Se não deu tempo de comprar os vinhos da Páscoa antes, com calma e planejamento, você não terá de engolir o bacalhau a seco: há muita coisa boa em diferentes redes de supermercado, onde é possível comprar rótulos interessantes a bons preços mesmo no feriado. Por sorte, nenhum desses vinhos, diferentemente do peixe, precisa ser preparado na véspera. Uma hora de geladeira para os brancos e 30 minutos para os tintos deve dar conta do recado.
Antes de ir às vias de fato, ou melhor, aos rótulos, vale relembrar as regras do casamento feliz: pode-se combinar comida e bebida por geografia (itens de uma mesma região combinam por princípio), por semelhança (se a receita for leve, o vinho também deve ser; se for pesada, o vinho idem) ou por contraste (gordura no prato precisa de acidez na taça; pimenta pede alguma doçura).
No supermercado, sugiro descartar as garrafas que estão expostas diante de muita luz ou em vitrines e ficar atento às safras em vinhos cujo preço é mais baixo: até cinco anos de idade para os tintos, até três para os brancos e rosados será mais garantido.
Para quem não abre mão das borbulhas para começar, sugiro o Geisse Amadeu Brut (R$ 109 no St. Marché) ou o Valduga Brut (R$ 129 no Mambo), ambos feitos por excelentes produtores do Sul, que trazem perlage fino e elegância. Se você empreender no projeto de bolinho de bacalhau, vai ser um casamento feliz, porque as borbulhas são capazes de eliminar qualquer resquício de gordura na boca.
Brancos feitos com a alvarinho na região dos Vinhos Verdes, como o Torre De Lapela Alvarinho (R$ 59 no Pão de Açúcar), de Monção e Melgaço, são leves e têm efeito quase de enxaguante bucal, de tão eficientes que são em preparar o ambiente (a boca) para a próxima porção.
Se o seu prato principal é feito com o bacalhau, o casamento por geografia é uma aposta certa: foque nos vinhos portugueses, que oferecem bom preço e qualidade, além de muita diversidade, pois o país está sempre no pódio das importações brasileiras.
Para o bacalhau com natas, indico a região do Alentejo, que faz vinhos com mais álcool e estrutura. O Ravasqueira Clássico Branco (R$ 81 na Casa Santa Luzia), feito com antão vaz, arinto e viognier, é um bom candidato, com o corpo certo, acidez e certa untuosidade, notas cítricas e florais.
Se o mar está mais para peixe fresco, aí é preciso pensar na espécie e na receita. Peixes brancos em receitas simples vão bem com vinhos levinhos e sem passagem por madeira. Um jeito de sair do comum é provar um sauvignon blanc neozelandês como o Acquamarine (R$ 109 no Pão de Açúcar), que traz notas mais herbáceas. O Siegel Chardonnay (R$ 42 no St. Marché) é uma pechincha e muito bem feitinho.
Receitas mais elaboradas pedem vinhos com mais estrutura. Para moqueca com dendê, gosto dos laranjas, como o Lazy Winemaker (R$ 167 no Quitanda), feito com sauvignon blanc, com nota marcada da levedura. Já para a paella, prefiro um rosado como o Esporão Monte Velho (R$ 103 no Mambo).
Para as chocólatras de plantão, há jeito de casar vinho e doce, claro. Para os ovos de Páscoa, Porto Ferreira Ruby (R$ 159 no Pão de Açúcar) na temperatura certa: resfriado. Se a sobremesa vai ser algo da doçaria portuguesa, iria no vinho da Madeira Barbeito Boal Reserva (R$ 223 no Quitanda), que vai deixar até as formigas de queixo caído.
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Fonte.:Folha de São Paulo


