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Introdução
Estudo da Associação Americana do Coração associa o cronotipo vespertino (quem dorme tarde) a um maior risco de problemas cardiovasculares, especialmente em mulheres. O perigo reside mais nos hábitos de vida pouco saudáveis frequentemente adotados por quem tem esse perfil, do que no horário de sono em si.
- Dormir tarde pode aumentar o risco de infarto e AVC, segundo pesquisa da Associação Americana do Coração.
- Entenda o que é o ‘cronotipo’ e como sua predisposição para o sono afeta sua saúde cardiovascular.
- Mulheres com cronotipo vespertino (que preferem dormir tarde) apresentaram um risco ainda mais elevado.
- A principal causa não é o horário em si, mas os hábitos de vida pouco saudáveis frequentemente associados a quem dorme mais tarde.
- Descubra estratégias e dicas práticas para minimizar os riscos e proteger seu coração, independente do seu relógio biológico.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Você gosta de dormir mais tarde? Pois saiba um estudo publicado no final de janeiro na revista da Associação Americana do Coração (AHA, na sigla em inglês) indicou que pessoas que seguem esses hábitos têm um maior risco de desenvolver problemas cardiovasculares ao longo da vida. O perigo, por sinal, parece ser ainda mais elevado em mulheres.
Assinado por pesquisadores de instituições nos Estados Unidos, nos Países Baixos e no Reino Unido, o trabalho investigou como o cronotipo de uma pessoa pode influenciar esses riscos.
Mas calma! Boa parte da explicação parece ter origem em fatores modificáveis correlacionados ao horário em que se dorme: pessoas que acabam sendo mais ativas à noite tendem a adotar uma série de hábitos menos saudáveis que contribuem para um aumento da incidência dessas doenças.
Veja o que o estudo descobriu e o que pode ser feito para minimizar o peso do horário em que você vai para a cama.
O que é o cronotipo?
Antes de mergulhar no estudo, vale entender o conceito básico que ele buscou analisar: o cronotipo é definido como a inclinação natural de uma pessoa para seu tempo de sono e vigília, algo que pode ser influenciado por fatores ambientais, sociais e de estilo de vida, mas também tem um importante componente genético. Ou seja, gostar de dormir cedo ou tarde não depende apenas de uma escolha ou preferência pessoal.
De modo geral, é comum definir os cronotipos em categorias como “matutino” (pessoas que dormem mais cedo e são mais ativas pela manhã) e “vespertino” (quem gosta de dormir depois e se sente com disposição mais tarde no dia), além de muitas pessoas que caem numa classificação “intermediária”. A ciência hoje avalia que o cronotipo existe em um espectro, mas, para facilitar as pesquisas, essa classificação mais geral ainda é muito utilizada em estudos.
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O que o estudo concluiu sobre cronotipos?
No trabalho publicado em janeiro, os pesquisadores avaliaram informações do UK Biobank, um banco de dados sobre saúde que existe no Reino Unido.
De um total de mais de 320 mil pessoas elegíveis (adultos com 39 a 74 anos sem histórico conhecido de doença cardiovascular), as pessoas que disseram que seu cronotipo era “definitivamente vespertino” apresentaram piores escores de risco cardiovascular na comparação com os matutinos. Na prática, elas também tiveram mais eventos como infarto e AVC ao longo dos anos.
O critério para definir esses perigos foi o Life’s Essential 8 (LE8), uma lista oito métricas criadas pela AHA que avaliam dieta, atividade física, exposição à nicotina, saúde do sono, peso corporal, dislipidemias (colesterol e triglicerídeos), glicemia e pressão arterial.
No grupo que dormia mais tarde, o LE8 foi cerca de 79% pior do que na população matutina. Já em um acompanhamento de eventos cardiovasculares reais que aconteceram ao longo de quase 14 anos, as chances de um infarto ou AVC foi cerca de 16% maior entre os vespertinos.
Houve também um maior risco entre as mulheres que participaram do estudo. No entanto, a pesquisa não conseguiu chegar a uma explicação para isso.
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Por que quem dorme mais tarde tem mais riscos?
A principal explicação encontrada pelos autores é que um cronotipo vespertino está mais associado a uma série de hábitos danosos à saúde cardiovascular, medidas pela escala do LE8.
A boa notícia é que a interpretação dos resultados é menos fatalista do que parece à primeira vista: dormir mais tarde, por si só, não necessariamente aumenta os perigos de infarto ou AVC de forma isolada. Boa parte do problema vem de fatores modificáveis (ainda que nem sempre seja fácil fazer essas mudanças), como dietas pobres nutricionalmente, sedentarismo e tabagismo.
Adormecer mais tarde é menos relevante do que dormir mal, por exemplo. A grande questão é que, com frequência, pessoas com hábitos vespertinos acabam tendo padrões de sono mais irregulares, algo que pode estar associado ao impacto da luz natural no ritmo circadiano e às próprias demandas sociais (por exemplo, uma pessoa que se sente mais ativa à noite, mas seu trabalho exige que acorde cedo).
Como minimizar os riscos
Pessoas com hábitos vespertinos devem estar cientes de uma maior propensão aos perigos e buscar adotar um estilo de vida mais saudável frente aos fatores de risco. Isso passa por se alimentar melhor, praticar exercícios físicos, evitar o cigarro, tratar doenças subjacentes e, se dormir direito está difícil, buscar adotar hábitos de higiene do sono.
Como o cronotipo tem um componente genético, nem sempre é fácil modificá-lo e, de todo modo, ele não permanece o mesmo por toda a vida, evoluindo com o passar dos anos (não é só por “preguiça” que adolescentes preferem acordar mais tarde do que idosos). Até existem algumas intervenções comportamentais que tentam ajustar o cronotipo para algo que funcione melhor para um indivíduo, mas a eficácia desses métodos é questionada.
Limitações do estudo
Apesar de trazer dados robustos, o estudo exige algumas ressalvas na hora da interpretação dos resultados. Um dos principais problemas é o perfil pouco diverso de pessoas cujos dados estão disponibilizados no UK Biobank: em geral, elas são majoritariamente brancas e mais saudáveis do que a média, fator que reduz a chance de extrapolar os resultados para a população geral.
Os pesquisadores também apontam que os participantes só foram avaliados por seu cronotipo em um único ponto no tempo (ou seja, não é possível avaliar mudanças no cronotipo ao longo dos anos, e suas possíveis influências no risco cardiovascular) e que isso foi feito por meio de uma única pergunta autorrelatada: cada pessoa precisou definir por conta própria como interpretava seu cronotipo, o que pode levar a erros na classificação real.
Fonte.:Saúde Abril


