param por aí. Quem é de São Chico, ou escolheu viver ali, preza outro tipo de luxo.

A Casa Nynho, que se apresenta como livraria e papelaria afetiva, é cenário de lançamentos e outros convescotes. A educadora Fabiane Vitiello reservou um canto da loja para os livros amaciados, ou seja, que já foram lidos por alguém e podem ser comprados por uma pechincha.

Sobre o horário de funcionamento da Casa Nynho, o marido de Vitiello, Eduardo Ferreira, vai logo avisando: não tem. E se alguém precisa comprar um livro de repente? “A gente explica onde está a chave, a pessoa entra, pega e paga depois.” Simples assim, como a alma de São Chico.

Alquimistas da Serra (@alquimistasdaserra)

Largo São Sebastião, 18, Centro.

Bebidas de destilaria própria dividem as prateleiras com cogumelos frescos, cosméticos e itens decorativos.

Ametista Empório Criativo (@ametistaemporiosfx)

R. 15 de novembro, s/nº, Centro.

Tâmaras recheadas com castanha-de-caju ou com pistache, cobertas com chocolate, custam R$ 10 e R$ 12. Sodas probióticas artesanais têm sabor de limão-siciliano ou morango (R$ 18 e R$ 19).

Areias da Serra Beach Tennis (@areiasdaserra)

Estrada de Santa Bárbara, 330, Santa Bárbara.

O day use, das 9h às 17h, sai por R$ 70, com 50% às quartas-feiras. Quem quiser contratar professor paga mais R$ 70 por hora.

Associação de Produtores (@associaçãodeprodutoresspx)

R. 15 de novembro, 900, Centro.

A loja vende pães e bolos da Chácara Três Torres, geleias e conservas Chiquita Bacana, cervejas Santa Esbórnia, aquarelas e bordados de Raquel Wohnreth, entre outros produtos locais. Aos sábados, tem almoço com música ao vivo.

Boho Home (@boho.home.sfx)

R. 15 de novembro, s/nº, Centro.

Boa parte das cerâmicas, utensílios de mesa e cozinha, camisas bordadas, bolsas e crochês é produzida por artesãos locais.

Casa com História (@casa.comhistoria)

R. 15 de novembro, 28, Centro.

Louças, roupas e peças decorativas de tecido pintadas à mão por Junia Melluns.

Casa Imã (@casaimasfx)

Estrada de Santa Bárbara, 330, Santa Bárbara.

A salada da horta (R$ 42) pode vir antes do mignon à milanesa com salada de batatas (R$ 75). Aberto desde as 10h, o restaurante também serve itens de café da manhã.

Casa Nynho

R. 15 de novembro, 252, Centro.

O misto de livraria e papelaria, tem espaço infantil e realiza eventos em torno da leitura. No espaço anexo, funciona a loja de camisetas Barbutino, com venda de cafés e cervejas locais.

Ceramica M’LiVoltä

Largo São Sebastião, 85, Centro.

Temáticas locais, como as araucárias, são destaque na obra da artesã Ligia Malavolta, que recebe pessoalmente os visitantes.

Com Tato (@com_tato_sfx)

R. 15 de novembro, 63, Centro.

O coletivo reúne roupas e acessórios Mulherão, desenhos e bordados A4 Manualidades, cerâmicas da Afagaterra, mandalas de Miriam Levinbook e peças de marcenaria do Barracão do Jabú.

Kakure Izakaya (@kakure_izakaya)

R. 15 de novembro, 77, Centro.

O bar do chef Pablo Matsutoshi Abe, bem escondido, tem como carro-chefe o katsu sando (R$ 49).

Ori Oca Wine Bar (@orioca_sfx)

R. 15 de novembro, 87, Centro.

Degustações de vinhos e a programação cultural são divulgados pelo Instagram.

Pangea Bar (@pangea_sfx)

R. 15 de novembro, 97, Centro.

O menu compõe-se de pizzas, petiscos e pratos substanciosos – a intensa programação musical é divulgada através do Instagram.

Pousada A Rosa e o Rei (@arosaeorei)

Estrada Municipal do Rio Preto, km 3,5.

O restaurante da pousada recebe não hóspedes. Os pratos têm pegada saudável, como o estrogonofe de cogumelos com arroz integral (R$ 98). Diária para casal, com café da manhã, a partir de R$ 1.800.

SP-50 (@sp50bier)

R. 15 de novembro, 427, Centro.

Aberto de sexta a domingo, o brewpub vende suas cervejas artesanais em garrafas de 500 ml (R$ 21 a R$ 28) ou nas torneiras – o copo de 300 ml custa entre R$ 14 e R$ 18.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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