11:24 AM
10 de fevereiro de 2026

PF cita gestão fraudulenta e diz que aliado de Alcolumbre destinou dinheiro ao Master sem exigir documentos

PF cita gestão fraudulenta e diz que aliado de Alcolumbre destinou dinheiro ao Master sem exigir documentos

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(FOLHAPRESS) A Polícia Federal afirma que a destinação de recursos da Amprev, a previdência dos servidores do Amapá, ao banco Master ocorreu de forma acelerada, sem cautelas técnicas e com desprezo a alertas internos sobre riscos do investimento. Segundo a PF, as deliberações foram tomadas em menos de 20 dias e resultaram em aportes que somaram R$ 400 milhões.

De acordo com a investigação, o então diretor-presidente da Amprev e coordenador do comitê de investimentos, Jocildo Silva Lemos, teve papel central na condução das reuniões realizadas em julho de 2024 e na execução das decisões aprovadas. A polícia aponta que ele liderou o processo decisório que viabilizou as aplicações.

Jocildo já atuou como tesoureiro da campanha do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e foi indicado ao cargo na Amprev pelo senador, a quem agradeceu publicamente pela nomeação. A autarquia é vinculada ao governo do Amapá e administra o regime próprio de previdência do estado.

Em uma das deliberações, que autorizou a compra de R$ 100 milhões em letras financeiras do banco Master, a maioria do comitê de investimentos aprovou a aplicação condicionando-a apenas a uma visita institucional futura à instituição financeira, sem exigir previamente documentação técnica complementar. Para a PF, essa prática foi considerada atípica e arriscada.

Em 23 de janeiro, a Polícia Federal solicitou à Justiça Federal autorização para cumprir mandados de busca e apreensão contra gestores apontados como responsáveis pelas aplicações. A operação, batizada de Zona Cinzenta, foi deflagrada na última sexta-feira (6).

Foram alvos das buscas Jocildo Silva Lemos; José Milton Afonso Gonçalves, conselheiro da Amprev e integrante do comitê de investimentos; e Jackson Rubens de Oliveira, também membro do comitê e participante das reuniões que decidiram pelos aportes no banco Master.

Em nota divulgada nesta segunda-feira (9), a Amprev afirmou que se considera prejudicada pelas irregularidades atribuídas ao banco Master e que busca o ressarcimento integral dos valores investidos. Segundo o instituto, a Justiça já determinou o bloqueio de pagamentos à instituição financeira. Os aportes representariam cerca de 4,7% da carteira da previdência estadual.

A manifestação da Amprev não faz menção às suspeitas levantadas pela PF sobre a conduta dos próprios gestores. A reportagem não conseguiu contato com a assessoria do órgão nem com as defesas dos três investigados.

Procurado, Davi Alcolumbre não respondeu. Em nota divulgada anteriormente, o senador afirmou defender a apuração completa dos fatos, com punição aos responsáveis, respeitado o devido processo legal.

O banco Master teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em 18 de novembro, um dia após a prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro, sob suspeita de tentativa de fuga do país. A instituição já enfrentava dificuldades para honrar compromissos e é investigada por possíveis crimes na gestão de carteiras de crédito.

Segundo a Polícia Federal, os responsáveis pelos aportes priorizaram exclusivamente a rentabilidade prometida, sem aprofundar análises reputacionais ou de risco. O inquérito apura os crimes de gestão fraudulenta e temerária de instituição financeira.

Relatórios da PF indicam que, durante as reuniões do comitê, outros conselheiros alertaram para a concentração excessiva de recursos da Amprev no banco Master, para a recusa da Caixa Econômica Federal em adquirir títulos da instituição e para a existência de investigações em órgãos de controle, como o TCU e o Ministério Público Federal.

Mesmo diante dessas advertências, a maioria do comitê aprovou novas aplicações, sem exigir estudos adicionais ou documentação técnica. Para a PF, Jocildo teria relativizado os questionamentos apresentados e sustentado a aprovação com argumentos genéricos.

José Milton, segundo a investigação, foi o responsável por apresentar a proposta inicial de investimento de grande porte no banco Master, defendendo a operação com base na maior rentabilidade, mesmo após alertas sobre riscos. Jackson, por sua vez, teria votado favoravelmente sem condicionar a decisão a análises técnicas mais aprofundadas, o que, na avaliação da polícia, pode caracterizar gestão temerária.
 

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