11:56 AM
13 de fevereiro de 2026

Mononucleose: vírus da “doença do beijo” pode ficar no corpo por toda a vida; saiba os riscos

Mononucleose: vírus da “doença do beijo” pode ficar no corpo por toda a vida; saiba os riscos

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Glitter, saliva e… vírus. Basta um bloco lotado e alguns beijinhos sem compromisso para que os três façam parte do seu Carnaval. É que os festejos de fevereiro são danados para mobilizar um velho conhecido: o vírus Epstein-Barr (EBV), responsável pela mononucleose, também chamada de “doença do beijo”.

A mononucleose é uma virose transmitida, especialmente, pelo contato direto com a saliva de uma pessoa infectada, como ocorre ao beijar. Altamente contagiosa, ela também pode ser causada pelo compartilhamento de objetos que entram em contato com a boca — caso de copos de bebidas, talheres e batom.

Com menos frequência, a doença ainda pode se espalhar por gotículas, via tosse ou espirro muito próximos a você.

Mas não é preciso pânico. O Epstein-Barr é praticamente onipresente. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que mais de 90% da população mundial já tenha se contaminado com ele em algum momento da vida.

Também de acordo com a entidade, a maioria de nós conhece o vírus ainda na infância e, geralmente, sem sequer perceber, pois os sintomas costumam ser muito leves nesta fase da vida.

Para ter ideia, dados dos Estados Unidos estimam que, ao menos, cerca de 50% das crianças até 5 anos de idade do país já tiveram contato com o EBV. Em países menos desenvolvidos, acredita-se que os números sejam maiores.

Os sinais incômodos de mononucleose aparecem, principalmente, para quem é infectado pela primeira vez depois de mais velho, como adolescentes e jovens adultos.

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+Leia também: Carnaval: conheça as doenças transmitidas pelo beijo

Um vírus para toda a vida

A mononucleose, geralmente, só nos acomete uma vez. É que, depois da infecção, o corpo desenvolve uma imunidade duradoura. Isso, porém, não significa que o vírus vá embora.

O Epstein-Barr pertence à família dos herpesvírus (a mesma da catapora e do herpes labial) e, assim como seus “primos”, tem a característica de permanecer no organismo por toda a vida.

Ele faz isso infectando um tipo de célula de defesa chamado linfócito B. Após a fase aguda da doença, o vírus entra em estado de latência — ou seja, fica inativo e sem causar sintomas —, escondido no núcleo dessas células, onde passa despercebido pelo sistema imunológico.

Ou seja, você pode até não lembrar de quem beijou na terça-feira de Carnaval. Mas as suas células, provavelmente, não irão esquecer.

Brincadeiras à parte, essa não é uma informação fatalista. Na imensa maioria das pessoas, isso não causa problema algum. A reativação do vírus ao ponto de causar sintomas é pouco frequente e costuma ocorrer principalmente em pessoas com a imunidade baixa.

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“Em alguns momentos ele pode se reativar e até ser eliminado pela saliva, geralmente sem causar sintomas”, explica o infectologista Rodrigo Molina, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

É importante mencionar, porém, que, em situações ainda mais incomuns, especialmente quando há falhas importantes no sistema imune ou mutações genéticas, o EBV pode atuar como gatilho para doenças autoimunes, como lúpus, ou estar associado ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como certos linfomas e o câncer de nasofaringe. Mas, de novo, isso é raro.

Sintomas de mononucleose

Em adultos, a doença do beijo provoca uma espécie de “super gripe”, com febre persistente, dor de garganta intensa, cansaço que não melhora com descanso e ínguas (linfonodos inchados) no pescoço. As amígdalas também podem inchar, parecendo vermelhas e grandes, e, às vezes, com manchas brancas ou amareladas.

