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13 de fevereiro de 2026

Da doceria ao feed: como Bia Forte virou fenômeno nas redes

Da doceria ao feed: como Bia Forte virou fenômeno nas redes

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Os ingredientes estão medidos, dispostos em recipientes transparentes, enfileirados na bancada. Sem tirar os olhos da câmera, a doceira prepara o “melhor bolo para tomar com café que existe”, com faixa na cabeça, avental no umbigo e óculos no colo. Com desenvoltura, explica o passo a passo, põe um ingrediente por vez na tigela, dá seus “pulos do gato”, leva a massa para assar, desenforma o quitute e polvilha açúcar. E, assim, um vídeo após o outro, a confeiteira autodidata Bia Forte constrói uma legião digital de fãs.

O curioso é que o sucesso não se deu em uma conta pessoal, mas no perfil digital da Brigadeiro Doceria e Café (@brigadeiro_cafe), loja que ela fundou em 2005, em Pinheiros, e premiada pelo COMER & BEBER em 2010. Hoje, são duas unidades no bairro, tocadas com duas das filhas, Isabel e Marina.

Mesmo sem muita intimidade com as redes sociais, a empresária confeiteira ouviu o conselho delas e decidiu aparecer com mais intensidade na internet, há pouco mais de um ano. Era bom para os negócios, né? Sucesso grande, mesmo, porém, ela conquistou só em junho passado, quando a conta do Instagram, então estacionada nos cerca de 50 000 seguidores, começou a crescer exponencialmente, até alcançar os mais de 330 000 fãs atuais.

O “culpado” foi um vídeo de Bia ensinado a fazer aquela cobertura de chocolate durinha e quebradiça de bolo, bem vintage. De junho para cá, o post acumulou 2,7 milhões de visualizações. Depois, vieram outros virais, como a rabanada e a queijadinha de assadeira, em que Bia mostra o caderno de receitas da mãe.

torta inteira e pedaço ao lado
Receitas de Bia Forte: torta de brigadeiro crocante (Ligia Skowronski/Veja SP)
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A escolha de sobremesas simples, sem técnicas sofisticadas e com o uso de ingredientes facilmente encontrados na despensa, aliada ao seu carisma na frente da câmera, fisgou o público, sobretudo feminino. “A Bia é uma mulher com quem outras se identificam facilmente”, diagnostica Karolina Moraes, social media que trabalha com a empresária há sete anos e, toda terça-feira, grava com ela, geralmente, sem roteiro.

“Não existe complicação nem performance, só alguém explicando de verdade, como faria em casa. Acho que talvez seja justamente isso que esteja faltando nas redes sociais”, conclui. Influenciadora em ascensão, Bia, além de ensinar doces, responde a perguntas, fornece dicas de livros e comprinhas, dá opiniões (às vezes, ácidas), tece comentários acerca do que falam os seguidores, canta e toca violão.

Duas semanas atrás, teve até que pedir desculpas pela ausência, como fazem os influencers grandões: estava de folga em um hotel — devidamente marcado no Story, claro. Com tanto interesse na figura da doceira, o nome dela fica hoje explícito no perfil (antes, era oculto), e a conta no TikTok foi batizada de Bia Cozinha.

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A doceira conta que há marcas a procurando para publicidade, mas ela ainda não fez nenhuma, apenas parcerias. “Pra mim, ainda é muita novidade. As pessoas estão me reconhecendo na rua, no mercado, no shopping…” Outra novidade: foi sondada por uma agência que gere a carreira de figuras digitais, com quem está em negociação.

pedaço de pavê em prato branco
Pavê com creme amanteigado: um dos hits das lojas (Ligia Skowronski/Veja SP)

O sucesso na internet refletiu no aumento de público, inclusive fora de São Paulo, nas duas unidades. “Em 2025 o movimento melhorou muito”, conta a dona da Brigadeiro. “Deve ter subido 20%”, estima. É um alento após as três franquias terem fechado, da pandemia para cá. Sinal de que sobremesas de jeitão caseiro ainda fazem sucesso, mesmo numa época em que entremets perfeitinhos e outros doces de técnicas sofisticadíssimas estejam em alta (“foram enfrescurando demais”, alfineta Bia).

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A empresária, que já publicou um livro de culinária, resiste firme com receitas como a torta de brigadeiro crocante e o pavê delícia (biscoito de maisena, creme amanteigado e musse de chocolate, regado de leite condensado com amêndoa tostada). “Não gosto de frescura, meu doce é muito raiz. É o que a tia, a mãe faz em casa”, acredita Bia. “É o que sei fazer.”

Publicado em VEJA São Paulo de 13 de fevereiro de 2026, edição nº 2982.

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Fonte.: Veja SP Abril

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