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Introdução
Virginia Fonseca sofreu com fantasia pesada no Carnaval, levantando o debate: músculos aparentes indicam força real? Entenda a diferença entre hipertrofia (tamanho) e força funcional, o papel do sistema nervoso e por que o volume muscular nem sempre é sinônimo de capacidade. A matéria também aborda os perigos dos anabolizantes.
- O perrengue de Virginia Fonseca no Carnaval levanta a questão: ter músculos aparentes significa ter força para qualquer esforço?
- Descubra a diferença crucial entre hipertrofia (aumento do volume muscular) e força (capacidade de gerar tensão para vencer resistência).
- Compreenda como o sistema nervoso central é determinante para o ganho de força e o recrutamento eficiente das fibras musculares.
- Entenda o papel e o tempo de adaptação de tendões e ligamentos, essenciais para a resistência e sustentação de cargas.
- Veja por que anabolizantes aumentam o volume, mas não a força funcional, e seus graves riscos para a saúde e tendões.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A estreia de Virginia Fonseca como Rainha de Bateria da Grande Rio, na noite desta terça-feira (17), na Marquês de Sapucaí, foi marcada por alguns maus bocados durante o desfile da escola de samba.
A influenciadora entrou na avenida com uma fantasia de mais de 12 quilos, adornada com 60 mil cristais. O problema é que, no decorrer da apresentação, ela enfrentou desconfortos e chegou a retirar a parte mais pesada da vestimenta.
Assim, foi-se embora o acessório chamado costeiro, um enorme par de asas, com cerca de três metros de largura, que ela carregava pendurado nos ombros.
A influencer comentou, em entrevistas, que a retirada do adereço já estava, em suas palavras, “meio que prevista”. Mas internautas levantam a hipótese de que problemas tenham ocorrido devido ao peso da estrutura.
Após o desfile, Virginia comentou o episódio em uma transmissão ao vivo na plataforma Twitch. Ela afirmou que sentiu dores intensas ao longo do percurso. “Chegou no meio, achei que ia começar a chorar de tanta dor. Tá doendo tanto”, relatou.
Nas redes sociais, o episódio rendeu uma batalha entre internautas — uns empáticos e outros para lá de ácidos — que levantaram perguntas como: dá para ter músculos aparentes, como Virgínia, e ainda assim não dar conta de sustentar uma carga pesada por muito tempo?
Se você também ficou na dúvida, entenda a seguir:
Hipertrofia vs força
Em primeiro lugar, devemos combinar que levantar 12 quilos por alguns segundos não é igual a carregar 12 quilos mal distribuídos, presos aos ombros, por mais de uma hora, sambando e de salto alto. Segundo, é preciso diferenciar o que é força e o que é hipertrofia, o aumento do tamanho do músculo.
A hipertrofia acontece quando as fibras musculares aumentam de volume, algo que aparece no espelho e na fita métrica. Já a força, por outro lado, é a capacidade de o músculo gerar tensão para vencer uma resistência, como levantar um peso.
“A força muscular é a capacidade de um músculo exercer tensão contra uma determinada carga. Já a hipertrofia é um aumento na seção transversa do músculo, que pode ser por aumento de volume ou densidade das células”, explica o ortopedista e médico do esporte Carlos Eduardo Viterbo.
Segundo o médico, você pode aumentar o volume muscular treinando com foco em crescimento (mais repetições, estímulo metabólico, tempo sob tensão). Já o ganho de força depende muito do sistema nervoso e, mais especificamente, da capacidade dele de recrutar fibras musculares de forma eficiente quando o corpo precisa.
“Para realizar uma tarefa, o cérebro manda um sinal pela medula e nervos periféricos para ativar os músculos. E este sinal se transforma em força mecânica”, explica Viterbo.
Essa relação neurônio-músculo é chamada de unidade motora. Quanto mais treinado para levantar altas cargas, mais o cérebro consegue recrutar essas unidades. “E quanto maior essa capacidade, mais carga uma pessoa levanta”, diz.
É por isso que halterofilistas olímpicos nem sempre têm o maior bíceps da academia e, ainda assim, levantam cargas absurdas. “Embora dependem um tanto uma da outra, é possível treinar força sem grandes incrementos de hipertrofia e vice-versa”, explica Viterbo.
Força não é só tamanho
Reza à lenda que Davi, um jovem pastor, derrotou o gigante guerreiro Golias usando apenas uma pedra e um tanto de esperteza. Quando falamos sobre músculo versus força, a lógica é parecida. Mais volume não garante mais potência; o que decide o jogo é a estratégia (e o cérebro).
Como visto, ganhar força envolve treinar o sistema nervoso, expondo o corpo a cargas altas, com técnica boa e progressão gradual, para que ele aprenda a recrutar fibras musculares de forma mais potente e coordenada.
Já o aumento de volume muscular pode se dar pelo estímulo de treinamento resistido e à dieta. “Porém, estas valências não necessariamente se traduzem em capacidade para outros esforços, como resistência, corrida e suportar longos períodos de carga”, explica Viterbo.
Quando pensamos em resistência, também é importante considerar a importância de outros parceiros: ligamentos e tendões. Essas estruturas — que conectam músculo ao osso e estabilizam articulações — também são importantes para que consigamos nos manter de pé diante de pesos.
Mas há um “porém”. Enquanto os músculos se adaptam relativamente rápido ao treino, eles são um pouco mais vagarosos na resposta.
“Eles respondem aos estímulos de treino e se adaptam se tornando mais fortes, resilientes e capazes de suportar a carga imposta, porém são mais lentos para se adaptar e respondem mais às cargas altas, treinos isométricos e exercícios de resistência lenta”, diz o ortopedista.
Isso cria um possível descompasso: o músculo cresce e fica mais forte, mas o tendão ainda não está pronto para transmitir aquela força extra com segurança. Portanto, é preciso treinar, respeitar o tempo das estruturas de suporte e progredir.
Quem usa ‘bomba’ fica mais forte?
Não dá para falar sobre músculos e falta de força sem pensar nos esteroides anabolizantes. Virginia já afirmou fazer uso do chip da beleza, um implante subcutâneo que costuma conter tais hormônios. Ora, é fato que eles ajudam a mostrarmos belos bíceps, mas como fica a funcionalidade além da estética?
Os anabolizantes são versões sintéticas da testosterona e agem, basicamente, “enganando” o corpo. Assim, elas entram nas células musculares e ativam mecanismos que aceleram a construção de proteínas, que são o material estrutural do músculo.
Daí, sim, os músculos crescem. Mas não são apenas flores. “Os esteróides anabolizantes são tóxicos aos tendões, além de desequilibrar a relação de força entre ele o músculo, já que este último responde mais rapidamente ao esteróide”, explica Viterbo.
Além disso, “ficar mais forte” com anabolizantes não significa melhorar coordenação, técnica ou resistência. Afinal, a força que vem do treino envolve adaptações neurológicas e estruturais que não dependem só de hormônios.
Viterbo ressalta, ainda, que aumentos súbitos de intensidade, volume e carga, além da capacidade do tendão também são prejudiciais para estes órgãos tão importantes para o fortalecimento.
Além disso, há os efeitos colaterais como alterações cardiovasculares, aumento do risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC), problemas hepáticos, infertilidade, queda de cabelo, acne severa, alterações de humor, depressão e dependência.
Fonte.:Saúde Abril


