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27 de março de 2026

Ainda existem médicos de família, sim: entenda a importância desse profissional

Ainda existem médicos de família, sim: entenda a importância desse profissional

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O excelente artigo de Walcyr Carrasco na VEJA SÃO PAULO acertou em cheio ao resgatar uma figura essencial da medicina: o médico de família. Mais do que uma lembrança nostálgica, é um alerta oportuno. Ao destacar a importância desse profissional em meio à fragmentação do cuidado, Walcyr presta um serviço relevante ao debate sobre a saúde atual.

Em meio a tantos especialistas, cresce a sensação de que falta alguém capaz de enxergar o paciente como um todo. Mas essa figura não desapareceu. Ela evoluiu. O médico de família de hoje já não é, necessariamente, aquele profissional que visitava a casa dos pacientes. Ele se adaptou ao novo modelo de saúde e, cada vez mais, está vinculado a grandes hospitais e centros de referência.

Médico de família, clínico geral e a especialidade: entenda as diferenças

É importante também diferenciar conceitos que muitas vezes se confundem. O antigo “médico de família”, como era conhecido popularmente, se aproxima do que hoje entendemos como clínico geral.

Já a medicina de família e comunidade é uma especialidade estruturada, com formação específica, voltada principalmente à organização do cuidado na saúde pública, com foco em prevenção, acompanhamento contínuo e gestão da saúde da população.

Independentemente da nomenclatura, a essência permanece. Mais do que tratar doenças isoladas, esse profissional faz o gerenciamento da saúde do paciente. Ele acompanha, orienta, previne e, quando necessário, encaminha para o especialista adequado. Não se trata apenas de medicar, mas de organizar o cuidado, evitando excessos, conflitos entre tratamentos e decisões desencontradas.

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Em um cenário em que o paciente muitas vezes se torna o próprio “coordenador” da sua saúde, o médico de família reassume um papel estratégico. Ele conhece o histórico, entende o contexto e conecta as diferentes peças do quebra-cabeça. É, em essência, quem traduz a complexidade da medicina moderna em decisões mais seguras e coerentes.

Outro ponto relevante é a qualidade da indicação. Em um mercado onde há bons e maus profissionais, o médico de família funciona como um filtro confiável, direcionando o paciente para especialistas competentes e evitando riscos desnecessários.

É verdade que o acesso a esse modelo ainda é limitado, especialmente em um país com desigualdades como o Brasil. Nem todos conseguem estar vinculados a grandes instituições. Ainda assim, a lógica do cuidado integral não deveria ser exceção, mas um objetivo.

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A medicina avançou muito ao longo da segunda metade do século XX com a especialização. Mas, ao mesmo tempo, criou lacunas na visão global do paciente. O médico de família surge, hoje, não como uma figura do passado, mas como uma resposta moderna a esse desequilíbrio.

No meio de tantos especialistas, ele continua sendo aquele que olha o paciente inteiro. E isso nunca foi tão necessário.

Alfredo Salim Helito é clínico geral, membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, head nacional de Clínica Médica da Brazil Health.

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(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)

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Fonte.:Saúde Abril

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