No começo de outubro, o tradicional Guia Michelin, que elege os melhores restaurantes do planeta, anunciou a sua primeira lista voltada a hotéis. E eis que só dois estabelecimentos brasileiros obtiveram a pontuação máxima, de três chaves, o Rosewood São Paulo e o Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu.
Chama a atenção a diferença de idade entre eles. Enquanto o empreendimento paulistano abriu as portas em 2022, investindo em edifício com jardim vertical, piscina em forma de serpente e mimos moderninhos a cargo do designer-estrela Philippe Starck, seu concorrente paranaense funciona desde 1957 com a mesma fórmula: a de que com o clássico não há erro.
É claro que ajuda bastante a proximidade dele com o espetáculo natural das cataratas do Iguaçu, que podem ser avistadas na sua entrada suntuosa, em várias de suas suítes voltadas para a frente e na torre, frequentemente usada para pedidos de casamento.
O fato é que hóspedes desfrutam de uma regalia mais do que especial ao preço de diárias que começam na casa dos R$ 5.000. Qualquer visitante que deseja contemplar as quedas d’água precisa respeitar os horários de abertura e fechamento do parque nacional onde tanto elas como o próprio hotel estão situados. Mas só quem se hospeda ali é que pode tomar a trilha de não mais do que 20 minutos até a corredeiras antes de ele abrir ou depois que ele fechar, evitando as multidões.
Dá para sentir aqueles borrifos vindos da Garganta do Diabo, a mais impressionante das 275 cascatas, sem precisar disputar espaço com paus de selfies.
Pode também, pedalar nas trilhas que cortam a mata atlântica ao redor e, nas noites de lua cheia, ver o arco-íris lunar se formando sobre as magníficas corredeiras, para citar apenas as possibilidades oferecidas pela natureza do entorno.
Do lado de dentro da fachada pintada em cor-de-rosa, estamos num edifício com inspiração colonial. Embora o modernismo brasileiro já vicejasse nas construções país afora à época de sua inauguração, nos anos 1950, o arquiteto mineiro Ângelo Murgel optou por resgatar elementos da herança portuguesa, nítida em seus janelões simétricos, pórticos e nos azulejos pintados à mão.
Nos seus 187 quartos rescende o cheiro de madeira maciça, que também dá as caras no classudo salão do Bar Tarobá, que serve driques na varanda, com vista para as cataratas. Novidade ali no térreo é o Y, restaurante de comida autoral a cargo do chef Luiz Filipe Souza, do paulistano Evvai —reinventa com alguma competência preparos típicos, como o clássico barreado da culinária paranaense, mas aborrece com a mania dos garçons de ficarem longos minutos dando explicações detalhadíssimas sobre cada prato ou bebida.
Mais agradável é rumar para o restaurante Ipê, sem frescuras ou invencionices, que no café da manhã oferece um fartíssimo bufê e nas demais horas do dia faz ótimos grelhados. Fica bem perto da piscina, ampla e cercada por palmeiras.
Quem hoje comanda o Hotel das Cataratas é a rede Belmond, a mesma por trás do Copacabana Palace e braço hoteleiro do conglomerado francês LVMH, que também é dono da Louis Vuitton e da Moët Hennessy, entre outras tantas marcas de luxo.
O jornalista se hospedou a convite do Hotel das Cataratas
Fonte.:Folha de S.Paulo


