6:07 AM
8 de fevereiro de 2026

(Des)controle: novo filme alerta para o perigo do alcoolismo feminino

(Des)controle: novo filme alerta para o perigo do alcoolismo feminino

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A escritora de livros infantojuvenis Kátia Klein (Carolina Dieckmmann) passa boa parte dos 97 minutos do filme (Des)controle, que estreia quinta-feira, dia 5, repetindo que não bebe há quinze anos.

Na balada LGBTQIAPN+, no carro de aplicativo, no chafariz da praça. Mais adiante, numa reunião dos Alcoólicos Anônimos (AA), ela descobre, através do relato fictício de um membro da irmandade, que o alcoolismo é a doença da negação.

“A negação é um mecanismo de defesa”, explica a psicóloga Rachel Barbosa, diretora da Associação Alcoolismo Feminino (AF). “Kátia custa a admitir que não está no controle de sua vida. Assumir o transtorno pode trazer medos e inseguranças. ‘Será que vou perder o emprego?’ ou ‘Será que vão tirar meus filhos?’. Por isso, a protagonista, após sofrer uma recaída, repete para si mesma: ‘É só uma tacinha’ ou, então, ‘É só para ter inspiração’”.

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Um problema social retratado no cinema

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Carolina Dieckmann vive escritora em crise em novo longa (Mariana Vianna/Divulgação)

O argumento do filme é da produtora Iafa Britz, responsável pela trilogia Minha Mãe É Uma Peça, estrelada pelo ator Paulo Gustavo. “Ele nasceu de uma vivência. Durante a pandemia, tive uma recaída. Mas, o filme não é autobiográfico”, ressalta Britz.

“É extraordinário falar de um problema social através de uma obra cinematográfica. Há muita gente por aí que sofre de alcoolismo e não sabe o que fazer por medo, culpa ou vergonha”.

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Antes do início das filmagens, Britz agendou uma sessão virtual do A.A. com a equipe e o elenco. Às voltas com ensaios e locações, a diretora e roteirista Rosane Svartman perguntou: “Para quê? Estamos sem tempo!”

Terminada a reunião, alguns membros da equipe pediram ajuda. “É um filme que diverte e emociona. Mas, também faz a sociedade pensar. Traz ferramentas que podem ajudar as pessoas a superarem o vício”, acredita Svartman.

Versão sóbria x versão alcoolizada

No longa, Dieckmmann praticamente interpreta duas personagens: Kátia e Vânia. “Quando bebe, Kátia se transforma em outra pessoa. Vânia é a versão alcoolizada da Kátia. Naquele estado, nem o filho reconhece a mãe”, lamenta a atriz.

“Para interpretar a personagem, li livros, vi filmes, participei de reuniões… Até uma preparadora de corpo, para saber como me comportar em cena, eu tive. Não queria transformar a Vânia em uma caricatura”.

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Até tomar consciência e pedir ajuda, Kátia esquece a bolsa na geladeira, esconde garrafas pela casa, engravida e não sabe quem é o pai da criança. Para piorar a situação, ela ainda bate com o carro e põe a vida dos filhos em risco. “Não é só o alcoolista que adoece. O entorno dele também cai doente”, afirma a atriz Júlia Rabello, que dá vida a Leo, a melhor amiga e agente literária de Kátia. “Existem grupos que dão suporte a amigos e familiares”.

Dependência química e dependência tecnológica

(Des)controle chama a atenção para outro grave problema social: a dependência tecnológica. Kátia usa o celular em todo lugar e a qualquer momento: na reunião dos pais, na hora de dormir e até quando transa com o marido, Zeca (Caco Ciocler).

“Volta e meia, penso: ‘No fim de semana, vou me desconectar’. Quando vejo, fiquei sei lá quanto tempo no aparelho. Sabe aquele aplicativo que mostra o tempo de uso? Então, nem olho”, brinca a diretora Carol Minêm.

Mas, será que assistir a um filme sobre dependência química como (Des)controle pode servir de “gatilho” para quem está em recuperação? Segundo a psicóloga Cláudia Leiria, cofundadora da Associação Alcoolismo Feminino, os “gatilhos” variam de uma pessoa para a outra, e dependem do processo de recuperação de cada um.

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“Gatilhos são situações internas ou externas que colocam a pessoa em estado de risco iminente para o álcool”, define a especialista.

São exemplos de “gatilhos”:

  • Estados emocionais positivos (alegria e recompensa, por exemplo);
  • Estados emocionais negativos (frustração e ansiedade);
  • Problemas físicos ou psicológicos (insônia e cansaço);
  • Hábitos adquiridos com o consumo (happy hour da firma);
  • Horários de risco (sábado, domingo e feriado);
  • Situações difíceis (discussão, luto ou doença);
  • Pressão social (quando os amigos insistem para beber).

“O tratamento psicoterápico ajuda o paciente a identificar os gatilhos que despertam a vontade de beber, antecipar situações que podem desencadear crises e, principalmente, lidar com essas situações sem consumir álcool. Treinar habilidades de enfrentamento e desenvolver comportamentos assertivos são algumas estratégias. Assim, mesmo assistindo a um filme sobre alcoolismo, é possível evitar a recaída”, tranquiliza Leiria.

 



Fonte.:Saúde Abril

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