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27 de fevereiro de 2026

Vice-prefeita defende abertura de CPI para investigar suposto abuso cometido por ex-secretário

Vice-prefeita defende abertura de CPI para investigar suposto abuso cometido por ex-secretário

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A vice-prefeita de Cuiabá, Vânia Rosa (MDB), afirmou que não vê impedimento na abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Cuiabá, para apurar o suposto caso de abuso sexual envolvendo o ex-secretário municipal de Trabalho, William Leite. Para ela, se houver necessidade de aprofundar as investigações e garantir transparência, a medida precisa ser adotada.

Segundo Vânia, que é Coronel da Reserva Remunerada da Polícia Militar de Mato Grosso (PMMT), procedimentos investigativos fazem parte da rotina institucional e não devem ser encarados como algo excepcional ou “escandaloso”.

“Dentro da Polícia Militar funcionamos com processos como inquéritos, sindicâncias, procedimento administrativo. Se for realmente necessária uma CPI, para que seja apurado com fidelidade o que aconteceu, seria importante sim. O que não dá é aceitar procedimentos administrativos internos que não funcionam e não vão trazer à tona a realidade. Precisamos resguardar para ver se houve ou não houve e apurar os fatos de forma verdadeira”, declarou a vice-prefeita ao Programa Roda de Entrevista.

A vice-prefeita ressaltou que, na corporação, até mesmo uma sindicância simples pode resultar na instauração de procedimento administrativo mais aprofundado ou até inquérito policial. “A gente é muito acostumado a responder a esses procedimentos. Aqui não tem que ser diferente. Muitas vezes, traz muito alarde falar que vai ter inquérito ou procedimento administrativo, mas na polícia é rotineiro. Isso que faz a corporação ter seus filtros do que nos servem”, pontuou.

Sobre a denúncia em si, Vânia afirmou que recebeu a informação com pesar, mas destacou que situações de violência contra a mulher não são incomuns nos mais diversos espaços sociais.

“Não me assustou. Logicamente, é um pesar ouvir isso sem poder ter observado de forma próxima, ou ter acolhido essa mulher no momento mais anterior a tudo isso e poder orientar. Mas não é de assustar. Eu já lido com isso há muito tempo. A gente sabe que os piores tipos de violência estão nos espaços mais descabidos”, afirmou.

Ela defendeu cautela na apuração, sem prejulgamentos, e reforçou a necessidade de investigação rigorosa. “A gente não pode duvidar de nada. Muitas vezes a gente se torna paranoica. Violência contra a mulher é algo que a gente tem que trabalhar para prevenir, não só condenar e punir”, disse.

Para a vice-prefeita, além das medidas punitivas, é fundamental investir em políticas públicas de prevenção e educação. “Se conseguirmos reduzir daqui a três ou cinco anos os índices de feminicídio, será uma grande valia. Infelizmente, medidas imediatistas como maior condenação são válidas, mas não trazem prevenção. A prevenção é educação, é isso que eu acredito que pode ter validade social”, concluiu.

Dentro da Câmara, o vereador Daniel Monteiro (Republicanos) tentou emplacar uma CPI com o escopo baseado em duas denúncias contra o secretário, uma a respeito de uma investigação contra o ex-secretário no Ministério Público à pedido do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), e a segunda a respeito da denúncia de abuso sexual supostamente cometido por William. No entanto, o requerimento não alcançou o número suficiente de assinaturas.

Atualmente, a CPI conta com sete assinaturas, são necessárias nove para a abertura formal. Paralelamente, enquanto o vereador coletava participações na investigação, outras 5 CPIs foram protocoladas na Casa, movimento que gerou questionamentos nos bastidores e ampliou o embate se de fato eram necessárias ou houve manobras da base de apoio do prefeito de impedir a investigação.

Parte dos vereadores alegava que a instalação da CPI poderia expor a vítima e causar revitimização. Sendo assim, optaram pela abertura de uma Comissão Especial, que não possui o mesmo peso e poder que a CPI.

Dias depois, a própria vítima buscou o vereador para garantir que faz questão de participar da CPI e até mesmo depor em oitivas.

Monteiro explica que vai aguardar o trâmite regimental das outras cinco CPIs na antes de tomar uma nova iniciativa formal. Segundo ele, embora as comissões tenham obtido assinaturas suficientes, ainda precisam passar pela análise jurídica para serem efetivamente instaladas.

Caso alguma das CPIs não prospere ou surja espaço regimental para uma nova comissão, pretende reapresentar sua proposta e buscar as duas assinaturas restantes para alcançar o número mínimo necessário.



Fonte Jornal de Mato Grosso

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