11:56 PM
18 de fevereiro de 2026

Virginia na Sapucaí: entenda por que ter músculos não garante força

Virginia na Sapucaí: entenda por que ter músculos não garante força

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A estreia de Virginia Fonseca como Rainha de Bateria da Grande Rio, na noite desta terça-feira (17), na Marquês de Sapucaí, foi marcada por alguns maus bocados durante o desfile da escola de samba.

A influenciadora entrou na avenida com uma fantasia de mais de 12 quilos, adornada com 60 mil cristais. O problema é que, no decorrer da apresentação, ela enfrentou desconfortos e chegou a retirar a parte mais pesada da vestimenta.

Assim, foi-se embora o acessório chamado costeiro, um enorme par de asas, com cerca de três metros de largura, que ela carregava pendurado nos ombros.

A influencer comentou, em entrevistas, que a retirada do adereço já estava, em suas palavras, “meio que prevista”. Mas internautas levantam a hipótese de que problemas tenham ocorrido devido ao peso da estrutura.

Após o desfile, Virginia comentou o episódio em uma transmissão ao vivo na plataforma Twitch. Ela afirmou que sentiu dores intensas ao longo do percurso. “Chegou no meio, achei que ia começar a chorar de tanta dor. Tá doendo tanto”, relatou.

Nas redes sociais, o episódio rendeu uma batalha entre internautas — uns empáticos e outros para lá de ácidos — que levantaram perguntas como: dá para ter músculos aparentes, como Virgínia, e ainda assim não dar conta de sustentar uma carga pesada por muito tempo? 

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Se você também ficou na dúvida, entenda a seguir:

Hipertrofia vs força

Em primeiro lugar, devemos combinar que levantar 12 quilos por alguns segundos não é igual a carregar 12 quilos mal distribuídos, presos aos ombros, por mais de uma hora, sambando e de salto alto. Segundo, é preciso diferenciar o que é força e o que é hipertrofia, o aumento do tamanho do músculo.

A hipertrofia acontece quando as fibras musculares aumentam de volume, algo que aparece no espelho e na fita métrica. Já a força, por outro lado, é a capacidade de o músculo gerar tensão para vencer uma resistência, como levantar um peso.

“A força muscular é a capacidade de um músculo exercer tensão contra uma determinada carga. Já a hipertrofia é um aumento na seção transversa do músculo, que pode ser por aumento de volume ou densidade das células”, explica o ortopedista e médico do esporte Carlos Eduardo Viterbo.

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Segundo o médico, você pode aumentar o volume muscular treinando com foco em crescimento (mais repetições, estímulo metabólico, tempo sob tensão). Já o ganho de força depende muito do sistema nervoso e, mais especificamente, da capacidade dele de recrutar fibras musculares de forma eficiente quando o corpo precisa.

“Para realizar uma tarefa, o cérebro manda um sinal pela medula e nervos periféricos para ativar os músculos. E este sinal se transforma em força mecânica”, explica Viterbo.

Essa relação neurônio-músculo é chamada de unidade motora. Quanto mais treinado para levantar altas cargas, mais o cérebro consegue recrutar essas unidades. “E quanto maior essa capacidade, mais carga uma pessoa levanta”, diz.

É por isso que halterofilistas olímpicos nem sempre têm o maior bíceps da academia e, ainda assim, levantam cargas absurdas. “Embora dependem um tanto uma da outra, é possível treinar força sem grandes incrementos de hipertrofia e vice-versa”, explica Viterbo. 

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Força não é só tamanho

Reza à lenda que Davi, um jovem pastor, derrotou o gigante guerreiro Golias usando apenas uma pedra e um tanto de esperteza. Quando falamos sobre músculo versus força, a lógica é parecida. Mais volume não garante mais potência; o que decide o jogo é a estratégia (e o cérebro).

Como visto, ganhar força envolve treinar o sistema nervoso, expondo o corpo a cargas altas, com técnica boa e progressão gradual, para que ele aprenda a recrutar fibras musculares de forma mais potente e coordenada.

Já o aumento de volume muscular pode se dar pelo estímulo de treinamento resistido e à dieta. “Porém, estas valências não necessariamente se traduzem em capacidade para outros esforços, como resistência, corrida e suportar longos períodos de carga”, explica Viterbo.

Quando pensamos em resistência, também é importante considerar a importância de outros parceiros: ligamentos e tendões. Essas estruturas — que conectam músculo ao osso e estabilizam articulações — também são importantes para que consigamos nos manter de pé diante de pesos.

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Mas há um “porém”. Enquanto os músculos se adaptam relativamente rápido ao treino, eles são um pouco mais vagarosos na resposta. 

“Eles respondem aos estímulos de treino e se adaptam se tornando mais fortes, resilientes e capazes de suportar a carga imposta, porém são mais lentos para se adaptar e respondem mais às cargas altas, treinos isométricos e exercícios de resistência lenta”, diz o ortopedista.

Isso cria um possível descompasso: o músculo cresce e fica mais forte, mas o tendão ainda não está pronto para transmitir aquela força extra com segurança. Portanto, é preciso treinar, respeitar o tempo das estruturas de suporte e progredir.

Quem usa ‘bomba’ fica mais forte?

Não dá para falar sobre músculos e falta de força sem pensar nos esteroides anabolizantes. Virginia já afirmou fazer uso do chip da beleza, um implante subcutâneo que costuma conter tais hormônios. Ora, é fato que eles ajudam a mostrarmos belos bíceps, mas como fica a funcionalidade além da estética?

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Os anabolizantes são versões sintéticas da testosterona e agem, basicamente, “enganando” o corpo. Assim, elas entram nas células musculares e ativam mecanismos que aceleram a construção de proteínas, que são o material estrutural do músculo.

Daí, sim, os músculos crescem. Mas não são apenas flores. “Os esteróides anabolizantes são tóxicos aos tendões, além de desequilibrar a relação de força entre ele o músculo, já que este último responde mais rapidamente ao esteróide”, explica Viterbo.

Além disso, “ficar mais forte” com anabolizantes não significa melhorar coordenação, técnica ou resistência. Afinal, a força que vem do treino envolve adaptações neurológicas e estruturais que não dependem só de hormônios. 

Viterbo ressalta, ainda, que aumentos súbitos de intensidade, volume e carga, além da capacidade do tendão também são prejudiciais para estes órgãos tão importantes para o fortalecimento.

Além disso, há os efeitos colaterais como alterações cardiovasculares, aumento do risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC), problemas hepáticos, infertilidade, queda de cabelo, acne severa, alterações de humor, depressão e dependência.



Fonte.:Saúde Abril

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