Os sintomas, na maioria das vezes, são restritos a essas áreas, que são, basicamente, a porta de entrada do vírus. A parte de trás da garganta (chamada orofaringe) é o primeiro lugar onde ele começa a se multiplicar. “[A partir daí], o organismo reage com uma resposta imunológica intensa, que explica a febre, a dor, o aumento de gânglios [ínguas] e a sensação de cansaço”, completa o infectologista.

Em resposta à essa infecção, algumas pessoas também podem apresentar erupções cutâneas (pequenas manchas vermelhas ou rosadas na pele). Além disso, pode haver aumento do baço ou do fígado — o que exige mais atenção e pausa nas atividades físicas.

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Boa parte dos estudos indica que, ao menos, metade das pessoas com mononucleose apresenta aumento do baço, mesmo quando isso não é percebido em exames físicos.

O aumento pode ser notado por médicos ao apalpar o órgão, mas é mais evidente em exames de imagem. Para ter ideia, em uma análise com 29 pacientes hospitalizados — que provavelmente tinham quadros mais intensos da doença — todos apresentaram o baço aumentado quando fizeram ultrassom, e metade também tinha aumento do fígado.

Apesar disso, na maioria das vezes, o aumento não causa sintomas, é temporário e melhora sozinho ou a partir do tratamento da doença. Somente em casos raros, em um estimativa de 0,1% dos pacientes, o crescimento do baço pode fazer o órgão se romper, o que é considerado uma das complicações mais graves da mononucleose.

+Leia também: Com vocês, o baço: por que deveríamos valorizar mais este órgão esquecido

Mononucleose é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST)?

A mononucleose não é considerada um IST. Embora o quadro possa ser transmitido durante relações íntimas, já que envolvem troca de saliva, o EBV não é uma infecção predominantemente genital. Ele também não tem o mesmo perfil de prevenção ou triagem de ISTs como Aids, sífilis, gonorreia ou clamídia.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico de mononucleose vem de uma combinação entre a história clínica do paciente, exames físicos e laboratoriais. “No sangue, é comum ver linfócitos aumentados e, às vezes, alterações de enzimas do fígado. Para confirmar, usamos testes como sorologia para EBV (que diferencia infecção recente de passada)”, explica Molina.

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Já quanto ao tratamento, o médico destaca que não existe algo especifico, como medicação para combater o vírus. Na maioria dos casos, a recomendação é fazer um pouco de repouso, manter uma boa hidratação e usar medicamentos para alívio da dor e febre.

Vale destacar que uso de antibióticos não trata mononucleose — “só se houver infecção bacteriana associada, o que precisa ser bem avaliado”, diz o infectologista da SBI. Já os corticoides até podem ser usados, mas são reservados para situações muito específicas e mais graves, somente sob orientação médica.

Como evitar o contágio durante o Carnaval?

Há quem diga que o Epstein-Barr é tão disseminado que a única forma de não contraí-lo seria viver numa bolha.

Ainda assim — especialmente para fugir dos sintomas mais intensos que a doença pode causar nos adultos sem imunidade — vale pensar em formas de prevenção.“É possível reduzir bastante o risco com medidas simples”, afirma Molina.

Embora valha lembrar que um beijo não é sentença de febre, para não correr riscos com a doença, o médico aconselha três cuidados principais:

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  • Evitar beijar muitas pessoas, especialmente se alguém estiver com febre, garganta inflamada ou muito abatido;
  • Não compartilhar copos, garrafas, latas, talheres, cigarros, batom ou maquiagem, preferindo usar a sua própria garrafinha;
  • Manter uma boa hidratação

“Além disso, se você estiver doente, o mais responsável é não ir para a folia e evitar contato íntimo”, orienta. Molina também lembra que as dicas ajudam não só para evitar a mononucleose, mas diversas outras viroses.

Já para evitar ISTs e DSTs, a regra segue sendo o uso de preservativo e buscar fazer exames em caso de suspeitas ou risco.

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Fonte.:Saúde Abril

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