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10 de fevereiro de 2026

Bad Bunny: conheça o bar favorito do cantor em Nova York – 09/02/2026 – Turismo

Bad Bunny: conheça o bar favorito do cantor em Nova York – 09/02/2026 – Turismo

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Em uma parte de Williamsburg, no Brooklyn, transformada nos últimos anos por prédios de apartamentos modernos e restaurantes de comida rápida casual, uma porta discreta na Grand Street é a entrada do Caribbean Social Club (ou simplesmente Toñita’s), um dos últimos redutos porto-riquenhos desse tipo em Nova York. Aqui, os clientes bebem cervejas de US$ 3 e jogam dominó, ou ficam sentados conversando enquanto comem pratos gratuitos como arroz con gandules.

As paredes estão repletas de bandeiras de Porto Rico e retratos da dona do bar e figura matriarcal, Maria Antonia Cay, mais conhecida como Toñita —que participou do show de Bad Bunny no Super Bowl deste domingo. Ela abriu o lugar nos anos 1970 como um ponto de encontro exclusivo para membros do time de beisebol do bairro. Em 2000, ela obteve uma licença para vender álcool e abriu o espaço para todos, com bebidas baratas e pratos porto-riquenhos que ela prepara na cozinha do seu apartamento no andar de cima —ela comprou o prédio décadas atrás.

“Me lembra de casa”, disse Djali Brown-Cepeda, arquivista e cineasta que administra a conta do Instagram Nuevayorkinos.

À medida que bairros como Williamsburg passam por gentrificação, e os negócios geridos ou frequentados por pessoas não-brancas fecham, muitas dos que cresceram ali temem perder os espaços comunitários onde podem falar espanhol, dançar e jogar. Cay disse que já lhe ofereceram milhões de dólares pelo prédio, mas ela não vai vender.

Algumas dezenas de frequentadores fizeram uma manifestação em frente à Prefeitura, em Manhattan, depois que a visita de um fiscal da cidade alimentou essas preocupações em 2023. Cay disse que o fiscal pediu pequenos reparos, que ela concluiu. A cidade também recebeu pelo menos 10 reclamações de barulho sobre o clube naquele mesmo ano.

“Eu não estava preocupada” em ser fechada, disse Cay, de 83 anos, em espanhol. “Vou ficar aqui com meu povo enquanto puder. Isso não é para eu ganhar dinheiro ou fazer fortuna. É para manter um espaço para todos nós estarmos juntos.”

O clube, que por décadas foi uma espécie de segredo local, recentemente atraiu a atenção de celebridades como Maluma e Madonna, que fizeram um ensaio fotográfico conjunto lá para a Rolling Stone em 2021. O reggaetonero Bad Bunny também visitou o local e deu um abraço em Cay.

Na maioria das noites, Cay comanda o show de um banquinho de bar nos fundos. Suas unhas estão sempre impecáveis e seu cabelo loiro está perfeitamente arrumado, mesmo quando as duas salas ficam mais quentes conforme a noite avança. Ela diz que a aposentadoria não está no seu horizonte e não sabe quem pode assumir quando ela se for.

Seus clientes defendem Cay como se ela fosse a própria abuela, ou avó, disse Brown-Cepeda.

“Temos que proteger essa mulher, temos que proteger esse lugar. É sagrado”, ela disse, acrescentando que pessoas não-brancas estavam “muito cansadas” de ver a chegada de incorporadores e a partida de negócios locais mais antigos, como o restaurante Chino Latino.

Clubes sociais como esses são populares há muito tempo em Cuba e Porto Rico, e começaram a abrir por toda a cidade de Nova York nos anos 1920, quando os imigrantes chegaram, disse Nancy Raquel Mirabal, professora da University of Maryland e autora de “Suspect Freedoms”, um livro de 2017 sobre imigração cubana e política em Nova York.

No início, esses clubes eram lugares para as pessoas se reunirem para falar espanhol, comer sua própria comida e discutir política. Mais tarde, eles se tornaram um centro para fazer networking, aprender inglês e adquirir novas habilidades profissionais; alguns até ofereciam acesso a plano de saúde. Na última metade do século, os clubes atraíram pessoas de muitas culturas latinas.

Em seu romance best-seller de 2022 “Olga Dies Dreaming”, a autora Xochitl Gonzalez dedica um capítulo ao Toñita’s, que ela chama de Sylvia’s Social Club. Ele é administrado por uma glamorosa mulher porto-riquenha que trata seus clientes como se fossem visitas em sua casa. Gonzalez, que foi criada em Sunset Park, no Brooklyn, frequentava o Frank’s Cocktail Lounge, um estabelecimento de proprietários negros em Fort Greene, Brooklyn, que fechou em 2020, quando era jovem adulta.

“É mais do que apenas um bar”, disse Gonzalez, que é redatora da revista The Atlantic. “É um lugar onde tantos aspectos da cultura são preservados. Às vezes, a influência porto-riquenha nesta cidade foi tornada tão invisível que vão sentir nossa falta quando não estivermos mais aqui.”

Este artigo foi publicado originalmente no The New York Times em junho de 2023.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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