As Forças Armadas da Dinamarca enviaram explosivos e bolsas de sangue para a Groenlândia em janeiro diante de um possível ataque dos Estados Unidos em meio à escalada de tensões com Donald Trump por sua tentativa de assumir o controle da ilha.
Duas autoridades europeias confirmaram, na quinta-feira (19), uma reportagem da emissora pública dinamarquesa DR sobre como o país buscou elevar o custo para Trump caso ele tentasse usar a força para tomar a Groenlândia. França e Alemanha apoiaram Copenhague nessa estratégia, segundo os relatos.
“Estávamos muito preocupados que isso pudesse dar muito errado”, disse uma das autoridades, referindo-se às ameaças repetidas de Trump em janeiro.
As tropas dinamarquesas enviadas no início do ano levaram explosivos suficientes para destruir as principais pistas da ilha, próximas à capital Nuuk e em uma antiga base aérea em Kangerlussuaq, segundo a DR. Elas também receberam bolsas de sangue para eventual combate.
Os planos mostram a seriedade com que as ameaças de Trump contra um aliado da Otan foram tratadas —não apenas na Dinamarca, mas em toda a Europa.
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A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou: “Vivemos a pior situação de política externa desde a Segunda Guerra Mundial. Só estamos em uma posição melhor hoje graças à cooperação europeia”.
O conflito acabou sendo amenizado pelo secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que convenceu Trump, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, a aceitar os termos iniciais de um possível acordo futuro com a Dinamarca sobre a Groenlândia.
Frederiksen disse que negociações de alto nível seguem em andamento com os americanos para um possível acordo que respeite a soberania da Dinamarca e da Groenlândia. “Espero um acordo, mas, como já disse, o desejo de Trump de assumir a Groenlândia permanece”, afirmou a primeira-ministra.
A Dinamarca e outros países europeus —incluindo França e Alemanha— enviaram tropas à Groenlândia em janeiro sob a cobertura de um exercício militar planejado, comunicado ao Departamento de Defesa dos EUA.
Mas, segundo a reportagem da DR, o verdadeiro objetivo era preparar o terreno para um possível ataque americano e garantir que qualquer tentativa de tomada da ilha fosse enfrentada de forma hostil.
“Os franceses foram incrivelmente úteis”, disse outra autoridade europeia. “Eles entenderam imediatamente que precisávamos de um plano.”
Trump —fortalecido após o sucesso em derrubar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro— reagiu mal à movimentação, ameaçando impor tarifas extras à Dinamarca e a outros países envolvidos.
“Depois da Venezuela, eles acharam que podiam tudo. ‘Vamos pegar isso, e esse país’”, disse uma terceira autoridade. “Esse medo não desapareceu, mas já não é tão presente.”
A DR ouviu 12 autoridades de alto escalão de governos, militares e inteligência da Dinamarca, além de França e Alemanha, sobre o aumento dos preparativos após a incursão americana na Venezuela.
“A Groenlândia não saiu de cena. Está apenas adormecida”, disse um ex-ministro dinamarquês.
Fonte.:Folha de S.Paulo


