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11 de fevereiro de 2026

EUA querem processar minerais críticos no Brasil – 11/02/2026 – Economia

EUA querem processar minerais críticos no Brasil – 11/02/2026 – Economia

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Os Estados Unidos têm interesse em processar minerais críticos no Brasil. A afirmação é de Caleb Or, secretário de Estado adjunto para Assuntos Econômicos, Energéticos e Comerciais, em entrevista a jornalistas na tarde desta quarta-feira (11).

Segundo Or, os norte-americanos veem o Brasil como um parceiro estratégico para o desenvolvimento de minérios críticos, matérias-primas cruciais para tecnologias relacionados à transição energética e à defesa, entre outros usos.

O país possui uma grande reserva da matéria-prima, mas faltam recursos financeiros suficientes para custear o desenvolvimento da cadeia produtiva deles no país, incluindo o refino. Em alguns casos, falta também capacidade tecnológica. Por isso, um apoio dos EUA é bem visto pelo setor e por alguns integrantes do governo Lula.

A declaração do secretário americano ocorre poucos dias após uma reunião ministerial sobre minerais críticos, realizada na semana passada e que contou com a participação de 55 países.

Os Estados Unidos têm buscado expandir sua reserva de minerais críticos a fim de reduzir a dependência da China, que detém a maior parte dessas reservas no mundo.

No evento da semana passada, o secretário do Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que a formação de um bloco comercial internacional é essencial para evitar que crises ou monopólios interrompam as cadeias de suprimentos.

Apesar da presença brasileira na reunião, não há confirmação sobre a assinatura de algum acordo nessa área.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já afirmou que o país discute a exploração de minerais críticos, mas que o objetivo não é apenas permitir que outros países explorem suas reservas, e sim investir no processamento local desses materiais.

Caleb Or lembrou que os Estados Unidos já financiam dois projetos no país: um relacionado à mineradora Serra Verde e outro à Aclara. “O Brasil tem reservas ricas, especialmente em terras raras”, disse.

O secretário destacou que o processamento desses minerais é ainda mais concentrado globalmente do que a mineração em si. “Os Estados Unidos estão buscando soluções ‘ganha-ganha’ para diversificar o mercado de processamento e torná-lo mais distribuído globalmente”, afirmou.

Ele acrescentou que, devido às altas concentrações de terras raras no Brasil e aos financiamentos já realizados, o país seria um próximo passo natural para incentivar o processamento local.

O interesse americano nas reservas brasileiras não é novo, mas ganhou força no ano passado, em meio às tarifas impostas pelo governo Trump sobre produtos brasileiros. Desde então, membros do governo Lula já se encontraram com autoridades norte-americanas, mas nenhum acordo oficial foi firmado.

Nos bastidores, fontes afirmam que o Brasil só aceitaria garantir o fornecimento de minerais críticos aos EUA se houvesse a garantia de processamento local, algo que, até o momento, não foi formalmente assegurado pelo governo americano. A União Europeia, por exemplo, tem se comprometido a apoiar mineradoras brasileiras com projetos no país.

Enquanto um acordo oficial não é fechado, os EUA avançam por meio de contratos diretos com mineradoras brasileiras, sem intermediação do governo.

O DFC, banco estatal americano, garantiu financiamento às mineradoras Serra Verde e Aclara, em contratos que permitem ao banco deter participação acionária nas empresas.

Na semana passada, a Serra Verde anunciou que receberá US$ 565 milhões do DFC para ampliar suas operações no norte de Goiás. Controlada por dois fundos americanos e um britânico, a empresa é a única mineradora de terras raras em operação no Brasil e considerada estratégica globalmente por estar fora da China.

Por enquanto, a Serra Verde não planeja avançar na cadeia de processamento de terras raras, essenciais para ímãs usados em carros elétricos e equipamentos de defesa. Já a Aclara, que ainda não iniciou operações, se comprometeu no ano passado a abrir uma planta de processamento nos EUA, com minerais provenientes de uma mina no norte de Goiás.



Fonte.:Folha de S.Paulo

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