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O desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no carnaval do Rio de Janeiro foi destaque em alguns veículos internacionais nesta segunda-feira (16/2).
A apresentação aconteceu na noite de domingo no sambódromo da Sapucaí. Lula esteve presente e assistiu ao espetáculo de um dos camarotes, mas não participou do desfile — em meio a receios do governo e do Partido dos Trabalhadores de riscos de crime eleitoral durante o evento, o que poderia levar a punições futuras à esperada candidatura à reeleição do presidente.
Em artigo intitulado “Lula, carnaval e polêmica”, o jornal argentino Clarín destacou que a homenagem da Acadêmicos de Niterói no carnaval foi “criticada pela oposição como propaganda eleitoral em um ano em que o presidente do Brasil busca a reeleição”.
“Os ensaios públicos do desfile geraram polêmica ao exibirem imagens satíricas do ex-presidente Jair Bolsonaro em um telão. A oposição denunciou o desfile como um evento de campanha eleitoral meses antes do início oficial da campanha, em agosto, e exigiu cortes no financiamento público da escola de samba.”
O jornal afirmou que o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou por unanimidade pedidos feitos pela oposição para impedir o desfile, mas também destacou que o governo e o PT orientaram apoiadores de Lula para atitudes que possam causar possíveis problemas.
A agência de notícias Associated Press afirma que Lula ganhou “impulso de imagem no Carnaval do Rio” mas também “enfrenta riscos legais”.
“Não é a primeira vez que os desfiles de Carnaval homenageiam Lula, já que progressistas como ele compõem a maioria dos participantes da festa”, afirma o texto.
“Em 2003, seu primeiro ano como presidente, a renomada escola de samba Beija Flor apresentou um carro alegórico que o retratava como um político corajoso lutando contra a fome. Nove anos depois, a escola de samba Gaviões da Fiel, também paulistana, dedicou seu desfile a Lula.”
“Mas nunca antes uma homenagem desse tipo havia ocorrido em ano de eleição presidencial e com o Tribunal Superior Eleitoral acompanhando de perto.”

Crédito, Reuters
A reportagem afirma que apesar de o TSE ter rejeitado denúncias da oposição, os juízes “disseram que poderão revisar o caso se houver alguma ação que viole a lei eleitoral durante a apresentação”.
“Dentro de alguns meses, a presidência do Tribunal Eleitoral passará para o ministro Kássio Nunes, indicado por Jair Bolsonaro, adversário e antecessor de Lula, que foi crítico do Carnaval durante seu mandato. Nunes também estará no comando durante as eleições presidenciais brasileiras em outubro.”
Já a agência de notícias Reuters afirmou que o desfile da escola de samba virou uma “dor de cabeça” para o presidente brasileiro.
“Quando o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva soube que uma escola de samba do Rio de Janeiro basearia seu desfile de carnaval deste ano em sua trajetória de operário de fábrica a presidente, ele caiu em lágrimas e depois sorriu para as fotos segurando a bandeira da escola”, afirma a reportagem.
“Mas, à medida que o mundialmente famoso desfile de carnaval do Rio se aproximava, a homenagem foi se tornando uma dor de cabeça política.”
“Os ministros presentes no desfile foram instruídos a permanecer sentados na plateia, a não participar do desfile em si, a não utilizar verbas públicas para deslocamento e a não fazer gestos, declarações ou publicações ao vivo relacionadas às eleições nas redes sociais.”
A agência de notícias France Press (AFP) destacou que “um robô metálico colossal representando Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, dominou a famosa avenida Sambódromo do Rio de Janeiro na noite de domingo, em um desfile de Carnaval que gerou críticas por homenagear um presidente em exercício em ano eleitoral”.
“O desfile — o primeiro a homenagear um presidente em exercício — não fez menção à eleição, mas não se esquivou da política”, escreveu a AFP.
“A música tema declarava ‘não à anistia’ — o grito de guerra da esquerda contra os esforços para libertar o ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos de prisão por conspiração para um golpe fracassado”, diz o texto da agência.
“E um dos carros alegóricos retratava um Bozo, o Palhaço, gigante, com uniforme listrado de presidiário e uma enorme tornozeleira eletrônica, uma clara referência a Bolsonaro, frequentemente apelidado de ‘Bozo’ por seus críticos”, complementa o artigo da AFP.
Fonte.:BBC NEWS BRASIL


